Thomas se levantou da mesa.
A cadeira arrastou no piso impecável, o som cortando o salão elegante como uma lâmina.
Sofia levantou logo atrás, segurando a mão dele antes que ele explodisse ali mesmo.
Eles saíram pelo corredor lateral do salão.
A porta mal tinha fechado quando passos rápidos ecoaram atrás deles.
— Filho? — Antonieta chamou, a voz tremendo de preocupação.
Thomas parou, virou-se devagar…
E a luz do lustre refletiu a fúria presa nos olhos dele.
— Foi pra isso que me chamou, mãe? — ele disparou, num tom baixo, mas mortal. — Pra ver o show do perfeito Guilherme?
Antonieta franziu o cenho, nervosa.
— Thomas, eu… eu não sabia. Juro. Hoje era para ser sobre seu pai. Sobre a família…
Ele riu — um riso curto, incrédulo, machucado.
— Vocês nunca sabem de nada.
Quando envolve o Guilherme, vocês nunca percebem nada.
Nunca enxergam nada.
Nunca fazem… nada.
Foi então que Juan apareceu atrás dela, as mãos para trás, expressão séria.
— Não é verdade, Thomas. — disse firme. — Guilherme amadureceu. Está construindo uma família.
A risada de Thomas morreu na garganta, virou puro veneno.
— Claro.
Amadureceu sim.
Acabou de provar isso.
Juan franziu a testa, confuso.
— Eu nunca entendi, meu filho. — ele começou, cauteloso. — E eu queria muito que um dia você sentasse comigo, com calma, e explicasse…
O que aconteceu entre você e seu irmão?
Por que vocês não conseguem ser unidos?
Por que tanta guerra?
Antonieta assentiu, olhando o filho com o coração apertado.
— A sua ausência dói, Thomas.
Você faz falta.
Aqui.
Pra nós.
Sofia sentiu o ar diminuir ao redor.
Aquele era o momento.
O início da ferida verdadeira.
Thomas respirou fundo, a dor antiga rasgando o peito.
— Tá bom. Vocês não sabem? — ele avançou um passo. — Não sabem o que Guilherme e Gisele fizeram?
O casal de juízes se entreolhou.
Surpresos.
Assustados.
E ao mesmo tempo… sinceros.
Não sabiam mesmo.
Por um instante — só um — Thomas pensou em falar.
Em expor tudo.
Em gritar a verdade.
Mas a decepção venceu a vontade.
O rosto dele fechou de novo.
Os olhos endureceram.
Ele se afastou, quebrado por dentro.
— Esquece. — murmurou. — Não vale a pena. Vocês sempre vão fingir não ver.
Antes que qualquer um tentasse segui-lo, Thomas caminhou rápido pelo corredor, a raiva transbordando pelos passos.
Lá fora, o manobrista se apressou:
— Senhor Alves, seu carro…
Thomas pegou a chave da mão dele sem olhar, murmurando um “obrigado” automático.
Abriu a porta para Sofia entrar.
Ela hesitou.
— Thomas… — chamou suave.
Os olhos dele estavam em tempestade.
Ela sentou sem insistir.
Ele deu a volta, entrou no carro e bateu a porta.
A viagem até o condomínio foi um silêncio cruel.
Um silêncio que sufocava.
Que pesava.
Que doía.
A única vez que Sofia tentou falar, a voz saiu cautelosa:
— Thomas… seu pai só queria entender. Assim como eu.
Ele apertou o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Eu não quero conversar, Sofia. — respondeu, o tom frio como lâmina. — Não hoje.
Ela olhou para ele por longos segundos.
E viu:
A dor.
A raiva.
A culpa.
A mágoa antiga rasgando o homem que ela amava.
Sofia encostou a cabeça no vidro, com o coração apertado.
Porque aquela noite…
Não tinha quebrado só a família Alves.
Tinha quebrado um pedaço de Thomas também.
E ela não sabia como colar tudo de volta.
Sofia desceu do carro com cuidado, ainda sentindo a tensão no ar.
a raiva subia como piche quente.
Ele socou o volante uma vez.
Depois outra.
E outra.
— MERDA! — gritou, a voz rasgando, o corpo inteiro tremendo.
A rua ecoou o grito.
Mas ninguém respondeu.
Porque ninguém estava ali para segurar aquela dor.
A dor dele.
A traição.
O abandono.
E o medo — o maldito medo — de viver tudo de novo com Sofia.
Ele parou o carro no acostamento.
Encostou a testa no volante.
Respirou como se estivesse engasgando com o próprio coração.
“Sofia não merece isso.”
Ele repetia na mente.
“Eu vou destruir ela…
igual fui destruído.”
As mãos apertaram o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
Ele queria se isolar.
Queria sumir.
Queria proteger Sofia de si mesmo.
Mas no fundo…
o que ele queria mesmo era voltar.
Abraçá-la.
Dormir no colo dela.
Ser amado como ela ama.
Só que ele não sabia como.
Nem se era digno.
Thomas fechou os olhos.
E pela primeira vez em muito tempo…
ele deixou uma lágrima escapar.
Só uma.
Mas foi o bastante para revelar o quanto aquela ferida nunca, jamais, havia cicatrizado.
O passado estava de volta.
Quebrado.
Cruel.
E disposto a destruir tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...