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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 9

Capítulo 9 — O Pacto de Gelo

Victoria Clark

— Fui eu quem paguei a conta da sua tia.

As palavras dele flutuaram no ar do quarto de hospital, gélidas, precisas e cortantes como lâminas de vidro. Senti meus joelhos fraquejarem por um milésimo de segundo. Pisquei, olhando para Adrian Foley como se ele fosse uma miragem distorcida ou uma peça de péssimo gosto que o destino estava pregando em mim.

O que aquele homem estava fazendo ali? Depois de tudo o que ele me disse no hotel, depois de me arrastar pelo corredor e me prensar contra a parede me acusando de ser uma golpista barata, ele simplesmente ressurge como o salvador da pátria?

Olhei para a minha tia Marie, que me encarava com uma expressão confusa, mas curiosa, e depois para a Camila. A enfermeira alternava os olhos arregalados entre mim e o deus grego de terno sob medida parado na porta.

— Camila... — minha voz saiu um pouco mais áspera do que eu planejava. Limpei a garganta, tentando recuperar o controle da minha própria mente. — Pode ficar com a minha tia por alguns instantes? Preciso falar com o senhor Foley.

Camila me deu um sorriso cúmplice, daqueles que tentam transmitir força, e assentiu rapidamente com a cabeça.

— Claro, Vic, vai lá. Pode ir tranquila. Eu vou cuidar de tudo por aqui com os meninos para ela ser transferida para a ala nova.

Hesitei. Cada fibra do meu ser, cada gota do sangue orgulhoso que corria nas minhas veias gritava para eu cuspir na cara de Adrian Foley que eu não queria um único centavo dele. Eu queria mandá-lo para o inferno.

Mas quando meus olhos inevitavelmente voltaram para a cama, e eu vi o rosto cansado da minha tia, marcado pelas linhas de uma vida inteira de sacrifícios por mim, o nó na minha garganta apertou. Marie me ofereceu um sorriso encorajador, fraco, mas cheio de um amor que dinheiro nenhum no mundo seria capaz de comprar.

Naquele momento, engoli o meu orgulho. Deixei que ele descesse queimando pela minha garganta como veneno. Adrian era um cretino, um monstro arrogante, mas, naquela fração de segundo, ele era a única salvação que eu tinha.

Me aproximei da cama, me inclinei e deixei um beijo demorado na testa da minha tia.

— Eu já volto, tia. Amo você.

— Também te amo, minha menina. Vá lá — ela sussurrou.

Endireitei o corpo, curvei os ombros e caminhei a passos firmes na direção da porta. Parei a poucos centímetros de Adrian, sentindo o perfume dele invadir minhas narinas e bagunçar meus sentidos.

— Vamos conversar — ordenei, sustentando o olhar azul e impenetrável dele.

Adrian apenas assentiu com um leve movimento de cabeça. Ele deu as costas e eu o segui pelo corredor movimentado. Sem dizer uma palavra, ele segurou a maçaneta do quarto vazio onde tínhamos brigado minutos atrás, empurrou a porta e verificou se continuava deserto. Ele fez um sinal com a cabeça para mim antes de ditar:

— Entra.

Soltei o ar pelo nariz, contendo a vontade de revirar os olhos, e entrei no cômodo frio. O clique da porta se fechando atrás de nós pareceu ecoar como o início de um julgamento. Girei os calcanhares, cruzei os braços firmemente contra o peito e o encarei com toda a audácia que consegui reunir.

— Posso saber como sabia que eu ainda estava aqui? E por que, diabos, você pagou a conta da minha tia?

Adrian deu dois passos lentos para dentro do quarto, mantendo uma das mãos elegantemente enfiada no bolso da calça. Ele retribuiu o meu olhar com a mesma intensidade, aqueles olhos azuis parecendo ler cada uma das minhas fraquezas.

— Pedi para o meu assistente pegar os seus dados no bar. O resto foi fácil — ele respondeu com uma naturalidade irritante, como se rastrear a vida de uma pessoa e invadir a privacidade dela fosse a coisa mais simples e normal do mundo.

Dei um passo na direção dele, estreitando os olhos. A proximidade me irritava, mas a dúvida me corroía ainda mais.

— Isso não responde à segunda pergunta. Por que pagou a conta da minha tia, Adrian?

O canto dos lábios dele se elevou em um sorriso debochado, o tipo de sorriso que me dava uma vontade genuína de estalar meus dedos contra o rosto dele outra vez.

— Achei que isso fizesse parte do acordo com o meu avô.

Fiquei estática. O ar pareceu faltar por um momento.

— E como você sabe do acordo com o seu avô se eu nem mesmo o aceitei? — perguntei, a desconfiança transbordando na minha voz.

— Depois que você saiu, eu falei com ele — Adrian respondeu, a voz gélida adotando um tom puramente profissional. — Voltei ao quarto dele, perguntei sobre você, sobre o que tinha acontecido e que ideia absurda era essa de casamento forçado. E o velho foi bem claro. Você o salvou. Ele se recusa a aceitar outra mulher a não ser você como neta. E, em troca, ele determinou que a sua tia precisava ter o melhor atendimento que o dinheiro pode comprar.

Dei uma risada seca, cheia de escárnio, medindo Adrian dos pés à cabeça.

— E você aceitou tudo numa boa? Assim, do nada? Depois de todas as ofensas que cuspiu na minha cara no hotel, depois daquela sua atitude de merda?

No mesmo instante, vi os maxilares dele se travarem. As mãos de Adrian se fecharam em punhos firmes ao lado do corpo, tensionando o tecido do terno. Ele estava visivelmente descontente, exalando uma fúria contida que faria qualquer outra pessoa recuar. Mas eu não recuei.

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