Marcelo sorriu. A mão que estava na cintura dela subiu devagar, firme, até envolver a nuca de Milena. Ele baixou o rosto até quase encostar os lábios nos dela, mas parou. A poucos milímetros. O suficiente para que ela sentisse o calor da respiração dele contra a boca entreaberta.
— O que está me impedindo? — murmurou ele, a voz rouca, quase quebrada. — Nada. Eu imaginei esse momento mil vezes. Queria falar, explicar, pedir perdão... Mas agora... agora eu só consigo pensar em te ter nos meus braços de novo.
E sem dizer mais nenhuma palavra ele a beijou.
Não foi um beijo apressado. Foi lento no início, quase hesitante, como se ele precisasse se convencer de que ela ainda estava ali, realmente nos braços dele. Seus lábios tocaram os dela com uma delicadeza que contrastava com os anos de ausência, um roçar suave, um suspiro compartilhado. Mas logo a saudade venceu: o beijo ganhou profundidade, tornou-se faminto.
A língua dele encontrou a dela com carinho urgente. As mãos subiram até o rosto dela, segurando-a, os polegares traçando as maçãs do rosto molhadas de lágrimas que nenhum dos dois percebeu cair.
Milena gemeu baixinho contra a boca dele, um som que misturava alívio e emoção. Suas mãos subiram instintivamente até os ombros largos, agarrando o tecido da camisa.
Os dedos dele se entrelaçaram nos cabelos da base da cabeça, puxando levemente para trás. O gesto a obrigou a erguer o queixo, expondo a linha vulnerável da garganta.
— Não me afaste mais...— ele murmurou, voltando a beijá-la.
— Eu não vou.— respondeu separando o beijo por um curto momento.— Para mim também foi difícil. Cheguei a tentar te esquecer mil vezes... mas cada música, cada dança... cada momento sozinha no escuro do meu quarto... era você que eu via na minha cabeça.
Marcelo a puxou ainda mais contra si, o braço livre descendo pelas costas até agarrar a curva sua cintura. Apertou com força, erguendo-a ligeiramente do chão, obrigando-a a se apoiar nas pontas dos pés. Os saltos a deixavam na altura perfeita para que ele pudesse pressionar o quadril contra o dela e deixar que ela sentisse, sem qualquer disfarce, o quanto estava duro por causa dela.
— Três anos, amor. Três anos carregando esse medo, raiva, saudade. Revirando o país inteiro atrás de você... e fui te encontrar logo aqui… — murmurou ele contra a boca dela, mordendo de leve o lábio inferior antes de puxar. — dançando dessa forma…— ele apertou a mão em punho.— Caramba! Só de pensar aqueles homens te olhando com desejo, tentando te tocar... me deixa louco…
— Sabe o que é isso que você está sentindo?— Ela perguntou dando um beijo de leve nele.— Ciúmes...— provocou com um sorriso.
Marcelo deslizou o polegar nos lábios dela e sorriu.
— Pelo jeito você está adorando o que isso me provoca.
— Amando. E bom ver que o senhor De Valliére também perde o controle.
De repente, ele a girou, as costas dela coladas no peito dele. Uma mão subiu até envolver a garganta com delicadeza, sentindo a pulsação acelerada. A outra desceu pela frente do vestido, roçando a coxa nua, subindo devagar até parar na borda da renda da calcinha.

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