Poeira, risos e olhos verdes
O sol tímido de sábado já atravessava a cortina quando Eloise abriu os olhos. O sonho da noite passada ainda parecia grudado nela, mas não havia tempo para mergulhar de novo naquela sensação estranha. Precisava de ar.
Vestiu um conjunto esportivo simples e saiu para correr pelas ruas do bairro. O vento frio da manhã batia contra o rosto, e a cada passo acelerado sentia o corpo se libertar da tensão da semana. A corrida era o único momento em que o coração batia forte sem que Augusto Monteiro fosse o motivo.
Ao voltar, o pai já estava sentado à mesa, lendo o jornal e tomando o café que ela mesma tinha preparado antes de sair.
— Pensei que fosse dormir até mais tarde hoje, filha — ele ergueu os olhos por cima do jornal.
— Não consigo — respondeu, servindo-se de café preto. — Preciso gastar energia, senão enlouqueço.
O clima era leve, quase domesticamente tranquilo — contrastando com o turbilhão que ainda ecoava por dentro dela. Conversaram sobre coisas simples enquanto dividiam o pão e as frutas, até que Eloise levantou-se, decidida:
— Hoje a gente faz faxina, pai. Essa casa está precisando.
Ele riu, levantando as mãos.
— Só se eu ficar responsável pelo quintal.
Eloise passou a manhã ocupada, espanando móveis, arrastando cadeiras, lavando roupas. Cada tarefa era um jeito de silenciar os pensamentos insistentes.
Até que, perto das onze da manhã, o celular tocou em cima da cômoda. O som ecoou no quarto e a fez congelar por alguns segundos.
O coração disparou. A primeira ideia foi: é ele.
Augusto Monteiro.
Demorou para se mover, como se atender fosse entregar algo que ainda queria esconder até de si mesma.
Respirou fundo, enxugou as mãos no pano de pó e pegou o aparelho.
Na tela, porém, não era o nome dele.
Era Nathalia.
Aliviada e um pouco sem graça do próprio medo, Eloise deslizou o dedo para atender.
— Nathalia?
Do outro lado, a voz animada da secretária explodiu como se fosse um sábado de festa:
— Eloise, meu amor! Você está viva! Estava achando que tinha sumido do mapa.
— Você não presta.
— Eu sei, mas você gosta de mim — Nathalia respondeu, triunfante. — Olha, pensa assim: você vai comigo, fica uma horinha, só para socializar, e depois pode fugir. Mas não me deixa sozinha, senão eu te stalkeio até aparecer aí na sua porta.
— Você é impossível.
— E você precisa viver, Eloise! — insistiu. — Prometo que não vou te arrastar para cima do palco. Só uns drinks, uns risos, e a sensação maravilhosa de que a vida não é só relatório e reunião.
Eloise suspirou, olhando ao redor, como se a poeira da casa fosse lhe dar uma desculpa. Mas não deu.
— Tá… eu vou pensar — murmurou, rendida.
— Errado, senhora Nogueira — Nathalia corrigiu de imediato. — A resposta certa é: “Sim, Nathalia, eu vou! Me manda o endereço.”
Eloise gargalhou, vencida.
— Você é um problema.
— Sou a solução, querida — a amiga rebateu, satisfeita. — Se arruma que hoje a noite é nossa.
Eloise desligou, ainda rindo, mas o riso durou pouco. A imagem de olhos verdes intensos — e tudo o que ela queria esquecer — voltou com força inesperada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...