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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 119

Marcelo ainda não confiava no que os próprios olhos viam. Mesmo depois de encarar o perfil dela, mesmo depois de sentir o nome preso na garganta, parte dele insistia que era mais uma armadilha da memória. Um truque cruel da saudade.

— Marcelo, o que houve?— Thomas perguntou.

Ele pegou outra taça de champanhe da bandeja de um garçom que passava, mais para ocupar as mãos do que por vontade de beber, e começou a caminhar em passos hesitantes na direção dela.

Thomas e Alan se olharam por um momento. Eles seguiram Marcelo e viram Milena.

— Caramba, é ela.— Alan afirmou.

Milena conversava com um casal amigo de Bruno. Sorria com educação, mas não estava realmente ali. Sua mente ainda tentava processar as palavras da filha.

Foi então que viu, não diretamente, no vidro espelhado de uma das colunas decorativas do salão. O reflexo. Alto. Ombros largos. Terno escuro. O jeito de andar que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo.

O coração dela disparou de forma violenta. O ar faltou. Os olhos encheram de lágrimas antes que ela pudesse impedir.

— Marcelo...— murmurou.

Seu nervosismo aumentou quando sentiu que ele estava vindo na direção dela. O sangue sumiu do rosto. Ela ficou pálida. O casal à sua frente ainda falava, mas as palavras se tornaram ruído distante.

Bruno percebeu antes mesmo de olhar para trás. Ele sentiu a mudança no corpo dela. O enrijecer súbito. A respiração irregular. Virou o rosto discretamente. E viu Marcelo se aproximando. Um sorriso quase imperceptível surgiu em seus lábios. Sem pedir permissão, colocou a mão na cintura de Milena. Não foi um gesto leve. Foi possessivo e invasivo demais.

Milena se assustou com o toque. O corpo paralisou por um segundo. Ela tentou afastar a mão, mas o gesto já tinha sido visto.

Seu pensamento foi imediato e desesperado:

"Se ele me vir assim… Se Marcelo acreditar que eu…"

O pânico tomou conta dela, pensando na dor que ela sabia que ele sentiria.

Antes que Marcelo chegasse a poucos passos, Milena se desvencilhou bruscamente.

— Eu… preciso ir ao banheiro. — murmurou para o casal, sem olhar para ninguém.

Saiu rápido. Bruno deixou que fosse. Observou Marcelo se aproximar. E deu dois passos à frente, parando exatamente no caminho dele. Bloqueando.

Marcelo parou. Os olhos não estavam mais confusos.

Estavam duros.

— Quem é ela? — perguntou, direto.

Bruno inclinou levemente a cabeça, como se ponderasse se deveria responder.

Depois sorriu.

— Uma acompanhante de luxo.

A frase caiu entre eles como uma lâmina.

Marcelo não reagiu de imediato, ele estreitou os olhos fingindo não se importar, mas por dentro, algo rasgou. Porque, por um segundo, ele achou que viu o reflexo dela no vidro.

Ele conhecia Milena, conhecia o orgulho, conhecia a força e os limites. E aquilo doía pela confirmação de que aquela mulher não podia ser ela. Era só mais uma ruiva parecida.

Marcelo deu um passo para o lado, como se fosse passar por Bruno. Mas parou. Olhou mais uma vez na direção por onde ela havia saído.

O instinto gritava, o coração implorava, mas a razão venceu. Se fosse Milena ele acreditava que ela teria ficado. Ela teria dito algo, não teria fugido de novo.

Ele respirou fundo.

— Boa festa. — disse, frio.

E virou-se. Bruno o observou se afastar, satisfeito com o estrago invisível que havia causado.

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