Sombras na Imagem.
Todos voltaram aos seus lugares, mas a tensão pairava no ar como uma nuvem carregada.
Nathalia acomodou-se no sofá em frente à mesa de Eloise, laptop aberto, tentando trabalhar apesar do peso que atravessava a sala.
Augusto havia dado a ordem com firmeza poucas horas antes:
— Avise à segurança. Emma e Pedro não saem deste prédio até segunda ordem. —
Eloise fez a ligação, mas a cada palavra sentia um nó se formar na garganta.
O clima no andar era insuportável.
Thiago desapareceu, cuidando pessoalmente da investigação, e Augusto trancou-se em sua sala. Desde então, não saíra nem uma vez.
A manhã inteira, a porta fechada era um lembrete do que estava acontecendo. O silêncio vinha carregado, denso, como se dentro daquele escritório houvesse uma bomba prestes a explodir.
Eloise respirou fundo, pegou uma bandeja com café recém-passado e algumas torradas, e caminhou até lá.
Bateu levemente.
— Entre. — a voz grave ecoou de dentro.
Ela abriu e encontrou Augusto debruçado sobre a mesa, as mangas da camisa arregaçadas, os olhos fixos em nada. A xícara de café da manhã ainda estava intocada, fria.
— Trouxe café fresco. — disse, suave, colocando a bandeja sobre a mesa lateral.
Ele mal ergueu os olhos.
— Obrigado. — murmurou, seco.
Eloise se aproximou devagar, observando os punhos cerrados sobre a mesa, os músculos tensos, a respiração pesada.
— Augusto… — chamou, a voz hesitante. — Ficar assim não vai ajudar.
Ele ergueu os olhos de repente, e o que ela viu a fez gelar. Não era apenas raiva. Era ódio.
— Quando eu descobrir quem foi… — a voz saiu baixa, quase um rosnado. — Vou acabar com essa pessoa.
O coração de Eloise apertou. Nunca tinha visto aquele lado dele tão exposto. A fúria fria, controlada, mas letal.
— Você não pode deixar isso te consumir. — tentou, em tom firme.
Augusto apoiou as mãos na mesa, inclinando-se para frente.
— Esse projeto é meu sangue, Eloise. Meu. E alguém ousou roubar. — os olhos verdes faiscavam, intensos. — Isso não é só traição profissional. É pessoal.
Eloise mordeu o lábio, tentando segurar a própria inquietação. Ela sabia que, no fundo, o que ele planejava ia muito além de uma simples resposta corporativa.
Ele a encarou por um instante, e por trás de toda aquela fúria, ela viu algo mais: o peso de um homem que não sabia lidar com a sensação de ser enganado outra vez.
O silêncio os envolveu. Eloise respirou fundo, mas decidiu não insistir.
— Beba o café. — disse apenas, baixinho, antes de se afastar.
Quando a porta se fechou, Augusto recostou-se na cadeira, fechando os olhos.
Eloise não podia ouvir, mas dentro dele a sentença já estava clara:
"Eu vou destruir Vinícius Navarro."
Cláudia entrou na sala com passos firmes.
— Vim assim que Eloise me contou. — declarou, o olhar sério, alternando entre Thiago e Augusto.
Augusto não respondeu. Apenas acenou com a cabeça, os olhos verdes fixos em Thiago, impondo sem palavras que ele falasse de uma vez.
Thiago respirou fundo, abriu a pasta de couro e retirou um pendrive. Depositou-o sobre a mesa com firmeza.
— Aqui está. — disse, a voz grave. — Precisa ver com seus próprios olhos.
Augusto agarrou o objeto e conectou no notebook. A tela se iluminou, revelando a gravação de uma câmera de segurança em baixa resolução.
A imagem tremia, granulada, mas nítida o bastante para gelar o ar da sala.
Na tela, Eloise estava sentada em frente a um homem em uma mesa discreta.
Augusto se inclinou, o olhar fixo. Primeiro o rosto empalideceu, depois cada músculo se contraiu como se estivesse prestes a explodir.
O maxilar travou. A respiração ficou pesada, saindo em intervalos curtos. Os dedos bateram contra a mesa até que o punho se fechou com força, os nós dos dedos esbranquiçando.
Quando finalmente falou, a voz saiu baixa, mas carregada de veneno:
— Esse é Dante Figueiredo. — cuspiu o nome. — Vice-presidente da Navarro Tech.
Cláudia e Thiago trocaram um olhar rápido, atentos à reação dele.
Na tela, Eloise se inclinava para frente, falando algo que não se podia ouvir. Dante sorria.
E então… a cena mais cruel: Os dedos de Eloise deslizaram sobre a mesa, entregando um objeto pequeno, impossível de identificar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...