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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 446

Thiago entrou no quarto, Emma já estava acordada.

O efeito da anestesia tinha passado quase completamente.

O rosto ainda estava pálido, mas os olhos estavam mais conscientes.

Ela estava sentada na cama, encostada nos travesseiros.

Thiago fechou a porta devagar.

— Como você está? — perguntou, aproximando-se.

Emma deu de ombros.

— Viva.

Ele sorriu pequeno.

Sentou-se na cadeira ao lado da cama.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

O silêncio não era desconfortável.

Era cuidadoso.

Thiago apoiou os braços nos joelhos.

— Emma… — começou, com calma. — Eu estava pensando em uma coisa.

Ela levantou os olhos para ele.

— Sobre contar para os outros.

Emma ficou imóvel.

O olhar caiu imediatamente para as próprias mãos.

— Acho que já está na hora. — continuou Thiago. — A gente não precisa passar por isso sozinho.

Ela balançou a cabeça na mesma hora.

— Não.

A resposta veio rápida.

Instintiva.

Thiago respirou fundo.

— Por quê?

Emma demorou alguns segundos para responder.

Quando falou, a voz saiu mais baixa.

— Porque eu não quero aquilo de novo.

Ele franziu a testa.

— Aquilo o quê?

As lágrimas começaram a aparecer antes mesmo de ela terminar a frase.

— Aquele olhar.

Ela engoliu em seco.

— O olhar de pena.

Thiago entendeu na mesma hora.

Emma continuou:

— Quando eu perdi o bebê… — a voz falhou — todo mundo olhava para mim como se eu fosse quebrar a qualquer momento.

Uma lágrima escorreu.

— Eu não quero aquilo de novo.

Thiago aproximou a cadeira.

— Amor… — disse com cuidado. — aquilo não era pena.

Ela limpou o rosto rápido.

— Era.

Ele balançou a cabeça.

— Não. Aquilo era empatia.

Fez uma pausa.

— Era amor.

Outra lágrima caiu.

— Eles estavam tentando cuidar da gente.

Emma respirou fundo.

— Eu só… — murmurou — Aff parar de chorar.

Thiago segurou a mão dela.

— Amor… você não precisa ser forte o tempo todo.

Ela soltou uma pequena risada sem humor.

— Eu jurei que seria.

Ele levantou a mão e limpou uma lágrima do rosto dela com o polegar.

Delicadamente.

— Depois da cirurgia. — Emma disse, olhando para ele. — A gente conta.

Respirou fundo.

— Depois da cirurgia talvez a gente tenha notícias melhores.

Thiago ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois assentiu.

— Como você quiser.

Fez uma pausa curta.

— Mas eu preciso confessar uma coisa.

Emma estreitou os olhos.

— O quê?

Ele suspirou.

— Se a Nathália me perguntar mais uma vez o que está acontecendo… eu conto.

Emma arregalou os olhos.

— Thiago Albuquerque!

Ele levantou as mãos em rendição.

— Ok, ok.

Sorriu.

— Eu vou tentar resistir.

Depois inclinou a cabeça, divertido.

— Mas você sabe que ela é cruel quando quer.

Emma deixou escapar uma risada.

Pequena.

Mas verdadeira.

— Você é um idiota.

Thiago sorriu.

E, naquele momento, pela primeira vez desde que tudo tinha começado…

o medo pareceu um pouco menor.

Os dias seguiram.

Lentos para Emma.

Rápidos demais para o mundo.

As náuseas continuavam.

O corpo respondia cada vez menos.

O peso começou a cair de forma visível.

Ela diminuiu o ritmo no trabalho, passando a maior parte do tempo em home office. Sempre inventava alguma desculpa para evitar encontros com as meninas.

Reunião.

Os remédios fortes.

A ansiedade da cirurgia.

E, às vezes, as pequenas discussões com Thiago.

Na cabeça dela, aquilo estava desgastando o relacionamento.

Mas Thiago parecia ver diferente.

Ele continuava ali.

Sempre paciente.

Sempre cuidadoso.

Sempre presente.

Mesmo quando ela não facilitava.

Com o passar dos dias, Emma ficou visivelmente mais fraca.

O sangramento constante.

A perda de peso.

A falta de vitaminas.

Tudo começava a cobrar um preço alto.

Ainda assim, ela se obrigou a ir ao casamento do pai.

A cerimônia foi bonita.

Simples.

Cheia de emoção.

Emma chorou durante boa parte dela.

Mas ninguém percebeu que as lágrimas não eram apenas de felicidade.

Enquanto observava o pai sorrindo no altar, um pensamento doloroso atravessou sua mente.

E se ela não estivesse ali para ver o futuro da própria família?

E se não estivesse ali para conhecer o novo irmão ou irmã que chegaria?

Ou até mesmo ver o irmão se casar?

O medo da cirurgia voltou com força.

O medo da vida.

O medo de tudo.

Ela se refugiou no banheiro por alguns minutos.

Respirou fundo.

Lavou o rosto.

Mas o medo continuava ali.

Quando saiu, encontrou Thiago esperando no corredor.

— A gente pode ir embora? — perguntou baixo.

Ele assentiu na mesma hora.

No caminho de volta para casa, Thiago tentou novamente.

— Emma… está na hora de contar para eles.

Ela olhou pela janela.

A cidade passava silenciosa.

— Falta menos de uma semana. — respondeu.

Fez uma pausa.

— A gente pode esperar só mais um pouquinho.

Thiago não insistiu.

Mas o silêncio que se seguiu no carro dizia tudo.

O tempo estava acabando.

E segredos não costumam sobreviver muito tempo quando o medo começa a crescer.

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