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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 267

O Fim. Ou o Começo.

A delegacia estava em ritmo lento naquela manhã.

Papeis sendo digitados, café requentado, luz branca demais.

Thomas estava na sala dele, revisando relatório, quando o telefone tocou.

Não o celular pessoal.

O telefone reservado.

Ele atendeu sem dizer nome.

— Fala. — a voz dele saiu baixa, firme.

Do outro lado, um sussurro:

— Chefe… chegou a informação. Hoje à noite. Galpão 14, zona industrial. Carregamento grande. Trinta e duas meninas. Todas menores. Algumas… muito menores.

Thomas fechou os olhos por um segundo.

Respirou pelo nariz.

— Carla vai estar? — ele perguntou.

— Vai. — respondeu o infiltrado. — E… ela quer fazer um leilão de virgens. Disse que agora “j**a com gente grande”. Que tem nomes altos demais comprando proteção.

Silêncio.

Gelado.

Thomas apoiou a mão na mesa.

— Me passa a lista das condenadas.

Pelo telefone veio a lista — nomes, idades, procedências.

Não meninas.

Crianças.

Thomas anotou sem tremer.

Quando a ligação terminou, ele ficou dois segundos olhando para o nada.

E então levantou.

Pegou o mapa da cidade do painel e foi até o gabinete do delegado.

Na sala do delegado.

— Precisamos de reforços. — Thomas disse antes mesmo de bater na porta.

O delegado levantou o olhar.

Thomas abriu o mapa na mesa e apontou o galpão.

— Aqui. Operação às 22h. Infiltrado confirmou presença da Carla. Se movimentarmos errado, perdemos as meninas e ela foge do país.

Se fizermos certo, terminamos anos de investigação hoje.

O delegado respirou fundo.

— Eu quero uma operação sem surpresas, Thomas.

Nada de heróis.

Nada de homens caídos.

Thomas assentiu.

— Sim, senhor.

---

Ele voltou para o saguão.

Bateu duas vezes na borda da mesa central.

— Equipe, atenção. — a voz de Thomas cortou o ar.

Todo mundo parou.

Ele colocou o mapa no quadro e marcou as entradas, rotas de fuga e pontos altos.

— Galpão 14. Zona industrial.

Carla Miranda estará presente.

Temos trinta e duas meninas sendo mantidas para tráfico sexual.

Nenhuma arma disparada sem sinal.

Nenhum civil ferido.

Ninguém foge.

Ninguém morre.

Olhares se firmaram.

Colete sendo ajustado.

Luvas puxadas.

Silêncio de gente que já matou e já perdeu.

— Hoje a gente termina isso. — Thomas finalizou.

Thomas entrou na própria sala.

Vestiu o colete tático.

Fechou as presilhas.

Pegou o coldre.

A pistola.

A segunda arma.

A faca de segurança.

Prendeu no lugar.

Ele parou por um instante.

Tirou de dentro da camisa um pingente pequeno de São Miguel Arcanjo, protetor dos policiais.

Beijou.

Fez o sinal da cruz.

— Depois disso… vou precisar de férias. — murmurou com ironia cansada.

Mas o olhar…

O olhar era de guerra.

Ele saiu da sala.

A equipe estava pronta.

As vans se posicionaram sem sirenes, sem luzes.

O galpão 14 estava meio iluminado — lâmpadas velhas, fumaça de cigarro, cheiro de óleo diesel.

Thomas ergueu o punho no ar.

Sinal para silêncio.

A equipe se dividiu — dois nas laterais, um no corredor dos fundos, franco-atiradores posicionados ao longo dos contêineres abandonados.

Dentro, Carla supervisionava o “evento” como se fosse uma recepção de gala.

Blazer vinho. Joias discretas. Rosto de quem está vencendo.

E, nos cantos da sala, capangas armados.

Thomas deu um passo para frente.

— Carla Martins. — a voz dele ecoou. — Polícia. Está presa.

Carla não se assustou.

Ela sorriu.

Um dos capangas ergueu a arma.

Antes que pudesse mirar–

A tela cortou.

Interferência.

Mudou para um Plantão Urgente.

O controle caiu do colo dela.

> — Carla Martins é presa em operação policial de grande escala.

— Foram resgatadas trinta e duas menores destinadas ao tráfico sexual.

— As investigações seguem com nomes de alto escalão envolvidos—

Nicole não piscou.

Não respirou.

Não se mexeu.

O jornalista continuava, mas o som ficou longe, abafado, como se a água tivesse entrado nos ouvidos.

Devagar, muito devagar, ela pegou o controle. Apertou o volume mais alto.

O rosto da mãe apareceu algemada.

Sem chorar. Sem desespero. Sem vergonha.

Nicole desligou a TV.

Silêncio caiu sobre o quarto — pesado, espesso — por alguns segundos.

Nicole piscou, como se o mundo tivesse parado.

E então se levantou de repente, o coração descompassado.

— Pai!… Pai! — chamou, a voz falhando.

O Senhor Martins saiu do escritório às pressas, ainda com o celular na mão, vários alertas piscando na tela.

— O que foi, Nicole?

Ela apontou para a televisão, o rosto pálido.

— A mãe… ela foi presa.

O homem olhou para a tela sem surpresa. Sem choque. Sem dor.

Só frieza.

Ele respirou fundo, uma respiração que parecia carregar anos de frustração.

— As ações estão despencando. — disse, seco. — A culpa é da sua mãe. Da imprudência dela. Da ambição estúpida dela.

Ele não olhou para a filha quando continuou, cada palavra cortando como aço frio.

— Por culpa daquela idiota, tudo o que eu construí está em jogo.

Nicole ficou imóvel.

— Pai… — tentou, num fio de voz.

Mas ele saiu.

Simples assim.

Porta batendo.

Passos se afastando.

Nicole ficou ali, parada no meio da sala, sem saber se tremia de raiva ou de abandono.

A televisão continuava transmitindo imagens da mãe algemada…

Mas agora parecia distante.

Nicole passou a mão no rosto, devagar.

E ali, naquele silêncio que voltou como faca, algo dentro dela fez um som pequeno, mas definitivo:

Quebra.

Sem lágrimas. Sem grito.

Só quebra.

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