Capítulo 36 — Linhas de Atrito
Adrian Foley
Eu queria ter resolvido a porra daquele mal-entendido com a Victoria antes de colocarmos os pés para fora do carro, mas a verdade era que eu já tinha perdido tempo demais lidando com os meus supostos problemas conjugais.
Eu tinha uma holding para liderar e uma transição bilionária para assinar.
Entramos na empresa e tudo estava quase perfeito. Quase. Se não fosse pelo fato do meu diretor de operações, o tal do Hamilton, estar praticamente devorando a Victoria com os olhos desde o saguão e, para ajudar a soterrar o resto do meu autocontrole, uma das pessoas que eu mais desprezava e odiava neste mundo estar, neste exato momento, de pé na minha frente.
Lucas Avery ostentava um sorriso aberto, abusado e puramente provocativo na minha direção, antes de desviar os olhos escuros para Victoria.
— Que bom te ver por aqui, Vic — ele destilou, a voz mansa.
— Lucas! Bom te ver também! — Victoria respondeu de imediato, a voz transbordando uma empolgação que me causou um soco direto no estômago.
Ela deu um passo à frente, com os braços semi abertos, claramente pronta para se jogar em um abraço caloroso com ele bem ali, na frente de toda a diretoria.
No entanto, um som ríspido, ruidoso e perigosamente territorial escapou do fundo da minha garganta, a fazendo congelar no lugar no mesmo milésimo de segundo. Victoria piscou, recolhendo os braços sutilmente.
Anthony Marks, captando a súbita queda de temperatura na sala, interveio rapidamente com um sorriso amarelo para cortar o climão.
— Bom... Pelo visto todos aqui já se conhecem, então vou dispensar as formalidades das apresentações.
— Sim, nós nos conhecemos — Lucas tomou a palavra, exibindo aquele maldito sorriso fácil e seguro que ele ostentava desde a juventude. Ele olhou para os executivos e depois fixou os olhos em Victoria com um brilho íntimo que me deu náuseas. — Adrian e eu fomos colegas e competidores na faculdade. E a Vic... Bom, nós somos grandes amigos de longa data.
Fechei as minhas mãos em punhos ao lado do corpo, cravando as unhas na palma da mão para segurar a vontade absurda de avançar nele e fazê-lo engolir o termo "grandes amigos" dente por dente.
Henry, que assistia ao meu colapso possessivo de camarote, inclinou o corpo discretamente na minha direção e sussurrou em um tom que apenas eu pudesse ouvir:
— Se controla, cara. Se você tivesse assumido o casamento de uma vez para o conselho, metade dos seus problemas de ciúmes hoje estariam resolvidos.
Tranquei o maxilar, ignorando a lógica irritante do meu assistente e amigo, e adotei a minha postura profissional mais rígida.
— Acho que agora que se encerraram os cumprimentos, nós podemos finalmente iniciar a reunião — sentenciei, a voz fria cortando qualquer espaço para fofocas.
Todos na sala assentiram prontamente e começaram a tomar os seus assentos ao redor da imensa mesa.
Victoria deu um passo à frente, fazendo menção de caminhar em direção às cadeiras posicionadas ao fundo da sala, destinadas ao secretariado, mas eu estendi a mão e a segurei firmemente pelo antebraço, a impedindo.
Ela virou o rosto para me encarar, com as sobrancelhas unidas.
— Não se esqueça: o seu lugar é ao meu lado — ordenei em um sussurro imperativo.

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