O cais estava mergulhado em silêncio.
Não o silêncio calmo da madrugada —
mas o silêncio tenso de algo prestes a explodir.
Barcos ancorados balançavam levemente com o movimento da água. As luzes distantes da cidade refletiam no mar escuro, criando sombras longas e traiçoeiras.
Policiais espalhados.
Snipers posicionados em barcos discretos.
Viaturas apagadas.
Respirações contidas.
Todos escondidos.
Esperando.
Thomas observava o relógio preso ao pulso.
00h01.
— Atenção, equipe. — a voz dele soou baixa no rádio. — Todos em posição. Ninguém age sem meu comando.
Do outro lado, a resposta veio imediata.
— Snipers a postos.
— Perímetro fechado.
— Visuais limpos.
No rádio, a voz de Thomas voltou, firme.
— Alex, só agimos quando todos estiverem fora do carro. Principalmente ela. Nenhuma margem de erro.
— Entendido. — Alex respondeu.
Os minutos seguintes pareceram horas.
Quarenta e oito minutos depois, o silêncio ainda não tinha sido quebrado.
Sofia estava em um ponto mais afastado, dentro de uma viatura descaracterizada. Os olhos presos no relógio pequeno sobre o painel.
00h49.
Ela respirou fundo.
— Não podemos ter errado… — murmurou para si.
Até que os faróis surgiram.
Primeiro um carro preto.
Depois outro.
E mais um.
Os veículos pararam próximos aos contêineres.
O primeiro homem a descer foi inconfundível.
O homem da rotina.
O mesmo.
O padrão confirmado.
Thomas estreitou os olhos.
— É ele. — murmurou no rádio.
O homem caminhou até o contêiner, olhou em volta, conferiu o ambiente.
Então, a porta de outro carro se abriu.
E o choque veio.
— Não… — Sofia sussurrou.
Bruna desceu do carro.
O coração de Thomas afundou.
Ela estava ali.
Não como investigadora.
Não como observadora.
Como parte do esquema.
— Merda… — Alex soltou pelo rádio.
Bruna parou próxima aos capangas. O rosto duro. Os olhos vazios. Nenhum sinal de hesitação.
Mais alguns segundos.
Então, a última porta se abriu.
Nicole.
Ela saiu com a calma de quem acreditava estar no controle. Caminhou até o contêiner como se aquele cais fosse território dela.
— Confirmação visual. — Thomas disse. — Nicole fora do veículo.
Nicole fez um gesto com a mão.
— Abre. — ordenou a um dos capangas.
O homem se aproximou do contêiner.
Foi quando o primeiro tiro ecoou.
— AGORA! — Thomas gritou.
As luzes explodiram.
— POLÍCIA! MÃOS PARA CIMA! TODO MUNDO NO CHÃO! — Thomas anunciou em alto e bom som.
O caos foi imediato.
Um dos capangas sacou a arma.
Outro reagiu.
O homem de preto atirou primeiro.
O tiroteio começou.
Disparos cruzaram o ar. Estilhaços voaram. Gritos cortaram a madrugada.
— Alvos armados! — alguém gritou no rádio.
Dois capangas caíram.
Um terceiro tentou correr — foi atingido.
O quarto ainda disparava quando foi alvejado pelos snipers.
No cais, o cenário era devastador.
Quatro capangas presos.
Três mortos.
Um ferido grave.
Bruna estava no chão, algemada.
Alex se aproximou dela.
— Que vergonha… — disse, baixo. — Dizer que um dia você foi minha parceira.
Bruna não respondeu.
Fechou os olhos.
Não por arrependimento.
Mas por saber que não havia mais para onde correr.
Thomas caminhava de um lado para o outro.
— Onde está a doutora Sofia?! — perguntou, alto.
Nilson se aproximou, tenso.
— Ela saiu em perseguição à Nicole… o carro dela se afastou rápido demais.
O sangue de Thomas gelou.
Nesse momento, um carro de imprensa parou próximo ao perímetro.
Um homem alto desceu.
— Boa noite. — disse, firme. — Meu nome é Caio Xavier. Sou jornalista. A doutora Sofia Valente me mandou aqui com uma missão. Pediu para procurar o investigador Thomas.
Thomas se aproximou e apertou a mão dele.
— Eu sou o Thomas. — respondeu. — Então você é a cereja do bolo… Essa mulher é incrível.
Caio assentiu.
— Posso registrar a operação?
Thomas respirou fundo.
— Pode. — disse. — Mas a doutora Sofia está desaparecida. Ela perseguiu Nicole e perdemos contato.
Antes que Caio pudesse responder, outro policial correu até eles.
— Chamado de emergência! — anunciou. — Um carro policial capotado a cerca de quinze minutos daqui. Está vazio.
O coração de Thomas disparou.
— Alex, assume o controle aqui! — gritou. — O jornalista Caio tem passe livre na área. Leva os presos para a delegacia!
Ele correu para a viatura.
— EQUIPE A COMIGO! AGORA!
O carro arrancou em alta velocidade.
Enquanto isso, em algum lugar da cidade…
Sofia estava presa no escuro.
E Nicole, finalmente, sorria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...