Casa, Coração e Encontros
A estrada seguia mansa pela janela, mas Eloise não estava olhando o caminho.
Estava olhando o silêncio entre uma respiração e outra.
Augusto dirigia com uma mão no volante, a outra segurando a ponta dos dedos dela — sempre fazendo contato. Sempre lembrando: eu estou aqui.
Quando viraram a última esquina, ele falou — simples, como quem escolhe o momento certo:
— Tem alguém esperando você em nossa casa.
Eloise girou o rosto devagar.
— Quem? — perguntou, tentando manter a voz neutra.
Augusto sorriu de canto. Um sorriso que ela conhecia.
— Surpresa.
Eloise estreitou os olhos.
— É meu pai, não é?
O sorriso dela veio primeiro — pequeno, nostálgico —
mas no meio do caminho ele desmontou.
O peito dela apertou.
— Ele sabe… o que aconteceu? — a voz saiu baixa. — Você contou? O coração dele… ele não podia passar por estresse agora.
O carro parou no sinal vermelho.
Augusto virou o rosto para ela.
Tranquilo. Seguro. Cheio de cuidado.
— Cláudia estava com ele. — disse. — Ela acompanhou tudo mesmo de longe, e ficou ao lado dele até a situação acalmar. Quando você ficou fora de perigo, ela contou.
Eloise piscou algumas vezes — tentando impedir lágrimas.
— E ele… está bem? — perguntou, quase um sussurro.
— Está. — Augusto garantiu. — E só quer ver você. Ter certeza com os próprios olhos de que você está bem.
Eloise olhou para o colo.
— Quero levar ele ao médico. — murmurou.
Augusto sorriu, um sorriso pequeno… vencedor… apaixonado.
— Está vendo? — respondeu. — Agora você está sentindo o que eu senti quando o alarme da sala tocou.
Ela não discutiu.
Não tinha como.
Era verdade.
Ela só virou o rosto para a janela e deixou o silêncio dizer tudo o que as palavras não alcançavam.
Augusto estacionou o carro em frente à casa.
Aquela casa que ainda não tinha sido oficialmente “deles”,
mas que já era,
desde o primeiro dia.
Augusto desligou o carro, tirou o cinto, e virou para ela — sério demais para estar brincando:
— Então… temos duas opções.
Ou você se muda logo de vez para cá…
Ou a gente espera para casar e mudamos depois.
E então, com o timing dramático perfeito:
— Mas, nesse caso, vamos ter que casar amanhã mesmo.
Eloise soltou um riso que veio de um lugar fundo —
aliviado, cansado, vivo.
— Você é bobo.
Augusto inclinou o rosto.
— Sou. Mas sou seu.
Ele abriu a porta para ela.
Eloise desceu do carro.
Respirou fundo.
O ar tinha cheiro de casa aquecida… e de reencontro.
A porta se abriu.
Carlos estava de pé no meio da sala — ansioso, preocupado.
Os olhos dele encontraram os dela.
E o mundo inteiro ficou pequeno.
— Filha… — a palavra saiu fraca, quebrada, quase um soluço.
Eloise não conseguiu responder.
Só correu.
Os braços de Carlos a envolveram como abrigo antigo.
Ele a segurou como quem segura algo que achou que tinha perdido.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz engasgada no peito. — Me diz que está bem.
— Eu tô, pai. Eu tô bem agora. — Eloise disse, apertando o rosto contra o ombro dele.
Carlos fechou os olhos.
Respirou.
O coração, enfim, desceu do lugar onde tinha ficado pendurado por dias.
Cláudia estava ao lado, com os olhos marejados, mão no peito.
Augusto se aproximou.
Carlos soltou Eloise e abraçou o genro com força, surpresa e gratidão na mesma medida.
— Obrigado. — Carlos disse, sem precisar explicar o resto.
Augusto assentiu contra o ombro dele.
— Sempre ao lado dela.
Cláudia enxugou uma lágrima discreta com a ponta dos dedos e se aproximou.
— Vem aqui você também. — ela pediu, abraçando Eloise com delicadeza, como quem ajeita um vaso que quase se quebrou.
Nesse instante, uma figura familiar veio do corredor.
Maria.
Cabelos presos, avental branco, o cheiro de café.
Aquela mulher que tinha visto Augusto crescer, que cuidou dele quando a vida não soube cuidar.
— Meu menino… — ela disse, abrindo os braços.
Augusto se inclinou, abraçando-a com respeito e saudade.
— Maria. — Ele sorriu contra o ombro dela.
Ela deu um tapinha leve nele, como fazia quando ele tinha oito anos.
— Você me mata de susto desse jeito, rapaz.
Todos riram — porque era melhor rir do que lembrar do medo.
Augusto puxou Eloise com carinho para perto.
— Maria, essa é a Eloise.
Eles caminharam até o banco de madeira, debaixo da árvore.
Sentaram-se lado a lado.
Sem pressa.
Sem peso.
Por um tempo, só ouviram o vento.
Até que Carlos inspirou fundo.
Um fundo que vem do peito e do passado.
— Eloise…
Ela olhou para ele, pronta a ouvir.
Carlos continuou voz baixa mas firme:
— Eu amei sua mãe. Amei de um jeito inteiro. Daqueles que marcam. Ela sempre será parte da minha história.
Eloise sorriu — triste e feliz ao mesmo tempo.
— Eu sei, pai.
— Eu achei, por muito tempo, que aquilo tinha sido tudo. Que depois dela… eu só ia existir. Não viver.
Uma lágrima silenciosa caiu no rosto dela.
— Mas então… — ele olhou para o jardim — a Cláudia reapareceu.
Não para substituir.
Ninguém substitui o que é eterno. E sua mãe é eterna em nossos corações.
O olhar dele suavizou.
— A Cláudia foi meu primeiro amor. Quando voltou… não veio ocupar espaço.
Veio iluminar um lugar que estava apagado em mim.
Ela chegou quando a alma precisava de luz nova. Não de troca.
Eloise enxugou o rosto com a manga.
— Pai…
— Eu quero pedir ela em casamento. — ele admitiu, quase rindo da própria timidez. — Mas antes… eu precisava saber se você tinha espaço no seu coração. Eu nunca quero que pareça que eu apaguei sua mãe.
Eloise pegou a mão dele com firmeza.
— Pai. Minha mãe ia querer exatamente isso.
Ela amava te ver sorrir.
E eu amo ver você vivendo outra vez.
Carlos respirou fundo, sentindo algo se encaixar.
— Então… eu tenho sua bênção?
Eloise sorriu grande, mesmo chorando.
— Tem mais que isso. Você tem meu apoio. Eu quero estar junto. Eu quero ajudar. Quero que ela saiba que ela está entrando num amor que continuou — não num que foi substituído.
Carlos puxou a filha num abraço inteiro.
— Eu te amo, filha. — ele murmurou contra o cabelo dela.
— Eu te amo também, pai. — Eloise respondeu, segurando ele como quem segura a vida.
O sol se espalhava entre as folhas acima deles.
Não era brilho forte.
Era luz mansa.
De recomeço.
De paz.
De casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...