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Chefe irresistível: sucumbindo ao seu toque romance Capítulo 652

“Patrício”

Minha mãe era uma mulher ainda muito bonita e cheia de energia. Era uma mulher preta, com fartos cabelos crespos, que ela tratava como um verdadeiro tesouro. Meu pai, filho de espanhóis, sempre dizia que havia se apaixonado por ela à primeira vista, pois ela parecia uma princesa guerreira. E ela era mesmo uma guerreira.

- Meu filho voltou de viagem e eu fiquei sabendo disso por meio de uma amiga. Você não tem consideração com a sua mãe? – Minha mãe era uma mulher determinada e uma mãe amorosa. – Lisa! Querida, que bom vê-la aqui. Fiquei tão feliz em saber que você está trabalhando com o meu filho!

Lisandra se levantou e a abraçou. Vi os seus olhos brilharem com ternura ao encarar minha mãe.

- Tia Lucinda! – Lisandra abraçou a minha mãe com afeto.

Meus pais a adoravam, estavam sempre falando dela em casa. Eu fiquei muitos anos sem ver a Lisandra, mas os meus pais iam muito a Europa e sempre a visitavam. Eles não cansavam de dizer o quanto ela era linda e especial e ressaltavam todas as qualidades que aquela garotinha ia adquirindo com os anos.

- Lisa! Eu fico tranquila em saber que você trabalha com o meu filho, pois sei que ele é um cavalheiro e vai tratá-la como você merece. – Minha mãe me olhou de lado. – Não é, Patrício?

- Sim, mãe! – Eu nem encarava a minha mãe, pois eu não havia sido nem um pouco cavalheiro com a Lisandra até agora.

- E essas olheiras, minha linda? Você não é o tipo de garota que passa as noites em festas. Seus pesadelos voltaram? – Minha mãe estudava o rosto da Lisandra e falou de pesadelos, isso era uma novidade pra mim.

- Sim, tia, mas eu já estou resolvendo isso. – Lisandra tinha um sorriso afetuoso para a minha mãe. E eu não pude deixar de pensar que eu era o pesadelo.

- Não deixe que nada e nem ninguém tire a sua paz, querida. – Minha mãe colocou a mão no rosto da Lisandra e parecia preocupada. – Patrício, viu como ela se tornou uma moça linda?

- Sim, mãe, a Lisandra é muito linda, sempre foi uma menina linda. – Respondi.

- Mas agora é uma mulher, não é mais uma menininha. Deve estar deixando muitos rapazes suspirando por aí. – Minha mãe tinha que apontar aquilo e plantar a preocupação em minha mente. – Não entendo porque você só teve um namorado, sendo assim tão linda. E sinceramente, aquele rapaz não servia pra você.

Lisandra apenas riu. Então ela teve só um namorado? Pensei que tivesse tido vários, pois ela realmente era linda.

- Bem, vou voltar ao trabalho. Tia Lucinda, o tio Alonso não veio? – Lisandra perguntou pelo meu pai antes de se retirar.

- Não, querida, ele tinha algo importante no trabalho. Mas ele te mandou um beijo e disse que se quiser voltar para Campanário ele te dá um emprego. Você sabe que ele não fez isso antes porque não queria problemas com o seu pai. – Minha mãe estava de brincadeira, já chegou oferecendo um emprego para a Lisandra, assim ficaria difícil fazê-la ficar.

- Fala pro meu pai que é tarde demais, mãe, a Lisandra já é minha. – Sorri para elas e a Lisandra me encarou como se ficasse confusa.

- Diz para o tio Alonso que eu mandei um beijo. Deixa eu voltar ao trabalho. – Lisandra beijou a face da minha mãe e se retirou. Minha mãe a observou sair.

- Ótima moça! – Minha mãe falou antes de me abraçar. – Como você está?

- Bem, mãe. Seu conselho de anos atrás ainda me serviu muito bem. – Respondi e caminhei com ela em direção ao sofá. Ela se sentou e eu me deitei colocando a cabeça no colo dela.

- Você não vai para o natal, vai? – Minha mãe era uma mulher prática e direta. Mas ela estava dando uma volta para colher algumas informações antes de ir direto ao ponto.

- Não. Vou para a fazenda da família da Manu. – Suspirei com o afago que a minha mãe me fazia e fechei os olhos para não encará-la quando ela chegasse ao ponto, a verdadeira razão de estar aqui, que eu sabia exatamente qual era.

- Passei pela sua casa e vi a reforma, ficou lindo!

- Que bom que você gostou. Vai ficar comigo uns dias?

- Não! Eu vim apenas te dar um conselho e um alerta.

- Mãe... – Eu me levantei e me sentei. – Não posso vê-la assim, eu a vi menina, eu a embalava para ela dormir. Ela é a irmãzinha do meu amigo, mãe. Não posso vê-la como mulher.

- Ah, não? Você se tornou um monge por acaso e eu não fui informada? – Minha mãe me encarava sabendo que eu não poderia mentir pra ela.

- Mãe, ela é linda! Tão linda que o melhor que eu faço é manter distância.

- Você ainda pensa naquela moça? – Minha mãe gostava da Virgínia, mas depois do que aconteceu minha mãe só se referia a ela como “aquela moça”.

- Desde que voltei a Srta. Lisandra não me deu tempo de pensar em mais nada. – Eu ri por constatar aquilo e falar em voz alta. Minha mãe deu um sorriso satisfeito.

- Estou vendo! Filho, vou te dar um conselho, tire da sua cabeça a imagem da garotinha adorável de laçarote nos cabelos e olhe para a mulher linda de salto alto e cheia de curvas. Ela é especial, meu filho, e você é um bom homem, seu amigo vai entender. – Minha mãe estava abertamente me aconselhando a me envolver com a Lisandra.

- Mãe, nem vem bancar a agência de namoro. – Eu me levantei empertigado. – Te conheço, não tem nada acontecendo aqui e nem terá. Tira da sua cabeça.

- Você não pode me enganar, querido, sou sua mãe e te conheço muito bem. – Minha mãe sorriu e abaixou a voz. – Quer saber um segredo? Seu pai e eu sempre sonhamos em tê-la como nora!

- Mãe! – Olhei pra ela em pânico. A situação já estava difícil, se meus pais começassem a fazer campanha isso ia ficar impossível. Minha mãe riu, aparentemente satisfeita, parecia ter conseguido o que queria.

- Agora me leve para almoçar! – Ela se levantou e passou o braço pela minha cintura.

- Ainda é muito cedo. – Reclamei.

- Sim, mas nós vamos passar na sala do Alessandro ainda e levá-lo conosco. – Minha mãe considerava o Alessandro como um filho e ele a adorava também.

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