Na segunda-feira pela manhã, Sofia bateu duas vezes na porta de madeira escura.
— Entra. — a voz firme de Dante soou do outro lado.
Ela abriu a porta e a fechou atrás de si.
— Bom dia, doutor Dante.
Ele ergueu os olhos por cima dos óculos e arqueou uma sobrancelha.
— Já falei que não precisa do “doutor”, Sofia.
Ela sorriu de leve.
— Força do hábito. Ainda não me acostumei a ter Dante Siqueira como meu mentor.
Dante riu, recostando-se na cadeira.
— Se acostume. Do jeito que as coisas estão andando, não vai demorar para você se tornar sócia deste escritório.
Os olhos de Sofia brilharam por um segundo — rápido, contido, mas real.
Dante não perdeu tempo.
— Vamos ao que interessa. Um dos meus clientes mais antigos… e amigo. Jonathan Campos. Você já trabalhou com ele.
Sofia assentiu.
— Sim. Atuei em um caso dele na Cidade Sul.
— Jonathan mantém um instituto para famílias carentes. Leilões beneficentes, doações, projetos sociais. — Dante se levantou e caminhou até a janela. — Em um desses leilões, ele percebeu uma irregularidade na transferência de uma doação.
Ele virou-se lentamente.
— A partir disso, surgiram indícios de lavagem de dinheiro. Pouco depois… o nome dele apareceu ligado a uma investigação de tráfico e abuso infantil.
— Ficha suja.
O mundo pareceu inclinar.
O ar fugiu dos pulmões de Sofia por um segundo.
Aquele nome.
Aquele caso.
O mesmo que havia levado ao sequestro.
O mesmo que fizera Thomas terminar com ela “para protegê-la”.
Um calafrio percorreu-lhe a espinha.
Dante percebeu.
Aproximou-se, apoiando as mãos na mesa.
— Eu iniciei uma investigação paralela, analisando os nomes envolvidos nas transferências. — explicou. — Mas há outro processo correndo em paralelo, igualmente grave, e que exige atenção imediata.
Ele respirou fundo.
— Sofia, você foi a única pessoa deste escritório que conseguiu provas e desmantelou um esquema que nem a polícia havia conseguido enxergar. Eu em conjunto com os sócios, acreditamos que você também pode provar a inocência do nosso cliente.
Sofia respirou fundo.
Sentiu o peso.
Mas também o chamado.
— Fico honrada pela confiança. — respondeu firme. — Um desafio assim… me tira da zona de conforto. E isso sempre me fez crescer. Então, sem dúvidas, eu aceito.
Dante assentiu, satisfeito.
— Há apenas um detalhe.
Ela levantou o olhar, atenta.
— Você vai precisar trabalhar em conjunto com o investigador responsável pelo caso.
O corpo de Sofia enrijeceu.
— Dante… — ela começou. — Eu sempre trabalhei sozinha. Sempre funcionou assim para mim.
— Eu sei. — ele respondeu com calma. — Mas este é um caso complexo. Eles já têm provas, nomes, conexões. E você não é mais a mesma profissional de dois anos atrás.
Ele a encarou com seriedade.
— Você cresceu. Como advogada. Como mulher. E eu acredito que você seja capaz de separar o profissional do pessoal.
Fez uma pausa breve.
— Infelizmente, isso não é um pedido, Sofia. Posso contar com você?
Sofia não gostou.
Nem um pouco.
Mas também sabia que não havia escolha.
Respirou fundo.
— Pode. — respondeu. — Conte comigo.
Dante pegou o paletó.
— Ótimo. Então vamos à delegacia agora.
Sofia levantou-se, o coração acelerado.
Enquanto caminhava para a porta, uma certeza se formava dentro dela:
> Aceitar esse caso não era apenas um passo na carreira.
— Ótima notícia. Temos algo concreto para justificar o reabertura?
— Temos, sim. — Morão respondeu. — Um cliente do doutor Dante identificou irregularidades em uma transferência financeira. Estão usando ações beneficentes como fachada para lavagem de dinheiro ligado ao tráfico.
Thomas cruzou os braços.
— E como isso foi identificado?
Dante assumiu a explicação:
— Meu cliente percebeu um erro na transferência e começou a investigar por conta própria. Descobrimos que alguém da equipe dele provavelmente está envolvido. O dinheiro deveria ir para um lar de idosos… que simplesmente não existe.
Thomas assentiu lentamente.
— Igual ao esquema das sorveterias. — comentou.
— Exatamente. — confirmou Morão.
Então o delegado olhou diretamente para Sofia.
— A doutora Sofia vai integrar a investigação. — disse. — Trabalhará diretamente com você, Alves.
O estômago dela afundou.
Por dentro, Sofia torceu para que ele recusasse.
Mas a resposta veio rápida. Clara. Sem hesitação.
— Ok. — Thomas respondeu. — Vamos fazer um ótimo trabalho.
Ela sentiu a frustração subir… mas não deixou transparecer.
Sofia sabia que era perigoso demais voltar a conviver com ele.
Porque ainda sentia falta do toque.
Do beijo intenso.
Da voz baixa chamando-a de ruivinha.
Sofia sacudiu levemente a cabeça, tentando afastar os pensamentos.
Thomas percebeu o gesto.
— Está tudo bem, Sofia? — perguntou. — Trabalhamos juntos?
Ela respirou fundo, focou nos papéis à frente dela e respondeu com profissionalismo impecável:
— Sim. Tudo bem. — fez uma pausa e apontou para o documento. — Só tem algo errado aqui.
A investigação estava apenas começando.
E, junto com ela, verdades muito mais pessoais também começariam a emergir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...