Minutos depois Milena saiu do banheiro após um banho rápido já vestida com a lingerie. Marcelo estava de pé, próximo ao closet, com o celular deixado de lado e a atenção toda voltada para ela.
— Vem, aqui. — disse, abrindo a porta do armário.
Ele passou os dedos pelos cabides até parar em um vestido longo, vermelho escuro. Tinha um corte limpo, tecido leve e uma fenda elegante na lateral.
— Veste esse. — decidiu, estendendo a peça para ela.
Milena pegou o vestido e vestiu com calma, puxando o tecido pelo corpo. O vermelho contrastava com a pele clara.
— Vira. — Marcelo disse e se aproximou por trás quando ela ainda ajustava a barra.
Ela obedeceu. Ele segurou o zíper e fechou devagar, os dedos roçando de leve nas costas dela. O gesto era preciso, atento. No espelho à frente, os dois se encaravam pelo reflexo.
— Você ficou ainda mais linda.— continuou, e ela sorriu um pouco tímida. Marcelo tirou do bolso uma caixinha de veludo, dentro dela tinha um colar de pérolas.— Tenho um presente.
Ela prendeu o cabelo de lado. Marcelo colocou o colar, os dedos tocando a base do pescoço antes de fechar o fecho. O toque foi rápido, mas o arrepio ficou visível em sua pele.
Os olhos deles se encontraram outra vez no espelho. Milena respirou fundo e se virou de frente para ele.
— Marcelo… queria te perguntar algo que não sai da minha cabeça... — começou, hesitante. Marcelo a ouviu com atenção.
— Não precisa ter medo de perguntar o que quer. Não sei se já percebeu, mas eu não mordo.— sua voz soou calma e baixa.
Ela deu um passo para trás, cabeça ainda erguida, olhos fixos nos dele.
— Entre tantas mulheres... — ela continuou sem saber se devesse continuar a falar. — Por que me escolheu?
Marcelo manteve o olhar fixo nela, seu rosto relaxado passou a ser sério demais.
Milena engoliu em seco e completou, quase sem voz:
— É por causa da semelhança entre mim e sua noiva? — fez uma pausa curta. — Eu realmente me pareço com ela?
O silêncio que se seguiu foi pesado o suficiente para ela se arrepender de ter tocado no assunto.
— Te espero no carro! Não demore. — foi a única coisa que Marcelo disse antes de virar as costas e sair.
O trajeto até o restaurante foi curto demais para o peso que se instalou dentro do carro. A cidade passava pelas janelas, luzes borradas pela velocidade constante, enquanto Marcelo mantinha os olhos fixos na rua, as mãos firmes no volante.
Milena respirou fundo, reunindo coragem.
— Você… ficou bravo comigo? — perguntou baixo. O silêncio pesado veio como resposta. Ela engoliu em seco, o coração apertando.— Desculpa… eu não devia ter perguntado.
Marcelo continuou dirigindo, o maxilar tenso, o rosto fechado. A ausência de palavras a deixou inquieta. Cada segundo parecia maior.
Quando estacionaram, ele desligou o motor, saiu primeiro e abriu a porta para ela. Milena desceu ajustando o vestido sem perceber que seus gesto eram automáticos.
Antes de entrarem, Marcelo parou. Pegou a mão dela e entrelaçou os dedos nos seus com firmeza. O toque era seguro, quase um aviso. Ele a puxou levemente para perto e a encarou nos olhos.

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