“Flávio”
Estavam todos ali nervosos demais, por um momento eu temi pelo pior, principalmente quando o Fernando segurou as mãos da Renatinha e a olhou nos olhos.
- Renatinha, eu coloquei os melhores para cuidarem dele, a situação é muito delicada, ele chegou gravíssimo, mas ele está lutando pela vida. A cirurgia é demorada, a bala está alojada muito perto de uma artéria importante e os médicos estão sendo cuidadosos. Mas, vamos confiar que vai dar tudo certo. – O Fernando explicou e a Renata soluçou, era a primeira vez que eu via o lado frágil dela, antes do Breno ser baleado ela nunca tinha demonstrado essa fragilidade.
Mas logo as garotas já a estavam abraçando e a puxaram para o sofá, a Renatinha se debulhou em lágrimas por vários minutos e eu estava grato por ter todas as garotas ali, porque eu não saberia o que fazer com ela, eu não estava acostumado a vê-la assim.
- Aqui, Renatinha, toma esse chá. – A Hana se aproximou e entregou uma xícara para ela. – Meu tio está lá com o Breno, ele não vai deixar aquele coração parar de bater, pode confiar.
A Renatinha limpou as lágrimas e sorriu para a Hana.
- Aquele monstro do Frederico está aqui também. Como você está? – A Renatinha se lembrou, como se quisesse pensar em outra coisa.
- Ih, menina nem te conto, esse hospital hoje está mais movimentado que estádio de futebol. – A Hana se sentou perto da Renatinha e começou a contar tudo o que tinha acontecido, com certo ar de graça, nitidamente tentando distrair a Renatinha da tensão ali.
- Quer dizer que você quebrou a cara do vizinho estranho? – Eu perguntei ao Rafael que riu.
- Você nem imagina o prazer que me deu! – O Rafael respondeu satisfeito. – Mas por causa disso o Fernando deixou aquele sujeitinho ir embora, pra ele não tentar me prejudicar.
- Não se preocupa, eu estou bem perto de pegá-lo. E a minha BFF, como está? – Eu me lembrei da Giovana e a empolgação que ela estava da última vez que nos falamos.
- Ela está me deixando louco. Antes o problema eram os beijos, mas agora… - O Rafael balançou a cabeça.
- Agora o problema são os amassos. – A Melissa se aproximou e eu comecei a rir. – E logo, logo, o problema será a primeira vez. Mas fica tranquilo, Rafa, o Anderson vai fazer tudo direitinho.
- É, disso eu sei! Eu só não esperava que ela crescesse tão rápido. – O Rafael sorriu. – Vocês vão ver, aproveitem enquanto os de vocês são crianças.
- Parceirinha, o que você está fazendo aqui? – Eu encarei a Melissa.
- Eu estou aqui porque o perturbado não quis me levar naquele presídio. – Ela respondeu como se não fosse nada demais.
- Ainda bem que o Douglas tem juízo, mesmo convivendo com você e a Sandra. – Eu ri e ela balançou a cabeça.
O tempo estava passando e de vez em quando o Fernando ligava para o centro cirúrgico, mas voltava com a mesma notícia. A Hana e a Rúbia iam distraindo as garotas com conversas aleatórias e eu já estava quase furando o chão de tanto andar de um lado para o outro.
- Melissa, você não deveria estar quietinha em casa, de repouso? Será que eu vou ter que falar para o Fernando te amarrar? – O Enzo chegou fazendo graça, com aquele jeito leve e divertido, acompanhado do José Miguel.
- Ai, gatinho! E você acha mesmo que eu ficaria de fora de toda a diversão? Nunca, jamais! Agora vem cá e me dá um abraço, eu não posso me levantar. – A Melissa abriu os braços e abraçou o Enzo. – E você, Perfeito, novidades?
- Não, Melissa, novidade nenhuma. – Ele pegou a mão dela e beijou o dorso.
- Renatinha, minha linda, fica calma que eu trouxe o doador perfeito para o seu namorado. Na verdade eu encontrei dezesseis doadores perfeitos, mas esse aqui é o mais perfeitinho de todos. – O Enzo sorriu e foi abraçar a Renata. – Esse aqui é o Perfeito, atende também por José Miguel Rossi, ele é um dos diretores lá da Lince e tem o mesmo tipo sanguíneo do Breno. Ele já fez a doação direta. O Vini queria muito um doador de compatibilidade exata, aí eu achei logo quem? O Perfeito.
- Muito obrigada! – A Renata agradeceu com um sorriso pela gracinha que o Enzo fez.
- Não agradeça, o importante é ele se recuperar logo. – O José Miguel se abaixou em frente a Renata e segurou a mão dela. – Se eu puder fazer algo mais, eu estou a disposição de vocês. – Ele ofereceu e a Renata sorriu e fez um aceno de cabeça.
- E quando eu posso vê-lo, doutor?
- Assim que ele for para a UTI alguém virá para acompanhá-la. Mas é uma visitinha rápida. Olha, eu sugiro que você o visite e depois vá para casa descansar, enquanto ele estiver na UTI não há muito o que fazer, você não pode ficar com ele além dos horários de visita. Mas depois, quando ele for para o quarto, ele vai precisar de você. – O médico aconselhou.
- Tá, tudo bem. Obrigada, a vocês três, por salvarem o meu amor. – A Renatinha estava chorando de novo e eu já estava preocupado dela ter dado defeito, eu nunca tinha visto aquela mulher chorar e ela estava chorando muito, mas eu estava aliviado que o Breno estava vivo.
- Flávio, vamos dar um pulinho lá na emergência. – O Vinícius me chamou, apontando para o meu braço.
- Não precisa, Vini, o enfermeiro do presídio fez um curativo, foi só um tiro de raspão. – Eu expliquei e ele ergueu as sobrancelhas para mim.
- Exato, o enfermeiro fez um curativo temporário até o médico poder avaliar. Agora, vamos, que eu, o médico, vou avaliar e se for preciso vou dar uns pontos, isso aí está sangrando, Flávio! – O Vinícius apontou e eu olhei para o meu braço, a faixa estava manchada de sangue.
- Ah, mas eu vou com vocês, quero ver o Flávio levar pontos sem anestesia. – A Melissa já ficou toda alvoroçada.
- De jeito nenhum, maluca! Se eu tiver que levar pontos eu quero anestesia. – Eu respondi e o Vinícius começou a rir.
- Ah, não, Flávio, o fracote do Lenon implorar por anestesia eu até entendo, o Rafael destruiu a cara dele, mas você, deste tamanho e por causa de uns pontinhos, aí já é piada! – O Vinícius começou a rir.
- Quer que eu segure a sua mãozinha, princesa? – A Renatinha ofereceu rindo.
- Ah, todo mundo muito engraçadinho, mas se estivessem no meu lugar, sob a ameaça de uma agulha te costurando, iriam querer anestesia também. – Eu respondi e fui até a Manu. – Baixinha, fica quietinha aqui que eu já volto. Não esquece que eu te amo! – Eu dei um beijo nela e acompanhei o Vinícius.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Chefe irresistível: sucumbindo ao seu toque
O nome do doutor Molina mudou por que?...
Que lindo esse livro. Estou aqui chorando novamente. Muito emocionante...
Amei saber que terá o livro 2. 😍...
Que livro lindo e perfeito. Estou amando e totalmente viciada nesse livro. Eu choro, dou risadas, grito. Parabéns autora, é perfeito esse livro 😍...
Está sempre a dar erro. Não desbloqueia os capitulos e ainda retira as moedas.😤...
Infelizmente são mais as vezes que dá erro, que outra coisa......