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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 724

~ NICO ~

Nós quatro entramos no carro quase ao mesmo tempo.

Bella se jogou no banco de trás, escorregando pelo assento como se aquilo fosse um sofá de casa — mochila pequena no colo, cabelo ainda meio amassado de manhã e a empolgação sem filtro de quem não guarda ansiedade no corpo.

— Cinto — Martina avisou, automática, antes mesmo de sentar direito.

— Eu sei, vó — Bella respondeu, e fez o clique com um suspiro dramático só para performar que estava sendo “obrigada”.

Bianca fechou a porta do passageiro com cuidado e se ajeitou devagar, a mão indo para a barriga num gesto instintivo. Eu entrei do lado do motorista, coloquei a chave, e por um segundo fiquei só olhando para frente, sentindo o peso bom de ter todo mundo ali.

Eu dei a partida.

O motor pegou e, com ele, alguma coisa dentro de mim também.

Bianca olhou para o banco de trás — Bella já tinha esticado as pernas e estava balançando os pés no ar — depois olhou para mim, com um sorriso que parecia inocente demais para a mulher que ela era.

— Vamos precisar de um carro mais espaçoso em breve — ela comentou, casual, como se estivesse falando de trocar um sofá.

Eu nem tirei o olho do retrovisor.

— O quê? — respondi. — O meu dá conta.

Martina virou o rosto na minha direção com aquela cara de quem ouviu uma barbaridade.

— Larga de ser mão de vaca, Nico — ela soltou, sem cerimônia. — Logo, logo começam as vendas dos nossos produtos pela Bellucci. Investir no conforto da sua família é primordial.

Bianca riu, satisfeita.

— Martina não poderia estar mais certa.

Eu apontei com o queixo para as duas, fingindo indignação.

— Ei. Vão ficar todas contra mim agora?

Bella levantou a mão do banco de trás como se estivesse em sala de aula.

— Sim, papai. Eu tô do lado da vovó.

Bianca fez uma pausa teatral, como se estivesse “ouvindo” alguma coisa.

— Opa — ela disse. — A Chiara chutou. Tá concordando também.

E as três começaram a rir, como se tivessem ensaiado aquele coro a vida inteira.

Eu sacudi a cabeça, rendido, enquanto tirava o carro da vaga.

— Eu tô ferrado — declarei. — Cercado de mulheres temperamentais.

— Temperamentais é um elogio — Martina respondeu.

— É mesmo — Bianca confirmou.

Eu saí de Florença com o carro cheio de vozes.

A estrada até Montepulciano sempre teve algo de solene para mim. Não por ser bonita — e era — mas porque era um caminho que eu conhecia com o corpo. Curvas que eu fazia sem pensar, colinas que eu reconhecia pelo cheiro. Só que, naquela manhã, eu não estava sozinho com a paisagem.

Eu estava levando a minha família.

Quando finalmente entramos em Montepulciano, eu senti uma pressão no peito que eu não soube nomear.

A Tenuta apareceu no final de uma estrada de terra como se tivesse sido colocada ali para provar um ponto.

As obras estavam finalizadas.

Não havia mais entulho, não havia barulho de martelo, não havia improviso. As paredes estavam limpas, as janelas instaladas, o pátio organizado. O lugar parecia pronto para receber vida.

Dante estava lá.

Encostado em um carro, com aquele sorriso de quem se diverte até quando está trabalhando. Ao lado dele, Paola conversava com um dos funcionários, a prancheta na mão, o cabelo preso num coque que parecia feito às pressas e, mesmo assim, elegante.

Eu reparei no jeito como Dante olhou para ela antes de olhar para mim.

Não foi um olhar de amigo.

Foi um olhar que demora um segundo a mais do que deveria.

Eu desci do carro e fechei a porta com calma.

Dante abriu os braços num gesto teatral.

— Bem-vindos ao império Montesi versão “sem poeira” — ele anunciou.

Paola revirou os olhos.

— Ele tá insuportável desde que terminaram — ela comentou.

— Eu sou um homem que aprecia arte — Dante respondeu.

Paola soltou um riso pequeno, contrariada.

Eu olhei para Bianca.

Ela fez um aceno mínimo, como quem diz: eu vi.

E, por um instante, eu senti uma diversão genuína. Uma leveza simples, dessas que a gente esquece que existe.

Martina desceu do carro devagar.

Ela ficou parada diante da Tenuta como se estivesse revendo a própria juventude. Eu vi os olhos dela brilharem, e vi a mão dela apertar a bolsa contra o corpo, tentando segurar a emoção no lugar.

— Está linda — ela disse, baixinho.

Bella não esperou cerimônia.

Ela saiu correndo.

— Eu vou ver! — ela gritou, como se fosse dona da casa.

Bianca tentou chamá-la para ir devagar, mas Martina já estava rindo.

— Deixa — Martina disse. — Ela precisa correr.

Eu entrei atrás das duas.

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