A primeira coisa que Sofia fez ao amanhecer foi pegar o telefone.
O céu ainda estava pálido quando ela ligou para Thomas.
— Bom dia, amor… — disse, a palavra saindo hesitante, como se ainda estivesse reaprendendo a usá-la. Um frio percorreu-lhe o estômago.
Do outro lado da linha, Thomas sorriu sem perceber.
— Bom dia, ruivinha. Dormiu bem?
Sofia suspirou.
— Não como eu queria. — fez uma pausa. — Tem alguma novidade? Ele foi visto em algum lugar?
— Ainda não. — respondeu ele, calmo. — Calma. Para funcionar, o plano precisa de paciência.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Eu sei. Mas não deixa de ser difícil. — disse. — Hoje tenho uma reunião com o Dante. Vou avisá-lo sobre o rumo da investigação.
— Tudo bem. — Thomas respondeu. — Tenha um bom dia. E você sabe… se precisar, pode ligar a qualquer hora.
— Eu sei. — ela sorriu. — Você também.
A ligação terminou.
Sofia ficou alguns segundos olhando para a tela apagada do celular.
Ansiosa.
Tudo estava pronto. Cada passo calculado.
E ainda assim… o próximo movimento não dependia dela.
Ao chegar ao escritório, antes mesmo de seguir para a reunião com Dante, Sofia pegou o telefone novamente.
Discou um número antigo.
— Alô? — disse, direta. — Vou precisar de um favor. Do maior furo da sua carreira.
Do outro lado da linha, a resposta veio sem hesitação.
— Tô dentro.
Sofia desligou.
Agora sim.
Tudo estava armado.
Eles só precisavam de um erro.
Um único gesto em falso.
O dia correu sem sobressaltos.
Quando o céu começou a se tingir de tons alaranjados, anunciando a chegada da noite, Sofia ainda estava no escritório, revisando relatórios quase mecanicamente.
Foi quando o celular vibrou.
“Começou, ruivinha.”
Logo em seguida, um vídeo.
Ela abriu.
O homem de preto estava lá.
O mesmo.
O padrão.
Ele surgiu na imagem, olhou rapidamente para as câmeras, afastou-se, conversou com funcionários do cais e foi embora.
Exatamente como antes.
O coração de Sofia acelerou.
Ela não respondeu.
Pegou o casaco, a bolsa e saiu quase correndo.
A delegacia estava em ebulição.
Vozes, mapas projetados, telas abertas.
Thomas estava no centro da sala, explicando com firmeza cada etapa da ação. Seguro. Concentrado. No controle.
Sofia parou por um segundo para observá-lo.
Havia algo nele — naquela postura firme, naquele olhar atento — que sempre a desarmava.
— Um pedaço de mal caminho… — murmurou para si, balançando a cabeça.
Foi quando Thomas a viu.
O pequeno sorriso no rosto dela.
As bochechas levemente coradas.
Ele conhecia aquele sinal.
— Então é isso. — disse, encerrando a reunião. — Alguém tem alguma dúvida?
Ninguém respondeu.
Ele caminhou até Sofia.
— Posso saber no que você está pensando, doutora Sofia?
Ela tentou se recompor.
Falhou.
— Nada, investigador.
Thomas sorriu de canto.
— Vem comigo. Minha sala.
Assim que entraram, Thomas foi direto à mesa.
— Tudo indica que amanhã, entre meia-noite e quatro da manhã, eles vão agir. — disse. — Está tudo preparado, como combinamos.
— Perfeito. — Sofia respondeu. — E o plano B?
— Eu, você, Nilson, Alex… e o delegado. Só nós sabemos.
— Ótimo.
Thomas abriu a gaveta da mesa.
Retirou uma pequena caixa rosa.
— Tenho algo para te entregar. — disse. — Eu sei que você vai querer acompanhar tudo de perto.
— É importante pra mim. — Sofia respondeu. — Tenho treinamento. Sou capacitada.
— Eu sei. — ele disse simplesmente.
Estendeu a caixa.
Sofia abriu.
Dentro, um colar de ouro delicado, com um pequeno pingente em forma de coração.
Ela prendeu a respiração.
— É lindo, Thomas…
— Não é só um colar. — ele explicou, sério. — Quando eu te explicar, fica a seu critério usar ou não. Mas eu queria que aceitasse.
Ela ergueu o olhar para ele.
Entendeu.
Mesmo que por razões diferentes.
___
23h00.
O relógio digital piscava na parede da central.
O clima havia mudado.
Nada mais de murmúrios.
Nada mais de espera passiva.
Thomas entrou na sala com passos firmes.
— Todo mundo em posição! — gritou. — Quero agilidade. Bora, bora!
O som de metal ecoou quando os coletes foram fechados.
Armas conferidas.
Rádios testados.
Mapas projetados nas telas.
O alvo estava definido.
O objetivo era claro:
prender Nicole
desmontar o esquema
encerrar aquela guerra
Sofia ajustava o colete ao lado de Nilson, o rosto concentrado, os olhos atentos demais para quem sentia medo.
Thomas a observou por um segundo.
Ela estava ali porque escolheu estar.
Não por impulso.
Mas por consciência.
— Equipes Alfa e Bravo, atenção. — Thomas continuou. — Movimento silencioso. Sem heroísmo. Sem erro.
Alex confirmou pelo rádio.
— Posições definidas.
O delegado aproximou-se.
— A partir de agora, qualquer passo fora do planejado pode custar vidas. — disse. — Se algo sair do script, abortamos.
Thomas assentiu.
— Não vai sair. — respondeu. — Eles repetem padrões. Hoje, isso j**a contra eles.
Sofia respirou fundo.
O colar sob o colete parecia pesar mais do que deveria.
Ela sabia.
Aquela noite não era só sobre prender alguém.
Era sobre sobreviver à verdade que estava prestes a vir à tona.
Do outro lado da cidade, alguém estava prestes a agir acreditando que tinha vantagem.
Mas, pela primeira vez em muito tempo…
O jogo estava virando.
E ninguém ali tinha intenção de piscar primeiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...