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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 726

~ NICO ~

A Tenuta tinha um som.

Não era um som único, daqueles que você reconhece de olhos fechados. Era um conjunto de ruídos pequenos que, juntos, viravam ritmo. O portão abrindo cedo, pneus na estrada de cascalho, passos apressados no corredor de serviço, o tilintar contido de louça na cozinha, a máquina de café trabalhando sem pausa. Madeira rangendo sob pés que já não andavam com cuidado, porque o lugar tinha deixado de ser obra e virado casa.

E tinha cheiro.

Café forte, pão aquecido, uva madura que insistia em morar no ar mesmo fora da época. Um perfume limpo de roupa recém-passada vindo de algum canto, o sabonete de hotel que Martina aprovou com uma seriedade de conselho administrativo. Eu atravessava o pátio e sentia, por baixo de tudo, o cheiro de pedra fria — aquele que sempre me lembrava que as paredes dali tinham história.

Quando eu cheguei à cozinha, a rotina já estava em movimento.

Uma das meninas da equipe alinhava bandejas, outra conferia uma lista com caneta na orelha. O forno soltava um calor que fazia o ar parecer mais denso. E Martina estava no centro de tudo sem parecer o centro de nada.

— Cappuccino duplo para o casal do quarto três — ela disse, sem olhar para mim. — E a família do sete pediu fruta sem mel. Sem mel, Nico. Eu sei que você acha que é frescura, mas é o que eles pediram.

— Eu não disse nada — eu respondi, abrindo a geladeira.

Martina me lançou um olhar divertido e eu sorri de volta.

— E não esquece: hoje chegam dois hóspedes mais cedo. Os de encaixe.

Eu peguei o celular no bolso e a tela já estava acesa com notificações.

Encaixe.

Essa palavra tinha virado uma coisa comum nas últimas semanas. Pessoas ligando, mandando mensagem, escrevendo e-mail, perguntando se havia “qualquer brecha”, “qualquer quarto”, “qualquer data”.

Eu fui até a bancada, peguei uma xícara e bebi um gole de café antes de olhar a agenda do dia.

Reservas fechadas pelos próximos seis meses.

Seis meses.

Ainda tinha uma parte de mim que achava que isso era uma mentira elegante.

Bianca dizia que eu precisava aprender a aceitar que, às vezes, as coisas dão certo sem te pedir permissão.

Eu olhei para Martina.

— A gente tá com tudo fechado até… — eu comecei, porque eu ainda precisava dizer em voz alta para acreditar.

— Até seis meses — ela completou, seca. — E se você não parar de fazer essa cara de susto, eu vou começar a cobrar ingresso para ver.

Eu ri de leve, mas o riso não me tirou a sensação de peso bom no peito.

A porta de serviço se abriu e Paola entrou com um carrinho.

— Nico, chegou a entrega do fornecedor de pães — ela avisou.

Meu primeiro pepino do dia veio no mesmo instante.

— Só que… — ela hesitou — veio errado.

Eu encostei a xícara na bancada.

— Errado como?

Ela apontou a nota.

— Vieram os integrais e os sem glúten. Cadê os comuns?

Eu fechei os olhos por um segundo.

Eu já imaginava os hóspedes reclamando do “pão rústico que vocês prometeram”.

— Me dá a nota — eu pedi.

Liguei para o fornecedor antes mesmo de terminar o café.

— Giovanni — eu falei quando ele atendeu. Minha voz carregava o aviso. — Você trocou o pedido.

Do outro lado, ele se defendeu, confuso, jurando que não.

Eu não discuti. Eu só fui direto.

— Eu tenho dois check-ins mais cedo hoje e a cozinha precisa do básico. Você manda o correto em uma hora, ou eu compro em outro lugar e você perde o contrato daqui para frente. Simples.

Um silêncio.

Depois o som de papel mexendo.

— Nico, eu… eu vejo aqui. Houve um erro no depósito.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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