~ BIANCA ~
Na segunda-feira à tarde, eu voltei para a Bellucci como quem está retomando um pedaço de si.
Eu atravessei a entrada do prédio com a mesma postura que eu sempre tive, mas com uma diferença essencial: eu não estava mais tentando provar nada.
Durante semanas, eu tinha vivido com a sensação de que meu nome estava sendo usado como arma por gente que nunca me conheceu de verdade.
E a parte mais cruel disso é que a mentira sempre ganha mais espaço do que a normalidade.
O que dá manchete é “madrasta sequestradora”. O que dá clique é “escândalo”. O que rende comentário é a versão mais fácil de odiar.
Mas o que eu tinha agora era a parte que ninguém na internet consegue roubar: o famoso “quem me conhece sabe”.
E eles sabiam.
Sabiam de verdade.
Christian tinha conseguido domar o conselho do jeito que eu sabia que ele conseguiria: com fatos que não deixavam espaço para interpretação maldosa.
Ele colocou tudo sobre a mesa — literalmente — e, quando terminou, a narrativa da armação ficou tão evidente que até os mais cínicos tiveram que engolir o orgulho.
Houve uma nota na mídia.
Uma “retificação” que parecia importante no papel e pequena no mundo.
Porque, claro, a família feliz sempre ganha menos espaço do que o caos.
Mas eu não ligava.
Eu tinha coisas maiores para proteger do que a opinião de desconhecidos.
Ainda assim, eu não fui ingênua. Eu sabia que a tal “nota” não apagava semanas de insinuação. Ela só devolvia ao jogo uma coisa que eu sempre prefiro: um terreno de fatos.
O retorno ao cargo também não vinha com romantismo. Eu estava oficialmente de volta como COO. Mas eu precisei ajustar a dinâmica para caber na minha nova realidade. Trabalho metade presencial, metade remoto. Uma decisão logística, não política. Eu ia morar em Montepulciano, e isso significava organizar a semana com inteligência: presença suficiente para liderar, distância suficiente para viver. Era hora de manter a empresa respirando enquanto eu mantinha a minha casa inteira.
Quando eu subi para o andar executivo, o elevador me devolveu aquela sensação familiar: o corredor, o carpete, o cheiro de limpeza cara, o silêncio que sempre pareceu controle.
A porta do meu escritório estava fechada.
Meu nome ainda estava ali.
Eu segurei a maçaneta por um segundo antes de entrar, só para sentir.
Quando eu abri, encontrei Matheus sentado à mesa.
Não na cadeira principal.
Na de convidado.
O detalhe me fez sorrir antes mesmo de qualquer palavra.
Matheus levantou no mesmo instante em que eu entrei.
Ele tinha aquele jeito de homem que aprendeu a ser discreto até quando merece aplauso.
E, mesmo assim, os olhos dele estavam mais leves.
— Eu queria te devolver a coroa oficialmente — ele disse, com um sorriso que tinha humor e respeito na medida certa. — Simbolicamente, claro. Eu não comprei uma coroa.
Eu ri.
O riso saiu fácil, sem defesa.
— Ainda bem — eu respondi. — Seria um gasto desnecessário. Eu tenho um conselho inteiro para me lembrar do peso.
Ele riu também, e a sala pareceu menos sala e mais lugar.
— E eu aposto que você deve ter alguma no seu closet.
Fingi pensar:
— Talvez — respondi enquanto ríamos novamente.
Eu caminhei até ele e abracei.
Um abraço firme.
Sem aquela formalidade que o prédio costuma exigir.
Eu senti o corpo dele travar um segundo, como se ele ainda não tivesse se acostumado a ser… valorizado assim.
— Eu nunca vou poder te agradecer por tudo o que você fez por mim — eu disse, baixo.
Matheus respirou fundo.
Mia apontou para mim, como se me corrigisse.
— Não você — ela disse, e então sorriu para Matheus com uma intenção clara. — Ele.
Matheus piscou, pego.
Eu levantei uma sobrancelha.
— Ah — eu murmurei.
Mia deu de ombros, satisfeita.
Matheus passou a mão na nuca, disfarçando um constrangimento que eu achei quase divertido.
— Ah, é… claro — ele disse, como se tivesse acabado de lembrar de uma reunião marcada. — Até mais, Bia.
— Até — eu respondi. — Bom almoço.
Mia já estava saindo, esperando ele.
Matheus me deu um aceno e foi atrás dela.
Quando a porta fechou, o silêncio voltou.
Mas, dessa vez, não era um silêncio ameaçador.
Era um silêncio bom.
Eu caminhei até a minha cadeira.
A minha.
Sentei.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti sorrir sem pensar no que vinha depois.
Estava tudo bem em casa.
Estava tudo bem no trabalho.
E eu sabia, com uma certeza quieta, que aquilo era felicidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Olá, detesto ler, não gosto de nada que envolva Romance, mas quando eu vi o a sinopse desse livro pela primeira vez, eu fiquei fascinado gostei bastante do livro das histórias narradas, me fascinaram. Eu não tinha costume de ler porém esse livro me despertou bastante interesse em ler. E sinceramente um homem que não tem costume de ler, estar lendo um livro desse tipo, elogiando o enredo é porque o livro é muito bom....
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....