Thiago entrou no quarto, Emma já estava acordada.
O efeito da anestesia tinha passado quase completamente.
O rosto ainda estava pálido, mas os olhos estavam mais conscientes.
Ela estava sentada na cama, encostada nos travesseiros.
Thiago fechou a porta devagar.
— Como você está? — perguntou, aproximando-se.
Emma deu de ombros.
— Viva.
Ele sorriu pequeno.
Sentou-se na cadeira ao lado da cama.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
O silêncio não era desconfortável.
Era cuidadoso.
Thiago apoiou os braços nos joelhos.
— Emma… — começou, com calma. — Eu estava pensando em uma coisa.
Ela levantou os olhos para ele.
— Sobre contar para os outros.
Emma ficou imóvel.
O olhar caiu imediatamente para as próprias mãos.
— Acho que já está na hora. — continuou Thiago. — A gente não precisa passar por isso sozinho.
Ela balançou a cabeça na mesma hora.
— Não.
A resposta veio rápida.
Instintiva.
Thiago respirou fundo.
— Por quê?
Emma demorou alguns segundos para responder.
Quando falou, a voz saiu mais baixa.
— Porque eu não quero aquilo de novo.
Ele franziu a testa.
— Aquilo o quê?
As lágrimas começaram a aparecer antes mesmo de ela terminar a frase.
— Aquele olhar.
Ela engoliu em seco.
— O olhar de pena.
Thiago entendeu na mesma hora.
Emma continuou:
— Quando eu perdi o bebê… — a voz falhou — todo mundo olhava para mim como se eu fosse quebrar a qualquer momento.
Uma lágrima escorreu.
— Eu não quero aquilo de novo.
Thiago aproximou a cadeira.
— Amor… — disse com cuidado. — aquilo não era pena.
Ela limpou o rosto rápido.
— Era.
Ele balançou a cabeça.
— Não. Aquilo era empatia.
Fez uma pausa.
— Era amor.
Outra lágrima caiu.
— Eles estavam tentando cuidar da gente.
Emma respirou fundo.
— Eu só… — murmurou — Aff parar de chorar.
Thiago segurou a mão dela.
— Amor… você não precisa ser forte o tempo todo.
Ela soltou uma pequena risada sem humor.
— Eu jurei que seria.
Ele levantou a mão e limpou uma lágrima do rosto dela com o polegar.
Delicadamente.
— Depois da cirurgia. — Emma disse, olhando para ele. — A gente conta.
Respirou fundo.
— Depois da cirurgia talvez a gente tenha notícias melhores.
Thiago ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois assentiu.
— Como você quiser.
Fez uma pausa curta.
— Mas eu preciso confessar uma coisa.
Emma estreitou os olhos.
— O quê?
Ele suspirou.
— Se a Nathália me perguntar mais uma vez o que está acontecendo… eu conto.
Emma arregalou os olhos.
— Thiago Albuquerque!
Ele levantou as mãos em rendição.
— Ok, ok.
Sorriu.
— Eu vou tentar resistir.
Depois inclinou a cabeça, divertido.
— Mas você sabe que ela é cruel quando quer.
Emma deixou escapar uma risada.
Pequena.
Mas verdadeira.
— Você é um idiota.
Thiago sorriu.
E, naquele momento, pela primeira vez desde que tudo tinha começado…
o medo pareceu um pouco menor.
Os dias seguiram.
Lentos para Emma.
Rápidos demais para o mundo.
As náuseas continuavam.
O corpo respondia cada vez menos.
O peso começou a cair de forma visível.
Ela diminuiu o ritmo no trabalho, passando a maior parte do tempo em home office. Sempre inventava alguma desculpa para evitar encontros com as meninas.
Reunião.
Os remédios fortes.
A ansiedade da cirurgia.
E, às vezes, as pequenas discussões com Thiago.
Na cabeça dela, aquilo estava desgastando o relacionamento.
Mas Thiago parecia ver diferente.
Ele continuava ali.
Sempre paciente.
Sempre cuidadoso.
Sempre presente.
Mesmo quando ela não facilitava.
Com o passar dos dias, Emma ficou visivelmente mais fraca.
O sangramento constante.
A perda de peso.
A falta de vitaminas.
Tudo começava a cobrar um preço alto.
Ainda assim, ela se obrigou a ir ao casamento do pai.
A cerimônia foi bonita.
Simples.
Cheia de emoção.
Emma chorou durante boa parte dela.
Mas ninguém percebeu que as lágrimas não eram apenas de felicidade.
Enquanto observava o pai sorrindo no altar, um pensamento doloroso atravessou sua mente.
E se ela não estivesse ali para ver o futuro da própria família?
E se não estivesse ali para conhecer o novo irmão ou irmã que chegaria?
Ou até mesmo ver o irmão se casar?
O medo da cirurgia voltou com força.
O medo da vida.
O medo de tudo.
Ela se refugiou no banheiro por alguns minutos.
Respirou fundo.
Lavou o rosto.
Mas o medo continuava ali.
Quando saiu, encontrou Thiago esperando no corredor.
— A gente pode ir embora? — perguntou baixo.
Ele assentiu na mesma hora.
No caminho de volta para casa, Thiago tentou novamente.
— Emma… está na hora de contar para eles.
Ela olhou pela janela.
A cidade passava silenciosa.
— Falta menos de uma semana. — respondeu.
Fez uma pausa.
— A gente pode esperar só mais um pouquinho.
Thiago não insistiu.
Mas o silêncio que se seguiu no carro dizia tudo.
O tempo estava acabando.
E segredos não costumam sobreviver muito tempo quando o medo começa a crescer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...