"César"
O escritório do dono da Lush cheirava a uísque caro, charuto e a um certo medo disfarçado de arrogância.
O homem atrás da mesa, Isaac Menezes, fingia uma naturalidade forçada. Mas os dedos tamborilando sobre o tampo de madeira denunciavam a inquietação. Ele não conseguia disfarçar o desconforto e eu não também não fazia questão de ser cordial.
Meu objetivo era esse: que ele se sentisse mal, acuado. E estava tendo sucesso.
— Não entendi muito bem o motivo da sua visita — ele começou, abrindo um sorriso que não alcançava os olhos. — A Lush vai muito bem. É a melhor casa noturna da cidade. Está sempre cheia, com o melhor público, só a nata da nata. Você sabe disso, né? Seu irmão, antes de se amarrar, vivia aqui. Aliás, sinto saudade. Augusto sabia viver.
— Eu sei muito bem como funciona aqui. E é justamente por conhecer o lugar que fiz a proposta. Estou saindo da empresa da família. Está na hora de me reinventar, e a Lush é o lugar perfeito. Quero comprar o local e a minha intenção é fazer crescer ainda mais.
Ele soltou uma risada curta e tomou um gole de uísque.
— Não está à venda. Tenho certeza de que você tem uma excelente proposta, mas a Lush é como uma filha. Tenho certeza de que vai encontrar outras por aí. Será um prazer ter um concorrente à altura.
Minha vontade era arrastá-lo para fora da sala e resolver tudo na força. Mas eu estava me controlando.
— Tudo está à venda.
— Não. Nesse caso, não. Construí isso aqui do zero. Não tenho a menor intenção de vender.
— Devia ter pensado nisso antes de se envolver com o meu pai. Sabe, envolver-se com alguém como Marco Aurélio é como vender a alma. E, caso ele não tenha te avisado, foi exatamente o que você fez. Ainda estou sendo generoso. Vou dar mais do que você merece. É pegar ou largar.
Isaac me encarou em silêncio. O nome do meu pai reverberou no ar. Eu sabia o que ele tinha feito — e o que ainda fazia. O local era usado para muitas coisas ilícitas que Isaac fingia não ver: tráfico, prostituição. Tudo muito discreto, claro, para não chamar atenção da policia, já que todos os playboys frequentavam o lugar.
Foi essa a arma que meu pai usou. Além do dinheiro. No fim, tudo se resumia a dinheiro. E Isaac aceitou.
Em troca, acusou Camila de roubo. Mandou-a para a prisão, ainda que por um breve período. Não importava. O estrago já estava feito.
Coloquei um envelope sobre a mesa, com o cheque dentro.
Ele olhou, mas não se mexeu.
— O que é isso? — perguntou, como se não entendesse.
— A diferença entre você sair daqui com algum dinheiro… ou sair daqui algemado. Como eu disse, estou sendo generoso.
O sorriso dele morreu.
— Você está me ameaçando? — a voz saiu mais alta. Ele se levantou, tentando cantar de galo. Havia um segurança na sala; não precisei olhar para saber que o homem estava em alerta.
Mas eu tinha três do lado de fora.
— Estou te oferecendo uma saída no mínimo elegante. Digna, talvez.
Ele puxou o envelope, abriu e viu o cheque.
— Isso não é nada. A Lush vale muito mais — retrucou, irritado. — Já disse, a Lush não está à venda.
Coloquei alguns papéis sobre a mesa. Ele bateu o olho e soube exatamente do que se tratava, transações, provas. Ficou ainda mais nervoso, passou a mão pela cabeça e tomou outro gole de uísque.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido