A manhã seguinte não chegou — ela aconteceu devagar.
Como se o mundo tivesse decidido andar no ritmo deles.
A luz filtrava pelas cortinas claras, suave, dourada, e o quarto ainda guardava o cheiro da noite anterior: vela, perfume, vinho… e Thomas.
Sofia despertou antes dele.
Ou achou que tinha despertado — até perceber que Thomas já estava em pé, vestindo a camisa preta, arma na cintura, e observando ela pelo reflexo do espelho.
Não com pressa.
Não com distância.
Com aquele olhar dele que parecia dizer:
“Você é minha primeira paz do dia.”
— Bom dia, ruivinha. — ele disse sem virar totalmente, mas sorrindo de canto.
Sofia esticou o corpo na cama, ainda enrolada no lençol.
— Bom dia… namorado.
Thomas travou a fivela do coldre… e parou.
Devagar.
Como se a palavra tivesse entrado direto na espinha dele.
Ele virou de frente pra ela.
— Fala de novo. — pediu, a voz baixa, rouca.
Sofia riu.
— Namorado.
Thomas caminhou até a cama, ajoelhou um pouco, segurou o queixo dela com o polegar e o indicador.
— Eu esperava isso… mas não sabia que ia soar tão certo assim.
Ele beijou a boca dela devagar, como quem saboreia algo raro.
Depois deslizou os lábios pela mandíbula dela até o pescoço.
— Dormiu bem? — perguntou entre um beijo e outro.
Sofia arrepiou inteira.
— Melhor do que merece qualquer ser humano. — ela respondeu rindo baixinho.
Ele riu contra a pele dela e se afastou só o suficiente para olhar nos olhos dela.
— Hoje eu tenho plantão. Longo. — disse com sinceridade. — Mas eu vou te mandar mensagem. E se você precisar de mim… qualquer coisa… você liga. Entendeu?
Ela assentiu, mesmo com o coração apertando daquele jeitinho que só ele causava.
Thomas levantou, pegou a carteira, as chaves e ajustou a camisa.
Mas antes de sair, parou na porta.
Por três segundos.
De costas.
Respirando fundo.
Sofia percebeu.
— Thomas? — chamou, sentando na cama. — Tá tudo bem?
Ele virou apenas o suficiente para que ela visse os olhos, escuros, sérios… mas carinhosos.
— Tá. — respondeu. — Só tem muita gente envolvida nesse caso. Gente grande. Gente suja. E quando tem dinheiro e poder demais… sempre aparece alguém achando que pode mexer onde não deve.
Sofia prendeu a respiração.
Ele continuou:
— Mas isso é comigo. — a voz firme, segura, quase um voto silencioso. — Com você… nada muda.
Ela não insistiu.
Mas sentiu.
Sentiu que algo estava por vir.
Thomas voltou até ela, segurou seu rosto com as duas mãos e beijou a testa.
— Primeiro dia de namorada oficial. — murmurou. — Aproveita por mim.
Ela sorriu.
— Volta pra mim hoje?
Ele sorriu devagar, aquele sorriso que ela aprendia a amar mais a cada hora.
— Sempre volto pra você.
Thomas saiu.
E o apartamento ficou vazio.
Mas não silencioso.
Porque o peito dela ainda pulsava o nome dele.
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Na delegacia
Thomas revisava os laudos, caneta batendo no papel.
Bruna entrou com duas pastas.
— Temos movimentação nova no caso Carla. Um restaurante que ela frequentava foi fechado ontem à noite. Algo estranho no registro financeiro.
Thomas ergueu o olhar.
— Estranho como?
Bruna abriu a pasta e mostrou:
— Dinheiro entrando… mas ninguém consumiu nada.
Lavagem.
Thomas assentiu devagar.
— Vou pedir mandato e assim que sair iremos bater lá
Bruna analisou o rosto dele.
— Você tá… tenso.
Thomas respirou fundo.
— Intuição.
E minha intuição nunca erra.
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Num bairro simples, quase sem movimento, uma mulher fechava o notebook.
Batom vermelho.
Casaco marrom claro.
Cabelo preso de forma impecável.
Anéis dourados.
Linda.
Perigosa.
E invisível aos olhos comuns.
Ela terminou de ouvir a gravação no fone e sorriu torto.
— Então o policialzinho está indo longe demais… — murmurou, fechando o laptop.
Um celular tocou.
Ela atendeu sem olhar o identificador.
— Fala.
Uma voz masculina respondeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...