Os dias passaram.
E, com eles, o trabalho virou refúgio.
Eloise estava mergulhada no projeto da Royal, noites longas, ideias rabiscadas, reuniões que se estendiam mais do que o previsto. Nathália, por sua vez, se mantinha ocupada como nunca — agendas cheias, tarefas acumuladas, foco absoluto.
Trabalhar era mais fácil do que pensar.
Pensar em Ricardo.
Pensar nas palavras de Carlota.
Pensar no jeito como ele a defendeu.
Foi por isso que o convite para o almoço veio como um alívio.
Um ponto de normalidade no meio do turbilhão.
Quase meio-dia quando Nathália chegou ao restaurante. As meninas já estavam sentadas, espalhadas em volta da mesa, conversando animadas.
— Olá, safadas. — disse, largando a bolsa na cadeira. — Gente, peguei um trânsito que achei que não ia chegar nunca.
Mandou beijos no ar, sentou-se e suspirou.
O garçom se aproximou, anotou os pedidos de todas, e o clima leve voltou a se espalhar.
— Gente, tá um calor absurdo. — Sofia comentou, abanando o rosto com o cardápio. — O verão chegou com tudo.
— Precisamos marcar uma piscina. — Eloise sugeriu.
— Ou ir pro mar. — Nathália completou, animando-se.
— Ai, eu amei a ideia. — Emma disse na hora.
— Eu também gostaria. — Alana concordou.
— Também gostei da ideia. — Laís falou animada. — Qualquer coisa que envolva sol, eu apoio..
— A gente pega uma cor, pelo amor de Deus. — Nathália riu. — Estou branca, sem vida.
As risadas vieram fáceis.
Até que Nathália apoiou o cotovelo na mesa, inclinou-se levemente e comentou, com ironia:
— Falando em vida… minha Nossa Senhora, Emma. Aquilo não é uma avó, é um general.
Emma caiu na gargalhada.
— Você conheceu a dona Carlota?
— Conhecemos. — Eloise respondeu, fazendo uma careta automática.
Emma balançou a cabeça, como quem já esperava.
— Lidar com dona Carlota não é fácil. — disse. — Por isso que ela fica isolada lá na fazenda. — fez uma pausa curta. — Deixa eu adivinhar… chamou vocês de interesseiras?
— Acertou em cheio. — Eloise respondeu.
— Todo mundo que se aproxima da família Alves é interesse. — Emma deu de ombros. — Sempre foi assim.
— Ai, meu Deus… — Alana murmurou.
Emma piscou.
— Ops, cunhadinha. Te assustei?
Nathália respirou fundo antes de falar.
— Só não abaixa a cabeça. — disse, firme. — Gente assim, quando você abaixa a cabeça, pisa mais. — fez uma pausa. — Desculpa, Emma.
— Relaxa. — Emma respondeu tranquila.
Eloise inclinou-se um pouco mais sobre a mesa.
— Mas também é importante dizer… — começou. — O Ricardo te defendeu.
Nathália fez uma careta imediata.
— Não foi assim…
— Foi sim. — Eloise cortou, sem hesitar. — Ele falou alto e bom som que não iria permitir e nem aceitar falta de respeito com você.
Emma arregalou os olhos.
— Mentira. — disse. — Sério?
Eloise assentiu.
— Muito sério.
Emma ficou alguns segundos em silêncio. O sorriso sumiu devagar.
— Então agora eu tenho certeza. — disse, por fim. — O meu pai é louco por você.
Nathália sentiu o peito apertar.
— Ele nunca fez isso nem pela minha mãe. — Emma continuou, mais baixa. — Ela sofreu muito na mão da minha avó.
A mesa ficou em silêncio por um instante.
A frase tinha peso.
Nathália abaixou o olhar, mexendo distraidamente no guardanapo.
Os pedidos chegaram, quebrando o clima.
Pratos sendo colocados.
Copos ajustados.
Talheres tocando a mesa.
Mas algo tinha mudado.
Dentro dela.
Porque, naquele instante, Nathália entendeu uma coisa que não estava pronta para admitir em voz alta:
Ricardo não só a desejava.
Ele a escolhia.
E isso…
assustava mais do que qualquer diferença de idade, julgamento ou medo.
Ela respirou fundo, ergueu o olhar e forçou um sorriso.
— Vamos comer antes que eu comece a pensar demais. — disse.
As meninas riram, e a conversa seguiu.
Mas Nathália já sabia.
Algumas verdades, depois que são ditas, não voltam para o lugar.
E aquela…
tinha acabado de se instalar no coração dela.
Depois do almoço.
Todas voltaram ao trabalho.
A rotina retomou o ritmo de sempre — reuniões, contratos, telefonemas, prazos apertados. Nathália se manteve focada, eficiente, profissional como sempre.
Mas a frase de Emma não saía da cabeça dela.
“O meu pai é louco por você.”
Ela digitava, revisava documentos, respondia e-mails…
E a frase voltava.
Thiago passou pela mesa dela, distraído, falando ao celular. Deu dois passos, parou e voltou.
— Nathália. — chamou. — Nathália.
Ela piscou, como quem acorda de um pensamento distante, e ergueu o olhar.
Ela caminhou pelo salão, distraída.
Saiu do banheiro ajeitando o cumprimento do vestidom
E então aconteceu.
Talvez tenha sido intuição.
Talvez azar.
Talvez destino.
Sem querer, seu olhar foi puxado para o lado.
E parou.
Ricardo.
Sentado.
Acompanhado.
A mulher era bonita.
Alta.
Magra.
Elegante.
Cabelos pretos longos.
Confiante.
Ela se inclinava levemente na direção dele, rindo, tocando o braço dele com intimidade demais para ser casual.
Nathália sentiu o chão falhar por um segundo.
Ricardo ergueu o olhar.
Como se tivesse sentido.
Como se fosse chamado.
Os olhos deles se encontraram.
Foi como um ímã.
Ela não esperou mais.
Virou-se rápido e praticamente correu de volta à mesa.
Pegou a bolsa com pressa.
— Nathália? — Thiago estranhou. — O que foi?
— Nada. — respondeu, já se afastando. — Depois a gente conversa.
Thiago levantou na hora.
— Ei, ei. — segurou o braço dela com cuidado. — Eu não vou deixar você sair assim. O que aconteceu?
Ela respirava rápido demais.
Os olhos marejados, mas firmes.
— O Ricardo está com outra. — disse, sem rodeios.
E saiu.
Sem olhar para trás.
Sem esperar resposta.
Sem saber — ainda —
que aquela mesa…
não contava a história inteira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...