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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 39

Thomas se levantou da mesa.

A cadeira arrastou no piso impecável, o som cortando o salão elegante como uma lâmina.

Sofia levantou logo atrás, segurando a mão dele antes que ele explodisse ali mesmo.

Eles saíram pelo corredor lateral do salão.

A porta mal tinha fechado quando passos rápidos ecoaram atrás deles.

— Filho? — Antonieta chamou, a voz tremendo de preocupação.

Thomas parou, virou-se devagar…

E a luz do lustre refletiu a fúria presa nos olhos dele.

— Foi pra isso que me chamou, mãe? — ele disparou, num tom baixo, mas mortal. — Pra ver o show do perfeito Guilherme?

Antonieta franziu o cenho, nervosa.

— Thomas, eu… eu não sabia. Juro. Hoje era para ser sobre seu pai. Sobre a família…

Ele riu — um riso curto, incrédulo, machucado.

— Vocês nunca sabem de nada.

Quando envolve o Guilherme, vocês nunca percebem nada.

Nunca enxergam nada.

Nunca fazem… nada.

Foi então que Juan apareceu atrás dela, as mãos para trás, expressão séria.

— Não é verdade, Thomas. — disse firme. — Guilherme amadureceu. Está construindo uma família.

A risada de Thomas morreu na garganta, virou puro veneno.

— Claro.

Amadureceu sim.

Acabou de provar isso.

Juan franziu a testa, confuso.

— Eu nunca entendi, meu filho. — ele começou, cauteloso. — E eu queria muito que um dia você sentasse comigo, com calma, e explicasse…

O que aconteceu entre você e seu irmão?

Por que vocês não conseguem ser unidos?

Por que tanta guerra?

Antonieta assentiu, olhando o filho com o coração apertado.

— A sua ausência dói, Thomas.

Você faz falta.

Aqui.

Pra nós.

Sofia sentiu o ar diminuir ao redor.

Aquele era o momento.

O início da ferida verdadeira.

Thomas respirou fundo, a dor antiga rasgando o peito.

— Tá bom. Vocês não sabem? — ele avançou um passo. — Não sabem o que Guilherme e Gisele fizeram?

O casal de juízes se entreolhou.

Surpresos.

Assustados.

E ao mesmo tempo… sinceros.

Não sabiam mesmo.

Por um instante — só um — Thomas pensou em falar.

Em expor tudo.

Em gritar a verdade.

Mas a decepção venceu a vontade.

O rosto dele fechou de novo.

Os olhos endureceram.

Ele se afastou, quebrado por dentro.

— Esquece. — murmurou. — Não vale a pena. Vocês sempre vão fingir não ver.

Antes que qualquer um tentasse segui-lo, Thomas caminhou rápido pelo corredor, a raiva transbordando pelos passos.

Lá fora, o manobrista se apressou:

— Senhor Alves, seu carro…

Thomas pegou a chave da mão dele sem olhar, murmurando um “obrigado” automático.

Abriu a porta para Sofia entrar.

Ela hesitou.

— Thomas… — chamou suave.

Os olhos dele estavam em tempestade.

Ela sentou sem insistir.

Ele deu a volta, entrou no carro e bateu a porta.

A viagem até o condomínio foi um silêncio cruel.

Um silêncio que sufocava.

Que pesava.

Que doía.

A única vez que Sofia tentou falar, a voz saiu cautelosa:

— Thomas… seu pai só queria entender. Assim como eu.

Ele apertou o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.

— Eu não quero conversar, Sofia. — respondeu, o tom frio como lâmina. — Não hoje.

Ela olhou para ele por longos segundos.

E viu:

A dor.

A raiva.

A culpa.

A mágoa antiga rasgando o homem que ela amava.

Sofia encostou a cabeça no vidro, com o coração apertado.

Porque aquela noite…

Não tinha quebrado só a família Alves.

Tinha quebrado um pedaço de Thomas também.

E ela não sabia como colar tudo de volta.

Sofia desceu do carro com cuidado, ainda sentindo a tensão no ar.

a raiva subia como piche quente.

Ele socou o volante uma vez.

Depois outra.

E outra.

— MERDA! — gritou, a voz rasgando, o corpo inteiro tremendo.

A rua ecoou o grito.

Mas ninguém respondeu.

Porque ninguém estava ali para segurar aquela dor.

A dor dele.

A traição.

O abandono.

E o medo — o maldito medo — de viver tudo de novo com Sofia.

Ele parou o carro no acostamento.

Encostou a testa no volante.

Respirou como se estivesse engasgando com o próprio coração.

“Sofia não merece isso.”

Ele repetia na mente.

“Eu vou destruir ela…

igual fui destruído.”

As mãos apertaram o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.

Ele queria se isolar.

Queria sumir.

Queria proteger Sofia de si mesmo.

Mas no fundo…

o que ele queria mesmo era voltar.

Abraçá-la.

Dormir no colo dela.

Ser amado como ela ama.

Só que ele não sabia como.

Nem se era digno.

Thomas fechou os olhos.

E pela primeira vez em muito tempo…

ele deixou uma lágrima escapar.

Só uma.

Mas foi o bastante para revelar o quanto aquela ferida nunca, jamais, havia cicatrizado.

O passado estava de volta.

Quebrado.

Cruel.

E disposto a destruir tudo.

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