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Contrato de Barriga de Aluguel para o Bilionário romance Capítulo 36

Milena fechou a mão em punhos, mas a olhou com serenidade, o rubor subindo levemente à face.

—Acredito que isso seja um elogio. Obrigada. Você também está vestida para impressionar. Esse preto de viúva cai bem em quem sabe usá-lo como armadura.

Um sorriso abafado veio de um grupo próximo; uma mulher de cabelos prateados comentou baixinho:

— Ela devolve na mesma moeda. Adoro.

Katherine sorriu, mas seus olhos brilhavam com veneno, como esmeraldas envenenadas.

— Diga, Milena... já decorou todos os quadros da casa? Ou ainda se perde tentando lembrar qual porta não deve abrir? Talvez a do quarto onde minha irmã guardava seus segredos mais íntimos. Tenho certeza que Marcelo mantém intocado.

Milena sustentou o olhar, mas não conseguia esconder a tensão.

— Ah, eu sou boa com limites. Diferente de quem ultrapassa os próprios para medir a dor do outro. Ou será que é inveja de ver o que não pode mais ter com outra?

Alguns ao redor engoliram seco. Por mais calmante soasse a voz delas, a provocação estava visível em cada palavra, em cada sorriso torto.

Katherine arqueou uma sobrancelha, o colar de pérolas reluzindo sob a luz.

— Marcelo é... peculiar. Gostava de mulheres discretas, elegantes, cultas. Sabe? Como minha irmã. Mas parece que seu gosto mudou, o nível dos seus interesses caiu bastante. — ela riu com desdém, o som ecoando como vidro rachando. — Talvez ele esteja apenas entediado. Ou compensando o que perdeu em noites solitárias.

— Pode ser. Mas mesmo entediado... ele escolheu a mim. — Milena disse sem vacilar, dando um passo à frente, a taça ainda na mão, os olhos firmes e o coração acelerado. — E não importa quantos diplomas, joias ou sobrenomes alguém tenha... ninguém supera o que não está mais presente. Só aceita e segue. Ou fica presa, como um fantasma empoeirado.

Katherine endureceu o maxilar, as veias pulsando sutilmente no pescoço.

— Você não é digna de ser substituta da minha irmã, não passa de uma atriz barata. Que está fingindo ser quem não é. Todos aqui sabem. Até você sabe. Marcelo pode sorrir, te exibir, até te vestir como uma boneca… mas em seis anos, ele nunca superou minha irmã. E jamais vai. Ele ainda guarda o anel dela na gaveta, não guarda? Ama o vestido vermelho que fica entre as roupas dele. Até mesmo o livro favorito dela, ele deixa exatamente onde ela colocou, na mesa de cabeceira do lado da cama dele.

Do fundo do salão, um aplauso discreto ecoou, seguido de outro. O avô de Marcelo, sentado em uma poltrona de veludo com sua bengala elegante, sorria com os olhos cheios de uma verdade silenciosa. Ele sabia quem era Kethelyn, o fantasma que pairava. Sabia o que havia por trás daquela máscara de boa menina. Olavo sabia muito mais que devia.

Mas Marcelo estava cego demais para ver. Ou talvez via e não se importava.

— Essa garota tem coragem!— murmurou Olavo para si mesmo, batendo a bengala no chão em aprovação sutil.

O som abafado das taças, dos risos forçados e da música clássica ecoava distante, como um fundo para cena que desenrolava diante de todos. Katherine bateu palmas e soltou uma gargalhada exagerada, o som cortante ecoou pelo salão.

— Bonito o papel de substituta que você interpreta. Mas não se engane, querida. Nenhum vestido bonito apaga o fato de que você é só a sombra de outra.

Ela deu um passo à frente, o olhar cravado em Milena, o veneno subindo um tom.

— Uma cópia barata, esperando o original voltar à cena. Você sempre será isso, uma substituta! E não se engane em pensar que quando ele sorri é por sua causa, ele vê minha irmã em você. Não sei ainda como você pode se parecer tanto com ela, mas ele só te escolheu por causa disso. Por causa dessa absurda semelhança. Nada mais!

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