~ RENATA ~
Levei Bella para uma pizzaria depois que saímos da loja infantil.
Não era o lugar mais chique da cidade, mas era agradável o suficiente. Familiar. O tipo de lugar onde crianças podiam comer sem precisar se preocupar em ficar quietas demais.
Bella pediu uma pizza margherita individual e suco de laranja.
Observei-a comer devagar, usando garfo e faca com aquela concentração séria que crianças têm quando tentam fazer as coisas direito. Não era perfeito - alguns pedaços escorregavam, o queijo derretido complicava - mas ela tentava.
Bem-educada. Nico tinha feito um bom trabalho nisso pelo menos.
— Então — comecei casualmente, tomando um gole do meu suco — me conta uma coisa. Essa tia Bia que te deu o colar. Como você a conheceu?
Bella olhou para cima, um fio de queijo derretido ainda pendendo do pedaço de pizza.
— Ela ficou dodói — disse simplesmente.
— Dodói? — repeti, franzindo a testa.
— É — confirmou Bella, pegando o guardanapo para limpar a boca. — Ela caiu na escada lá de casa e bateu a cabeça muito forte. Aí o papai cuidou dela.
Interessante.
— E ela ficou muito tempo lá com vocês? — perguntei, mantendo o tom leve, curioso, maternal.
— Só até melhorar — disse Bella. — Porque ela não sabia nem onde era a casa dela. A nonna disse que foi por causa da cabeça.
Amnésia então. Ou algo parecido.
— Nossa, que assustador — comentei. — E seu pai cuidou dela esse tempo todo?
— Uhum — Bella pegou outro pedaço. — Ela ficou no quarto de hóspedes. A nonna Martina fazia comida especial pra ela. E o papai levava ela no médico.
Que conveniente. Uma mulher bonita, vulnerável, dependente completamente dele.
Claro que Nico tinha se apaixonado.
— E ela mora longe? — perguntei. — De onde ela veio?
— De Florença — respondeu Bella. — Mas agora ela vem toda semana ver a gente.
Florença.
Anotado mentalmente.
— Ela deve ser muito legal — disse, sorrindo. — Para você gostar tanto dela.
Bella sorriu também. Um sorriso genuíno que nunca via quando ela olhava para mim.
— A tia Bia é a melhor — declarou uma convicção infantil absoluta. — Ela brinca comigo. E me ensina coisas. E me leva para comer gelato.
Senti algo apertando no peito. Não era exatamente ciúmes. Era mais... frustração.
— Vocês parecem muito próximas — comentei.
— Somos — concordou Bella. — Ela vai ser minha nova mamãe.
Quase engasguei com o suco.
— O quê?
— Quando ela e o papai se casarem — explicou Bella como se fosse óbvio. — Aí ela vai morar com a gente sempre e eu vou ter uma mamãe de verdade que não vai embora.
A faca verbal foi tão precisa que doeu fisicamente.
— Vem — disse Nico, pegando a mochila e as sacolas de presentes dela. — Vamos para casa. Ainda tem lição para fazer.
Acompanhei os dois até o carro. Nico abriu a porta de trás, ajudou Bella a entrar, colocou o cinto de segurança nela.
Quando ele se endireitou, toquei levemente no braço dele.
— Escuta — comecei, baixando a voz para Bella não ouvir — eu só estou preocupada. Como mãe. Que a Bella esteja se envolvendo demais com essa sua... namorada.
Fiz uma pausa calculada.
— E se vocês terminam? E se ela se afasta e abandona a menina? Não sei se isso é certo para Bella, essa proximidade toda tão repentina.
Estava tentando investigar. Confirmar se o que Bella tinha dito era verdade. Se Nico realmente tinha intenções de se casar com essa tal de “tia Bia”.
Nico me olhou por um longo momento. Aqueles olhos verdes que um dia tinham me olhado com amor agora apenas refletiam algo entre pena e irritação.
— Isso não vai acontecer — disse simplesmente.
— E se acontecer? — insisti.
Ele sorriu. Não foi um sorriso feliz. Foi irônico. Amargo.
— Não vai — repetiu com certeza absoluta. — Mas se acontecesse, infelizmente, não seria a primeira vez de Bella lidando com abandono, não é mesmo?
Antes que pudesse responder qualquer coisa, ele deu a volta no carro, entrou no banco do motorista e ligou o motor.
Saiu sem olhar para trás.
Fiquei ali parada na calçada, observando o carro desaparecer na esquina.
Se Nico não queria falar, eu teria que investigar de outras formas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....