Marcelo sorriu de lado, um sorriso quase imperceptível. Mas Milena percebeu assim que seu lábio se curvou.
— Parece que eu te deixei muito à vontade, senhorita Carlson… — disse ele, com a voz baixa. — Está até criando coragem para me desafiar.
Milena sentiu o peso da frase, mas não desviou o olhar. Por dentro, tudo nela tremia. O coração batia rápido demais, as mãos pediam para recuar. Ainda assim, permaneceu sustentando aquela nova versão de si mesma que mal reconhecia.
— Talvez eu só esteja seguindo seus conselhos. — respondeu, com um sorriso discreto, quase provocador.
Marcelo inclinou a cabeça, claramente interessado.
— Não sei o que aconteceu com você… — murmurou. — Mas estou gostando dessa nova versão.
Milena sentia o calor da respiração dele, o perfume discreto que sempre a confundia invadiu seu interior.
Marcelo se inclinou devagar, sem pressa. O olhar dele desceu até os lábios dela e permaneceu ali por segundos longos demais para serem ignorados. A distância entre os dois diminuiu até quase desaparecer.
Milena sentiu o corpo responder antes da mente. Ela não recuou de imediato. Permaneceu ali, presa naquele instante. Quando ele estava pronto para beija-la, Milena levantou a mão e com calma, tocou os próprios lábios com a ponta do dedo indicador, interrompendo o movimento dele.
— Se não precisa de mais nada… — disse, a voz firme demais para quem estava por dentro prestes a ceder. — Vou voltar para a aula.
Marcelo parou. O sorriso de lado voltou, ainda mais discreto, como se estivesse realmente se divertindo com aquilo.
— Vá. Mas saiba que isso não vai ficar assim. — respondeu apenas.
Milena passou por ele sem olhar para trás. Abriu a porta e saiu, fechando-a atrás de si com cuidado para não bater. Os passos pelo corredor foram rápidos, quase apressados demais para manter a compostura.
Assim que virou o corredor, longe da porta do escritório, encostou as costas na parede. A mão foi direto ao peito. O coração parecia querer sair pela garganta. As pernas ficaram fracas, e ela precisou respirar fundo algumas vezes até conseguir se manter de pé. As mãos tremiam, agora sem disfarce.
—Meu Deus ... o que deu em mim? — murmurou para si mesma, em voz baixa. — Agora sim... ele vai me mandar embora de vez. Aquele maldito sorriso... deixou claro, que eu estou ferrada...
A confiança que exibia minutos antes havia desaparecido. No lugar dela, restava o receio das consequências dos seus atos. A certeza de que talvez tivesse ido longe demais.
Por um segundo, pensou em voltar. Bater na porta. Dizer que não queria desafiar ele. Que só estava brincando ou pelo menos tentado.
— Se eu fizer isso estou acabada...— resmungou.
Ela endireitou o corpo, respirou fundo mais uma vez e seguiu em direção à sala de aula.
Durante o restante da noite conseguiu se concentrar apenas o suficiente para não levantar suspeitas. Anotou o que precisava, respondeu quando foi chamada, Gregory sempre puxava assunto, respondia sempre com educação, mas a mente estava longe, pensando em Marcelo. No sorriso que mexia no fundo do seu peito.
Quando as aulas terminaram, seguiu para o estacionamento como fazia todos os dias. Devil já a aguardava ao lado do carro.
— O senhor Marcelo pediu para avisar que vai demorar hoje. — disse ele. — Surgiram alguns problemas.
Milena assentiu um pouco aliviada e frustrada ao mesmo tempo.
— Devil… você pode me levar até o meu pai? — pediu, após alguns segundos. — Preciso levar os remédios da pressão que a enfermeira disse que havia acabado.
Ele a olhou por um instante, avaliando, mas não questionou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário