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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 169

"Isabella"

Não sei se foi a dor ou o som irritante de uma batida ritimada que me despertou.

A cabeça latejava violentamente. Algo úmido e pegajoso escorria pelo meu rosto, a consciência voltava lentamente tentando vencer a névoa mental. O barulho irritante cada vez mais alto aumentando a dor. Estava sentada em uma cadeira e, quando tentei levantar a cabeça, a dor me atravessou de forma tão brutal que arrancou de mim um quase grito, contido pela garganta seca, incapaz de emitir som.

Tudo doia, braços, pernas, pensar. Quando consegui abrir os olhos, não entendi onde estava, o mundo parecia fora do lugar e um senti um enjoo.

Minha mente parecia envolta em confusão lenta. O mundo girava. Levei alguns segundos até conseguir focar a visão sem sentir náusea. Só então que percebi que estava em um quarto velho e malcuidado, com lixo nos cantos e paredes descascando. Havia algo ali que me causava uma sensação incômoda de familiaridade, mas eu não conseguia identificar o quê.

Tentei me levantar e não consegui. Estava amarrada.

Meus braços estavam presos atrás do encosto da cadeira e as pernas amarradas. O pânico começou devagar, rasteiro, subindo pelo peito como um veneno lento, enquanto me remexia tentando me soltar, mas as cordas estavam bem amarradas.

— Socorro… — tentei chamar, a voz fraca, quase inexistente.

As lembranças voltaram em ondas: o dia, o exame de gravidez, o estacionamento.O choque.

Márcio, meu cunhado. Meu cunhado que deveria estar preso.

A porta do quarto se abriu.

— Carlos! — minha voz saiu quebrada. — O que está acontecendo? Me solta!

Ele entrou com calma, fechou a porta atrás de si e sentou em outra cadeira, próxima à parede, como se estivesse ali apenas para conversar.

— Meu irmão tinha razão — disse, quase entediado. — Eu devia ter me livrado de você antes. Mas confesso que senti pena. Achei, de verdade, que você seguiria com a sua vida, não esperava que fosse remoer por tanto tempo ser trocado pela irmã.

— O que é isso? — perguntei, o coração disparado. — Você me sequestrou? Ficou louco, acha que o Augusto vai pagar alguma coisa?

Carlos riu.

Um calafrio percorreu minha espinha. Olhei ao redor em busca de qualquer saída, qualquer possibilidade. Era um quarto sem janelas, velho, sujo, com cheiro de mofo e abandono.

— Isso não é um sequestro, minha querida — respondeu. — Quando saímos da cadeia, eu e meu irmão já tínhamos um plano. Um recomeço. Deixar essa cidade, esse pais, tudo para trás, finalmente aproveitar as economias. Mas havia uma ponta solta.

Ele me olhou fixamente.

— Você.

Senti um embrulho no estômago, uma vontade vomitar.

— Não sabia que você seria uma pedra no meu sapato. Essa obsessão ridícula que você criou por mim precisava acabar. E a única forma de fazer isso… — ele sorriu — é com você morta.

Congelei.

Meu coração parecia querer rasgar o peito. Encarei Carlos, meu ex-marido, e soube, com uma certeza aterradora, que ele falava sério.

As lágrimas vieram.

Eu tinha acabado de descobrir que estava grávida. Não, não poderia acabar assim, morrer ali, em um quarto imundo, onde talvez ninguém jamais encontrasse meu corpo. Augusto nunca saberia de mim. Nunca saberia do filho que eu esperava. Carlos me roubava de novo, mas agora era a minha vida que ele queria tirar.

Pensar em Augusto doeu mais do que tudo.

Capítulo 169. Última conversa 1

Capítulo 169. Última conversa 2

Capítulo 169. Última conversa 3

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