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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 266

Casa, Coração e Encontros

A estrada seguia mansa pela janela, mas Eloise não estava olhando o caminho.

Estava olhando o silêncio entre uma respiração e outra.

Augusto dirigia com uma mão no volante, a outra segurando a ponta dos dedos dela — sempre fazendo contato. Sempre lembrando: eu estou aqui.

Quando viraram a última esquina, ele falou — simples, como quem escolhe o momento certo:

— Tem alguém esperando você em nossa casa.

Eloise girou o rosto devagar.

— Quem? — perguntou, tentando manter a voz neutra.

Augusto sorriu de canto. Um sorriso que ela conhecia.

— Surpresa.

Eloise estreitou os olhos.

— É meu pai, não é?

O sorriso dela veio primeiro — pequeno, nostálgico —

mas no meio do caminho ele desmontou.

O peito dela apertou.

— Ele sabe… o que aconteceu? — a voz saiu baixa. — Você contou? O coração dele… ele não podia passar por estresse agora.

O carro parou no sinal vermelho.

Augusto virou o rosto para ela.

Tranquilo. Seguro. Cheio de cuidado.

— Cláudia estava com ele. — disse. — Ela acompanhou tudo mesmo de longe, e ficou ao lado dele até a situação acalmar. Quando você ficou fora de perigo, ela contou.

Eloise piscou algumas vezes — tentando impedir lágrimas.

— E ele… está bem? — perguntou, quase um sussurro.

— Está. — Augusto garantiu. — E só quer ver você. Ter certeza com os próprios olhos de que você está bem.

Eloise olhou para o colo.

— Quero levar ele ao médico. — murmurou.

Augusto sorriu, um sorriso pequeno… vencedor… apaixonado.

— Está vendo? — respondeu. — Agora você está sentindo o que eu senti quando o alarme da sala tocou.

Ela não discutiu.

Não tinha como.

Era verdade.

Ela só virou o rosto para a janela e deixou o silêncio dizer tudo o que as palavras não alcançavam.

Augusto estacionou o carro em frente à casa.

Aquela casa que ainda não tinha sido oficialmente “deles”,

mas que já era,

desde o primeiro dia.

Augusto desligou o carro, tirou o cinto, e virou para ela — sério demais para estar brincando:

— Então… temos duas opções.

Ou você se muda logo de vez para cá…

Ou a gente espera para casar e mudamos depois.

E então, com o timing dramático perfeito:

— Mas, nesse caso, vamos ter que casar amanhã mesmo.

Eloise soltou um riso que veio de um lugar fundo —

aliviado, cansado, vivo.

— Você é bobo.

Augusto inclinou o rosto.

— Sou. Mas sou seu.

Ele abriu a porta para ela.

Eloise desceu do carro.

Respirou fundo.

O ar tinha cheiro de casa aquecida… e de reencontro.

A porta se abriu.

Carlos estava de pé no meio da sala — ansioso, preocupado.

Os olhos dele encontraram os dela.

E o mundo inteiro ficou pequeno.

— Filha… — a palavra saiu fraca, quebrada, quase um soluço.

Eloise não conseguiu responder.

Só correu.

Os braços de Carlos a envolveram como abrigo antigo.

Ele a segurou como quem segura algo que achou que tinha perdido.

— Você está bem? — ele perguntou, a voz engasgada no peito. — Me diz que está bem.

— Eu tô, pai. Eu tô bem agora. — Eloise disse, apertando o rosto contra o ombro dele.

Carlos fechou os olhos.

Respirou.

O coração, enfim, desceu do lugar onde tinha ficado pendurado por dias.

Cláudia estava ao lado, com os olhos marejados, mão no peito.

Augusto se aproximou.

Carlos soltou Eloise e abraçou o genro com força, surpresa e gratidão na mesma medida.

— Obrigado. — Carlos disse, sem precisar explicar o resto.

Augusto assentiu contra o ombro dele.

— Sempre ao lado dela.

Cláudia enxugou uma lágrima discreta com a ponta dos dedos e se aproximou.

— Vem aqui você também. — ela pediu, abraçando Eloise com delicadeza, como quem ajeita um vaso que quase se quebrou.

Nesse instante, uma figura familiar veio do corredor.

Maria.

Cabelos presos, avental branco, o cheiro de café.

Aquela mulher que tinha visto Augusto crescer, que cuidou dele quando a vida não soube cuidar.

— Meu menino… — ela disse, abrindo os braços.

Augusto se inclinou, abraçando-a com respeito e saudade.

— Maria. — Ele sorriu contra o ombro dela.

Ela deu um tapinha leve nele, como fazia quando ele tinha oito anos.

— Você me mata de susto desse jeito, rapaz.

Todos riram — porque era melhor rir do que lembrar do medo.

Augusto puxou Eloise com carinho para perto.

— Maria, essa é a Eloise.

Eles caminharam até o banco de madeira, debaixo da árvore.

Sentaram-se lado a lado.

Sem pressa.

Sem peso.

Por um tempo, só ouviram o vento.

Até que Carlos inspirou fundo.

Um fundo que vem do peito e do passado.

— Eloise…

Ela olhou para ele, pronta a ouvir.

Carlos continuou voz baixa mas firme:

— Eu amei sua mãe. Amei de um jeito inteiro. Daqueles que marcam. Ela sempre será parte da minha história.

Eloise sorriu — triste e feliz ao mesmo tempo.

— Eu sei, pai.

— Eu achei, por muito tempo, que aquilo tinha sido tudo. Que depois dela… eu só ia existir. Não viver.

Uma lágrima silenciosa caiu no rosto dela.

— Mas então… — ele olhou para o jardim — a Cláudia reapareceu.

Não para substituir.

Ninguém substitui o que é eterno. E sua mãe é eterna em nossos corações.

O olhar dele suavizou.

— A Cláudia foi meu primeiro amor. Quando voltou… não veio ocupar espaço.

Veio iluminar um lugar que estava apagado em mim.

Ela chegou quando a alma precisava de luz nova. Não de troca.

Eloise enxugou o rosto com a manga.

— Pai…

— Eu quero pedir ela em casamento. — ele admitiu, quase rindo da própria timidez. — Mas antes… eu precisava saber se você tinha espaço no seu coração. Eu nunca quero que pareça que eu apaguei sua mãe.

Eloise pegou a mão dele com firmeza.

— Pai. Minha mãe ia querer exatamente isso.

Ela amava te ver sorrir.

E eu amo ver você vivendo outra vez.

Carlos respirou fundo, sentindo algo se encaixar.

— Então… eu tenho sua bênção?

Eloise sorriu grande, mesmo chorando.

— Tem mais que isso. Você tem meu apoio. Eu quero estar junto. Eu quero ajudar. Quero que ela saiba que ela está entrando num amor que continuou — não num que foi substituído.

Carlos puxou a filha num abraço inteiro.

— Eu te amo, filha. — ele murmurou contra o cabelo dela.

— Eu te amo também, pai. — Eloise respondeu, segurando ele como quem segura a vida.

O sol se espalhava entre as folhas acima deles.

Não era brilho forte.

Era luz mansa.

De recomeço.

De paz.

De casa.

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