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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 8

Os dias passaram.

E, com eles, o trabalho virou refúgio.

Eloise estava mergulhada no projeto da Royal, noites longas, ideias rabiscadas, reuniões que se estendiam mais do que o previsto. Nathália, por sua vez, se mantinha ocupada como nunca — agendas cheias, tarefas acumuladas, foco absoluto.

Trabalhar era mais fácil do que pensar.

Pensar em Ricardo.

Pensar nas palavras de Carlota.

Pensar no jeito como ele a defendeu.

Foi por isso que o convite para o almoço veio como um alívio.

Um ponto de normalidade no meio do turbilhão.

Quase meio-dia quando Nathália chegou ao restaurante. As meninas já estavam sentadas, espalhadas em volta da mesa, conversando animadas.

— Olá, safadas. — disse, largando a bolsa na cadeira. — Gente, peguei um trânsito que achei que não ia chegar nunca.

Mandou beijos no ar, sentou-se e suspirou.

O garçom se aproximou, anotou os pedidos de todas, e o clima leve voltou a se espalhar.

— Gente, tá um calor absurdo. — Sofia comentou, abanando o rosto com o cardápio. — O verão chegou com tudo.

— Precisamos marcar uma piscina. — Eloise sugeriu.

— Ou ir pro mar. — Nathália completou, animando-se.

— Ai, eu amei a ideia. — Emma disse na hora.

— Eu também gostaria. — Alana concordou.

— Também gostei da ideia. — Laís falou animada. — Qualquer coisa que envolva sol, eu apoio..

— A gente pega uma cor, pelo amor de Deus. — Nathália riu. — Estou branca, sem vida.

As risadas vieram fáceis.

Até que Nathália apoiou o cotovelo na mesa, inclinou-se levemente e comentou, com ironia:

— Falando em vida… minha Nossa Senhora, Emma. Aquilo não é uma avó, é um general.

Emma caiu na gargalhada.

— Você conheceu a dona Carlota?

— Conhecemos. — Eloise respondeu, fazendo uma careta automática.

Emma balançou a cabeça, como quem já esperava.

— Lidar com dona Carlota não é fácil. — disse. — Por isso que ela fica isolada lá na fazenda. — fez uma pausa curta. — Deixa eu adivinhar… chamou vocês de interesseiras?

— Acertou em cheio. — Eloise respondeu.

— Todo mundo que se aproxima da família Alves é interesse. — Emma deu de ombros. — Sempre foi assim.

— Ai, meu Deus… — Alana murmurou.

Emma piscou.

— Ops, cunhadinha. Te assustei?

Nathália respirou fundo antes de falar.

— Só não abaixa a cabeça. — disse, firme. — Gente assim, quando você abaixa a cabeça, pisa mais. — fez uma pausa. — Desculpa, Emma.

— Relaxa. — Emma respondeu tranquila.

Eloise inclinou-se um pouco mais sobre a mesa.

— Mas também é importante dizer… — começou. — O Ricardo te defendeu.

Nathália fez uma careta imediata.

— Não foi assim…

— Foi sim. — Eloise cortou, sem hesitar. — Ele falou alto e bom som que não iria permitir e nem aceitar falta de respeito com você.

Emma arregalou os olhos.

— Mentira. — disse. — Sério?

Eloise assentiu.

— Muito sério.

Emma ficou alguns segundos em silêncio. O sorriso sumiu devagar.

— Então agora eu tenho certeza. — disse, por fim. — O meu pai é louco por você.

Nathália sentiu o peito apertar.

— Ele nunca fez isso nem pela minha mãe. — Emma continuou, mais baixa. — Ela sofreu muito na mão da minha avó.

A mesa ficou em silêncio por um instante.

A frase tinha peso.

Nathália abaixou o olhar, mexendo distraidamente no guardanapo.

Os pedidos chegaram, quebrando o clima.

Pratos sendo colocados.

Copos ajustados.

Talheres tocando a mesa.

Mas algo tinha mudado.

Dentro dela.

Porque, naquele instante, Nathália entendeu uma coisa que não estava pronta para admitir em voz alta:

Ricardo não só a desejava.

Ele a escolhia.

E isso…

assustava mais do que qualquer diferença de idade, julgamento ou medo.

Ela respirou fundo, ergueu o olhar e forçou um sorriso.

— Vamos comer antes que eu comece a pensar demais. — disse.

As meninas riram, e a conversa seguiu.

Mas Nathália já sabia.

Algumas verdades, depois que são ditas, não voltam para o lugar.

E aquela…

tinha acabado de se instalar no coração dela.

Depois do almoço.

Todas voltaram ao trabalho.

A rotina retomou o ritmo de sempre — reuniões, contratos, telefonemas, prazos apertados. Nathália se manteve focada, eficiente, profissional como sempre.

Mas a frase de Emma não saía da cabeça dela.

“O meu pai é louco por você.”

Ela digitava, revisava documentos, respondia e-mails…

E a frase voltava.

Thiago passou pela mesa dela, distraído, falando ao celular. Deu dois passos, parou e voltou.

— Nathália. — chamou. — Nathália.

Ela piscou, como quem acorda de um pensamento distante, e ergueu o olhar.

Ela caminhou pelo salão, distraída.

Saiu do banheiro ajeitando o cumprimento do vestidom

E então aconteceu.

Talvez tenha sido intuição.

Talvez azar.

Talvez destino.

Sem querer, seu olhar foi puxado para o lado.

E parou.

Ricardo.

Sentado.

Acompanhado.

A mulher era bonita.

Alta.

Magra.

Elegante.

Cabelos pretos longos.

Confiante.

Ela se inclinava levemente na direção dele, rindo, tocando o braço dele com intimidade demais para ser casual.

Nathália sentiu o chão falhar por um segundo.

Ricardo ergueu o olhar.

Como se tivesse sentido.

Como se fosse chamado.

Os olhos deles se encontraram.

Foi como um ímã.

Ela não esperou mais.

Virou-se rápido e praticamente correu de volta à mesa.

Pegou a bolsa com pressa.

— Nathália? — Thiago estranhou. — O que foi?

— Nada. — respondeu, já se afastando. — Depois a gente conversa.

Thiago levantou na hora.

— Ei, ei. — segurou o braço dela com cuidado. — Eu não vou deixar você sair assim. O que aconteceu?

Ela respirava rápido demais.

Os olhos marejados, mas firmes.

— O Ricardo está com outra. — disse, sem rodeios.

E saiu.

Sem olhar para trás.

Sem esperar resposta.

Sem saber — ainda —

que aquela mesa…

não contava a história inteira.

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