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Chefe irresistível: sucumbindo ao seu toque romance Capítulo 1396

“Hana”

Eu olhei para o Rubens, respirei fundo e me sentei. Antes de fechar a porta o Rafael me olhou e moveu os lábios para dizer um “eu te amo, vai dar tudo certo” silencioso. Meu coração estava disparado, minha boca seca e minhas mãos suando. Eu sentia o medo dentro de mim, mas eu não tinha medo por mim, eu tinha medo por ele, medo que o amor da minha vida se machucasse ou que fosse muito pior.

O silência que envolveu aquela sala era mais assustador que a trilha sonora de um fime de terror e deixava todos os meus sentidos mais aguçados. Eu ouvi o “plim” do elevador parando no andar e olhei para o Rubens rapidamente, ele me fez um aceno de cabaça e sussurrou “tenha calma”. Eu me virei para a mesa e fingi ler algum papel que estava ali.

- Muito quieto. Muito fácil. Muito estranho. – Eu ouvi a voz de um dos homens que havia chegado dizer.

Eu levantei os olhos do papel e os pousei sobre o Frederico. O olhar dele era assassino, frio, com uma ausência de emoção que dizia que ele desconhecia culpa ou remorso, havia um brilho predatório naqueles olhos fixos, que quase não piscavam enquanto estavam sobre mim.

Eu já havia visto aquele olhar tão de perto tantas vezes, mas agora era diferente, porque era muito mais intenso, como se ele estivesse totalmente dissossiado de humanidade, era quase tão brutal quanto um soco- no estômago.

Um sorriso lento se abriu em seu rosto, um sorriso que eu conhecia e que me dava calafrios, não era um sorriso genuíno, era uma máscara de dominação e superioridade.

- Até que enfim te encontrei de novo, vagabunda! – A voz do Frederico me gelou os ossos, tão fria e desprovida de emoção quanto o seu rosto. Não havia sequer ódio, pelo contrário, a voz dele quase transmitia prazer, um prazer mórbido em sua consciência e intenção de me causar uma dor profunda.

- O que você quer aqui, Frederico? – Eu o encarei, tentando não deixar que ele percebesse o quanto me aterrorizava estar frente a frente com ele.

- Ora, o que você acha? – Um dos homens que estava com ele empurrou a cadeira de rodas em minha direção e foi só então que eu olhei para os dois homens que o acompanhavam e os reconheci.

Ao reconhecer os dois homens, o meu coração já não batia no peito, ele se arremessava contra os meus ossos como se quisesse sair. Eu sentia dor com cada batida e fechei as mãos em punho para não levá-las ao peito. O Rafael não deveria estar aqui!

- Não se aproxime! – O Rubens tentou entrar na minha frente, mas o outro homem apontou a arma pra ele antes que ele púdesse fazer qualquer coisa.

- Quietinho aí! Se tentar dar mais um passo eu decoro essa sala com os seus miolos! – O homem sorriu e o Rubens ergueu as mãos. – Encosta na parede.

- Então, sua puta, eu vim terminar o que eu comecei anos atrás. – O Frederico não tirava aquele sorriso perturbador do rosto.

A cadeira dele foi colocada ao meu lado e ele tocou o meu braço. Foi como ser tocada por um daqueles personagens de filme de terror com unhas pretas enormes e dedos em estado de putrefação. Eu senti horror, medo, nojo, gastura e ânsia de vômito.

- Cadê a sua marra, queridinha? – O homem se abaixou em minha direção. – Estava botando tanta banca aquele dia na porta do bar, mas agora, está aí, pálida como um coelhinho assustado.

Ele passou as costas da mão pelo meu rosto e o nojo que eu senti foi tão grande que eu não pude mais segurar, eu me virei e vomitei sobre ele o sanduíche e o suco que o Rafael me fez comer pouco antes de tudo isso começar.

- Mas que merda, vadia! – O homem me deu uma bofetada- tão forte que fez o meu corpo colidir contra a mesa, eu apenas tentei proteger o meu corpo com os braços num gesto reflexo.

- Ai, hana, você continua sendo a mesma putinha que implora para apanhar! – O Frederico riu.

Eu olhei de canto de olho para o Rubens e vi seu olhar furioso, mas ele tinha uma arma na cabeça e não conseguiria dar um passo em minha direção.

- Olha que merda, fiquei todo vomitado! Vadia nojenta! – O homem gritou.

- Ah, deixa de ser fresco, Nunes, é só lavar que sai. – O outro, que estava com a arma na cabeça do Rubens riu.

Eu gritava, chorava e me debatia desesperada contra o Rubens, que não me soltou, me segurou firme pela cintura, me mantendo no ar. E me virou, para que eu não visse o que acontecia do lado de fora. Mas eu não ia ficar quieta ali, naquela angústia! Eu me lembrei das aulas de defesa e dei uma cotovelada no estômago do Rubens, que me soltou e se curvou.

- Me desculpa, brutamontes, mas eu vou tirar o Rafa de lá.

Eu saí correndo, mas eu não fui muito longe, meu cabelo foi puxado pelo tal Nunes, que estava encostado na parede perto da porta da copa.

- Acabou a palhaçada ou a vadia é a primeira a morrer! – Ele gritou e o Flávio e o Bonfim pararam de atirar e o Rafael parou de socar o Frederico.

- Babaca! – Eu falei irritada, minha cabeça já estava doendo de tanto ter o meu cabelo puxado.

Eu tateei e agarrei as bolas daquele cretino e torci o máximo que eu consegui, do jeitinho que a Renatinha tinha mostrado que fazia. E quando ele se curvou gemendo de dor eu levantei o cotovelo e atingi o nariz dele.

- Sua puta! – Ele gritou e me soltou.

O outro homem se virou com a arma na minha direção, mas eu ouvi apenas um tiro, um certeiro, no joelho dele e ele caiu soltando a arma. Eu corri e o meu pé foi puxado pelo homem caído, me desequilibrando e eu caí, só tive tempo de colocar as mãos para amortecer a queda e não bater o rosto, mas meu corpo colidiu com o chão. E enquanto eu senti a dor do impacto eu vi o Flávio passar por mim e o Rafael correr e me pegar no colo.

- Acabou, Mota! A sua cabaninha de papelão caiu! – O Flávio falou com o homem sangrando no chão e chutou a arma para longe dele.

Eu dei mais uma olhada e vi o Bonfim algemando o Nunes, que estava sob a mira do Rubens, o Flávio algemando o Mota que gemia de dor e o Frederico inerte no chão com o rosto desfigurado. Eu encolhi no colo do Rafael.

- Minha flor, você está bem? – O Rafael perguntou com evidente desespero na voz. – Hana fala comigo, por favor! Hana! – E foi aí que ele se deu conta de onde o meu olhar estava e eu senti o corpo dele inteiro se enrijecer.

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