Vozes Que Precisam Ser Ouvidas
A delegacia estava menos caótica naquele horário, mas o clima ainda era de guerra encerrada, não de paz.
Havia passos, portas abrindo e fechando, telefones tocando — tudo em ritmo contido.
Thomas conduziu Eloise primeiro.
A sala de depoimento era fria, iluminação branca demais, cadeira desconfortável — propositalmente.
Eloise respondeu tudo com clareza.
Vez após vez, revivia pedaços — mas agora não tremia.
Havia aprendido, naquele penhasco, que ela não era mais vítima.
Era sobrevivente.
E sobreviventes falam de cabeça erguida.
Depois foi a vez de Augusto.
Eloise ficou na sala de Thomas, sentada no sofá de couro escuro, mãos cruzadas sobre a barriga — um gesto que ela nem percebia que fazia.
Na sala de Interrogatório
Thomas fechou a porta, tirou o rádio e o coldre, deixando sobre a mesa.
Era sinal de que aquela conversa não era apenas policial.
— Ela está bem? — Thomas perguntou.
Augusto assentiu, mas respirou como quem está guardando algo grande demais no peito.
— Thomas… Eu preciso te contar algo.
Thomas deixou a expressão cair um pouco, sério:
— Fale.
Augusto baixou o tom, como se o segredo fosse vidro:
— Eloise está grávida.
Silêncio.
Depois, algo raro: Thomas sorriu. Pequeno, sincero.
— Parabéns, meu amigo.
Augusto riu com o canto da boca, mas logo o sorriso sumiu.
— Eu não quero que a morte do Lucas chegue aos ouvidos dela agora.
Não antes de passarmos das doze semanas.
Eloise precisa de paz agora.
Thomas assentiu, firme, sem hesitar.
— Concordo.
E eu garanto que ninguém da minha equipe vai falar nada.
Essa informação fica entre nós até você me avisar.
Dois homens, cansados do mundo, fizeram ali um pacto silencioso — de cuidado.
Quando voltaram para a sala, Eloise estava sentada direita, olhar firme.
— Vamos, amor. — Augusto disse, tocando de leve o ombro dela.
Ela levantou… mas não foi na direção da porta.
— Ainda não. — disse, olhando para Thomas. — Eu quero cinco minutos com a Thamires.
O silêncio que veio depois não era surpresa.
Era choque.
Thomas olhou para Augusto primeiro.
Augusto respirou fundo, já antecipando o debate:
— Amor… você está grávida.
Seu corpo acabou de sair de um trauma.
Ela vai ser presa. Ela não merece nada de você.
Eloise falou sem elevar a voz.
Mas a firmeza da fala poderia cortar concreto.
— Justamente por isso, eu quero olhar para ela.
Para deixar isso aqui. — ela tocou o peito. — E não carregar comigo.
Augusto sentiu aquilo.
Ele conhecia Eloise — quando ela falava assim, era decisão.
Thomas cruzou os braços.
— Uma policial fica dentro da sala com vocês.
Eloise negou na hora — não com rebeldia, mas com convicção.
— Na porta.
Eu vou resolver algo nosso.
Entre nos duas.
Thomas analisou o rosto dela. A expressão. A respiração. O corpo.
E entendeu.
Não era impulso.
Era encerramento.
Ele assentiu.
— Cinco minutos.
Nada mais.
Eloise apenas concordou.
O corredor da delegacia cheirava a ferro, tinta velha e raiva contida.
Eloise caminhava firme, sem hesitar, sem olhar para trás.
Augusto seguia, preocupado, mas respeitando o passo dela.
No final do corredor, uma porta metálica esperava.
Thomas parou ao lado. A policial se posicionou ao lado da porta.
— Cinco minutos — ele disse.
Eloise entrou.
— Thamires, vi resolver algo que ficou pretende.
A porta fechou atrás dela.
O relógio começou a contar os cinco minutos.
Thamires estava sentada, algemada, o queixo alto como se o mundo ainda lhe pertencesse.
Os olhos dela vasculharam Eloise de cima a baixo.
— A sobrevivente ilesa — Thamires disse, sorrindo torto. — Da próxima não vai ter sorte.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...