Capítulo 9
Quando a sobremesa foi servida e os últimos contratos discutidos, Augusto se levantou, sinalizando o fim da reunião.
— A conta já está paga — disse um dos investidores, sorrindo. — Foi um prazer, Monteiro.
— O prazer foi nosso — respondeu ele, apertando as mãos com firmeza.
Eloise manteve-se ao lado, cordial e discreta, até que Augusto indicou com um aceno sutil que era hora de irem.
Os dois caminharam lado a lado pelo saguão elegante do restaurante, o som dos passos abafado pelo carpete luxuoso. O maître abriu a porta de vidro para eles, e a brisa quente da tarde os envolveu.
Mas, antes que descessem os degraus da entrada, o destino resolveu brincar com a paciência dela.
Uma voz soou atrás deles — baixa, surpresa:
— Eloise? — a voz arrogante, pretensiosa e carregada de ironia, cortou o ar.
Ela congelou por um segundo, o sorriso social no rosto despencando por dentro.
— A prima ingrata e o noivo covarde — pensou, mas manteve a postura.
— Lorenzo — ela respondeu, firme, apesar do nó que se formava em sua garganta.
O homem à sua frente vestia uma camisa social branca com as mangas dobradas, e um sorriso presunçoso no rosto. Ao lado dele, Nicole, sua prima, ajeitava o cabelo, surpresa ao ver Eloise ali — e ainda mais ao notar um homem imponete ao seu lado.
— Que coincidência — disse Lorenzo, dando um passo à frente. — Nunca pensei te encontrar... aqui.
— O mundo gira — ela respondeu seca.
Ele riu, um som forçado.
— Sempre com a língua afiada.
Antes que Eloise pudesse responder, Augusto parou ao seu lado, ajustando o terno com naturalidade. Lorenzo o viu, o que fez o sangue dele gelar. Os olhos dele se arregalaram por um instante e o tom mudou completamente.
— Senhor Monteiro — disse Lorenzo, estendendo a mão com um sorriso quase bajulador. — Que honra, realmente uma honra. Já ouvi falar muito sobre o senhor. Sou Lorenzo Mello, da Mello Importações.
Augusto apertou a mão com a polidez obrigatória, mas sua expressão permaneceu neutra, distante.
— Hm — foi tudo o que disse, e então seus olhos voltaram para Eloise.
Ela ainda mantinha o queixo erguido, mas os olhos... os olhos diziam outra coisa. Uma sombra de dor, talvez. Orgulho ferido. Augusto não soube dizer.
— Vamos, Eloise? — disse com a voz baixa, direta e controlada.
Eloise assentiu em silêncio, ela deu um passo à frente sem olhar para trás. Mas por dentro, achou a cena simplesmente... patética
Os dois seguiram para o carro.
A tarde seguiu corrida. E-mails,planilhas, contratos e chamadas internas. Eloise organizou a agenda da semana seguinte, aprovou eventos, revisou documentos — mas sua mente voltava sempre para a mesma pergunta: Por que ele queria que ela fosse com ele naquele jantar?
Balançou a cabeça na intenção de tirar esses pensamentos, ela ligou para o pai. A voz dele ainda soava fraca, mas disse que estava bem. Eloise prometeu passar no mercado depois do expediente.
Quase no fim do dia, quando ela preparou um café e bateu na porta do escritório dele. Augusto ergueu os olhos do computador.
— Entre.
Ela se aproximou, estendendo a xícara.
— Senhor Monteiro, sobre o jantar ... Eu não sei se faz sentido eu ir. É um evento pessoal, e...
Ele a interrompeu, recostando na cadeira, o olhar firme.
— É um jantar de alta sociedade, Eloise. Pessoas que movimentam negócios, empresas e poder. Isso faz dele um jantar de negócios.
Ela não respondeu, apenas o encarou.
Ele então completou, com um leve sorriso no canto dos lábios:
— E você é minha secretária executiva.
Inclinou-se um pouco à frente, e a ênfase nas palavras soou medida demais para ser apenas profissional. Como se, de alguma forma, aquilo dissesse muito mais do que parecia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...