O consultório pareceu menor depois daquelas palavras. Sophia ainda conseguia ouvir o som ecoando na cabeça dela, se repetindo devagar, ocupando espaço demais dentro do peito.
A mão de Hugo segurava a dela com firmeza. Ele percebeu a mudança no rosto dela no mesmo instante em que a respiração dela mudou.
— Sophia… — ele chamou baixo.
Ela piscou, desviando o olhar da tela.
— Eu só preciso sair daqui... — disse, devagar sem encarar ninguém.
A médica continuou explicando detalhes técnicos, apontando medidas, falando sobre desenvolvimento, mas Sophia já não acompanhava. Cada palavra parecia distante, sem peso.
Ela assentiu algumas vezes, respondeu o mínimo necessário e, quando finalmente foi liberada, se levantou com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar algo dentro dela.
No corredor, o silêncio veio pesado.
Richard caminhava ao lado deles em silêncio, mas havia expectativa no olhar.
Hugo manteve o ritmo ao lado de Sophia, observando cada detalhe sem invadir.
— Quer ir de carro? — Hugo perguntou.
Ela negou com a cabeça.
— Não... quero ir andando.
Richard encarou Hugo e ali viu que ele também percebeu a mesma coisa que ele.
— Vou resolver algumas coisas, Sophia e depois vou no apartamento falar com você.
Sophia concordou sem olhar para ele. E então seguiu.
O ar do lado de fora bateu no rosto dela com mais força. Ainda assim, foi melhor do que ficar ali dentro. O movimento da rua, as pessoas tudo ajudava a tirar o peso daquele ambiente fechado.
Eles caminharam em silêncio por alguns minutos.
Hugo não apressou as coisas, era como se ele dissesse mesmo em silêncio que estaria ali para o que der e vier.
Sophia mantinha os braços cruzados, o olhar perdido à frente. A cabeça cheia demais para organizar qualquer pensamento.
"Não era para estar me sentindo assim."
A frase invadiu seus pensamentos. Ela apertou os lábios. E lembrou que era só um contrato. Ela repetiu isso tantas vezes que acreditou que seria suficiente. Mas agora ela entendeu que não era.
Ela respirou fundo, diminuindo o ritmo dos passos.
— É só… — começou, mas parou.
Hugo virou o rosto na direção dela.
— O quê?
Sophia passou a mão pelo cabelo, nervosa.
— Eu achei que fosse mais fácil fingir que... eu não amo essa criança.
A sinceridade veio sem filtro. Hugo se espantou em ouvir.
— Eu sei que não está sendo. Por isso preciso saber para não ckmeter um erro. Você ai falar para o senhor Richard? — perguntou com calma.
Ela soltou um riso fraco, sem humor.
— Não. Eu vi a multa de quebra de contrato. Nem se eu vendesse minha alma conseguiria pagar.
Ele apertou os lábios e olhou para os próprios pés. Sem dizer mais nada continuaram andando.
Sophia levou a mão até a barriga em um toque leve, quase cuidadoso demais. Quando notou o que estava fazendo tentou afastar, mas hesitou no meio do caminho.
Fechou os olhos por um segundo e abriu rápido.
— Hugo...— ela o chamou e ele virou o rosto.— Se importa de ir embora sozinho? Eu preciso de um tempo para pensar. — disse de repente, parando de andar.
— Claro. Eu vou estar com o celular ligado. Qualquer coisa me liga que vou até você.

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