Capítulo 37 — Confissões e Ciúmes
Victoria Clark
Ver o Lucas naquela sala me causou uma avalanche de sentimentos conflitantes. O primeiro deles, sem dúvida, foi uma felicidade genuína; eu não o via há semanas e ele era uma das poucas âncoras reais que eu tinha na vida.
Mas, logo em seguida, o desespero me atingiu em cheio. Adrian às vezes levava essa nossa relação de marido e mulher de contrato a sério demais, e o seu "zelo" excessivo e possessivo me causava arrepios.
Durante a reunião inteira, eu não entendi absolutamente nada do que eles discutiam com aqueles gráficos e projeções na mesa, mas fiz questão de ficar atenta a todos ao redor.
Observei os diretores importantes, os investidores e aqueles que pareciam estar ali apenas para ocupar espaço e fingir relevância. Quando a pauta finalmente foi encerrada, dei graças a Deus mentalmente.
Caminhei em direção ao canto da sala onde haviam deixado algumas garrafas de água sobre o balcão. Minha garganta estava seca e eu realmente precisava de um segundo para respirar, quando Lucas se aproximou de forma descontraída.
— Ei... — ele chamou baixo, com o seu habitual tom acolhedor.
Olhei para ele e abri um sorriso sincero.
— Oi, Lucas.
Ele prendeu os olhos escuros nos meus, me analisando, e deu um passo a mais na minha direção.
— Então... Tudo certo para hoje à noite, Vic?
Antes que eu pudesse formular qualquer resposta, senti o ar ao meu redor congelar. Uma presença massiva e imponente se projetou logo atrás de mim, seguida por uma voz fria, ríspida e puramente mortal que fez os pelos dos meus braços se arrepiarem:
— Posso saber o que os dois farão hoje à noite?
Girei o corpo lentamente para encarar as íris azuis e tempestuosas de Adrian. Respirei fundo, tentando manter a postura profissional.
— Eu ia falar com você sobre isso mais tarde, Adrian. O almoço que tínhamos planejado para aquele dia acabou se tornando um jantar. A Sara, o Lucas e eu marcamos de jantar juntos hoje à noite.
Lucas olhou de mim para Adrian, com o cenho completamente franzido e uma confusão nítida estampada no rosto. Ele ainda não sabia que o homem de ferro das empresas Foley era, na verdade, o meu marido de contrato.
— Eu não sabia que você precisava dar satisfações detalhadas da sua vida pessoal e dos seus horários ao seu chefe, Vic — Lucas rebateu, arqueando uma sobrancelha, desafiando a autoridade de Adrian.
Adrian deixou um sorriso cínico e cortante desenhar os lábios. Num movimento deliberado, ele deu um passo à frente, segurou a minha mão esquerda com firmeza e praticamente esfregou o diamante solitário do meu dedo na cara do meu amigo.
— Para o chefe ela não deve, Avery. Mas para o marido, sim.
Lucas paralisou por alguns segundos. Seus olhos desceram para o anel reluzente, subiram para o meu rosto e depois se fixaram em Adrian. O choque em suas feições foi absoluto.
— É ele? — Lucas sussurrou, a voz descendo um tom. — O seu marido por...
— É melhor você guardar algumas coisas apenas para você, Avery — Adrian o interrompeu de forma ríspida, a voz saindo como uma ameaça velada que cortou a frase do outro no meio.
Lucas fechou a cara na mesma hora, passando a mão pelos cabelos pretos, a tensão entre os dois homens subindo a níveis perigosos.

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