Marcelo travou o maxilar. Seus olhos foram para Milena e, em seguida, ele soltou a mão dela. O gesto foi pequeno. Mas pareceu rasgar algo dentro dela.
— Amor…? — a voz saiu em um sussurro frágil.— Você não vai fazer isso comigo... não vai?
Ele passou a mão pelo rosto em silêncio, como se tentasse organizar os próprios pensamentos. Então se virou para Álvaro. O silêncio entre os três parecia pesado demais.
— O senhor tem todo o direito de estar com raiva. E de me pedir isso. — disse Marcelo, finalmente.— Eu sei que falhei com a sua filha. Sei que errei em muitas coisas.— O olhar dele deslizou até Milena por um instante. As lágrimas ainda escorriam pelo rosto dela. — Mas existe algo que o senhor precisa entender.
Álvaro cruzou os braços, seu rosto estava sério, o olhar endurecido.
— E o que seria?
Marcelo respirou fundo e virou ligeiramente o rosto para ela.
— Eu amo a sua filha. Amo há muito tempo.— A frase saiu firme.— Não como parte de um contrato. Não como parte de um erro. Eu amo Milena de verdade.
Álvaro balançou a cabeça lentamente.
— Amor não apaga o que foi feito. Não apaga os momentos que minha filha passou nas suas mãos.
— Eu sei que não.— respondeu Marcelo tentando falar o mínimo para que aquilo não se tornasse em uma discussão.— Mas pode mudar o que vem depois.
O silêncio voltou a cair sobre eles. Milena apertou as mãos, tentando conter o choro.
— Pai… para com isso. Já faz tanto tempo. Pensa nas crianças. Em como foi difícil para ele não ver eles crescerem... — ela murmurou.
Álvaro não desviou o olhar de Marcelo.
— Você vai continuar defendendo esse cara depois de tudo que ele te fez passar? — perguntou ele.
Marcelo manteve a postura firme.
— Eu vou ser direto com o senhor. Eu não quero e não vou me afastar dela.
Álvaro estreitou os olhos.
— Então você não entendeu o que eu disse. Isso prova que esse amor nunca foi real.
— Entendi perfeitamente.— Marcelo deu um passo à frente. — O senhor quer proteger sua filha. E tem razão em tudo que falou. Eu errei e não vou fugir das consequências. Mas tudo isso que está acontecendo lá fora… a exposição, os jornalistas… não vai desaparecer se eu simplesmente virar as costas e for embora.
Álvaro permaneceu em silêncio.
— Só vai piorar. — continuou Marcelo. — Porque o mundo vai assumir que tudo o que disserem é verdade. Mesmo que não seja. Eu só peço. Me dê uma chance para resolver tudo isso.
Álvaro soltou um riso curto.
— Uma chance? E quantas chances você já desperdiçou?
— É só isso que eu peço. Uma única chance.
O olhar de Álvaro endureceu.
— E como pretende resolver?
— Eu vou fazer essa história desaparecer.
Álvaro arqueou uma sobrancelha, claramente incrédulo.
— E como pretende fazer isso? Já saiu no jornal, redes de fofocas, na Internet. Você tem poder, Marcelo, mas não pode controlar tudo.
Marcelo não hesitou.
— Eu posso. Isso eu garanto.
Álvaro o observava com atenção agora.
— E você realmente acha que consegue fazer isso?
Marcelo sustentou o olhar dele.
— Tenho certeza.
Marcelo assentiu novamente.
— Entendido.
Álvaro virou a cadeira e começou a subir lentamente pela rampa que levava até a entrada principal da mansão.
Lívia apareceu na porta para ajudá-lo, mas ele continuou sozinho. Sem olhar para trás. A porta da mansão se abriu. E segundos depois se fechou atrás dele. O som seco ecoou no silêncio do jardim.
Milena não conseguiu segurar mais, o choro veio doloroso, pesado, sem controle. Ela se abaixou, as pernas perdendo as forças, a mão foi para seu peito como se tentasse impedir que a dor aumentasse.
— Isso não pode estar acontecendo … — ela disse, com a voz quebrada.
Marcelo se aproximou dela imediatamente. Sem dizer nada, a puxou para cima e a envolveu em seu abraço.
Milena enterrou o rosto no peito dele, tentando abafar o choro.
— Está tudo dando errado... — murmurou ela.
Marcelo segurou o rosto dela com cuidado, fazendo Milena olhar para ele.
— Confia em mim, amor. Eu não vou te perder. Se tudo der errado, a gente foge para bem longe.
Ela respirou fundo e um riso fraco surgiu.
Marcelo deu um beijo demorado na testa dela, em seguida a soltou devagar. Então tirou o celular do bolso. A expressão que antes era de medo, agora havia mudado completamente. Uma sombra fria cruzou seu rosto.
Ele levou o telefone ao ouvido. A ligação foi atendida no segundo toque.
Marcelo então falou.
— Alan… solta os vídeos, agora!
E desligou.

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