O clube estava iluminado, discreto como sempre. O tipo de lugar onde decisões importantes eram tomadas sem testemunhas demais.
Thomas atravessou a entrada com passos firmes.
— Boa noite, senhor. Em que posso ajudar? — o funcionário perguntou, educado.
— Boa noite. O Augusto Monteiro já chegou? Acredito que esteja à minha espera.
O funcionário conferiu rapidamente no sistema.
— Sim, senhor. Sala seis.
— Obrigado.
Thomas seguiu pelo corredor silencioso até a porta indicada. Bateu uma vez e abriu.
A cena era quase cômica.
Augusto, Ricardo, Thiago e Heitor estavam sentados em volta de uma mesa, cartas espalhadas, copos de bebida pela metade. Riam alto — até perceberem a presença dele.
— Pra que chamar todo mundo? — Thomas perguntou, entrando e fechando a porta atrás de si.
Thiago ergueu o copo.
— Um é bom… quatro é melhor ainda. — piscou. — Intervenção emocional, edição masculina.
Heitor riu.
— A gente já tinha percebido que você estava precisando.
Thomas suspirou e passou a mão pelo rosto.
— Vocês são insuportáveis.
— Senta. — Augusto disse, sério, mas com um meio sorriso. — E fala.
Thomas puxou uma cadeira, sentou-se devagar. Ficou alguns segundos em silêncio, encarando as cartas na mesa.
— Eu ainda amo a Sofia. — disse, direto. — Nunca deixei de amar.
O clima mudou.
Ricardo largou as cartas.
Heitor se ajeitou na cadeira.
Thiago fez um gesto de “agora ferrou”.
— Eu errei. — Thomas continuou, a voz mais baixa. — Errei quando achei que proteger era me afastar. Quando pensei que decidir por ela era amor. Eu não vi… não vi a mulher incrível que estava do meu lado.
Augusto o observava com atenção absoluta.
— E agora? — perguntou.
Thomas respirou fundo.
— Agora eu tenho certeza. Quero ela de volta. Não por carência. Não por culpa. Quero porque eu sei quem ela é… e sei quem eu fui quando a perdi.
Ricardo inclinou o corpo para frente.
— Então escuta uma coisa com atenção. — disse. — Sofia não vai voltar para alguém que ainda está quebrado do mesmo jeito.
Augusto assentiu.
— Ela se apaixonou pelo Thomas vivo. Ambicioso. Presente. Não por esse cara frio, exausto, que vive se punindo.
Thomas engoliu seco.
— Eu sei. — murmurou.
— Então para de se esconder atrás do trabalho. — Augusto continuou. — Se abre. Se mostra. Luta por ela do jeito certo. Com verdade.
Thiago levantou a mão.
— E nada de joguinho. Nada de “vou fingir desinteresse”. Mulher como a Sofia fareja isso a quilômetros.
Heitor completou, rindo:
— E, por favor, não aparece com flores três vezes por dia nem faz declaração no meio da delegacia. Vamos com calma, campeão.
Thomas soltou um meio sorriso pela primeira vez na noite.
— Vocês falam como se fosse fácil.
Ricardo respondeu, sério:
— Não é. Mas é simples. Seja o homem por quem ela se apaixonou. Mas amar também é correr esse risco.
Silêncio.
Thomas respirou fundo.
— Então vocês acham que eu devo tentar?
Augusto foi direto:
— Não. — fez uma pausa. — Você deve lutar. Mas do jeito certo.
Ricardo assentiu.
— Se abrir. Ser honesto. Sem controle.
Thiago apontou para ele.
— E aceitar que talvez ela não volte.
O silêncio voltou.
— Mas se você não tentar — Heitor concluiu — vai carregar isso pro resto da vida.
Sofia sorriu de canto.
Emma:
> “Estou curiosa também.”
Logo em seguida, Laís mandou apenas uma sequência de pontos de interrogação, claramente perdida no assunto.
Eloise:
> “Meu marido foi se encontrar com os meninos ontem. ‘Reunião de homem’, segundo ele. E, dessa vez, não me contou nada.”
Sofia franziu a testa.
Nathalia:
> “Então esse era o compromisso do Ricardo…”
Emma:
> “Thiago chegou tarde, todo alegrinho… mas não soltou uma palavra.”
Laís:
> “Será que tem a ver com a Sofia? Porque ela até agora não respondeu nada…”
Sofia respirou fundo.
Antes que pudesse pensar em uma resposta, novas mensagens chegaram.
Nathalia:
> "SOFIAAAAAAA"
Eloise:
> "Bora, Sofia. Aparece e fala tudo."
Ela apoiou o celular no colchão, olhando para o teto por alguns segundos.
Algo tinha mudado.
Ela sentia isso.
Ainda não sabia exatamente o quê — mas sabia que não era coincidência.
Digitou lentamente.
Com cuidado.
Porque, pela primeira vez, não foi o passado que a assustou —
foi o futuro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...