“Algumas noites não terminam ao amanhecer… elas continuam no jeito como você passa a olhar para a pessoa no dia seguinte.”
Clara não precisava dizer nada. O jeito como caminhava já entregava tudo. E, pelo modo como Adrian não conseguia parar de olhar para ela, ficava ainda mais claro que aquela noite tinha mudado alguma coisa.
O sol já estava alto quando Clara apareceu no caminho que ligava a praia à piscina, andando devagar, com movimentos soltos, carregando uma preguiça que não vinha apenas do cansaço, mas de uma noite claramente intensa. Seus cabelos ainda estavam levemente úmidos e grudavam na pele aquecida pelo sol, e um sorriso discreto surgia de vez em quando em seus lábios, quase sem que ela percebesse.
Alguns passos atrás, Adrian vinha tentando sustentar uma expressão neutra, mas falhando de forma quase constrangedora, porque o olhar insistia em voltar para ele, demorando mais do que deveria, como se ainda estivesse revivendo cada detalhe da noite anterior enquanto mantinha as mãos nos bolsos, numa tentativa inútil de recuperar algum tipo de controle.
Clara percebeu, mas, em vez de comentar, apenas deixou que um sorriso lento e malicioso surgisse no canto da boca, enquanto diminuía o ritmo dos passos de propósito, só para sentir o efeito que aquilo causava.
Quando chegaram à área da piscina, Beatrice já estava acomodada em uma das espreguiçadeiras, com óculos escuros cobrindo os olhos, mas o sorriso nos lábios denunciava que ela não só havia notado a chegada dos dois, como também estava esperando por aquilo.
Ela abaixou os óculos devagar, analisando Clara de cima a baixo, depois lançou um olhar rápido para Adrian, que desviou imediatamente, e então voltou para Clara com um sorriso aberto, sem a menor intenção de disfarçar o que estava pensando.
— Pelo olhar dos dois… — começou, cruzando as pernas com elegância e inclinando levemente o corpo para frente — não foi só um passeio na praia, foi?
Adrian soltou um riso curto, claramente sem saber onde enfiar as mãos, passando os dedos pela nuca em um gesto automático enquanto evitava encarar qualquer uma das duas.
— Vocês me dão licença, eu tenho que….
Interrompeu a frase antes de virar as costas e caminhar em direção à casa, praticamente correndo.
Beatrice acompanhou o movimento com os olhos até ele desaparecer pela porta, e só então voltou a atenção para Clara, retirando completamente os óculos dessa vez.
Clara soltou uma gargalhada, pegou um copo e serviu o suco com calma, levando o copo aos lábios antes de se sentar ao lado de Beatrice com um sorriso satisfeito.
— Minha amiga… — disse, inclinando levemente a cabeça — se você soubesse o que rolou, ficaria com inveja.
Beatrice abriu um sorriso imediato, interessada.
— Então você desmontou o Adrian? — perguntou, sem qualquer filtro, com um brilho divertido nos olhos.
Clara levou o copo aos lábios, tomando um gole antes de responder, deixando o silêncio se alongar de propósito, só para aumentar a curiosidade.
— Sinceramente? — disse por fim, com um sorriso preguiçoso — eu entrei achando que ia brincar com ele, mas no final, quem saiu desmontada fui eu.
Beatrice arregalou os olhos, incrédula.
— O Adrian? — perguntou, quase rindo. — Não é possível.
Clara virou o corpo na direção dela, apoiando o braço na espreguiçadeira, com um olhar carregado de cumplicidade.
— Pois acredite — respondeu, sem hesitar — porque aquele ali…
Ela fez um gesto sutil com o queixo na direção por onde ele tinha ido.
— Só tem cara de santo. Mas quando resolve agir… — o sorriso dela se aprofundou — é uma máquina.
Beatrice não conseguiu se segurar.
Gargalhou alto, jogando a cabeça para trás, enquanto Clara a acompanhava, rindo com a mesma intensidade, completamente à vontade.
— Eu sabia! — disse Beatrice entre risadas. — Esses quietinhos são sempre os piores!
— Os melhores, você quis dizer — corrigiu Clara, erguendo a sobrancelha com um sorriso cheio de segundas intenções.
Beatrice estreitou os olhos, divertida.
— Se um dia eu terminar com o Lucca, vou testar essa teoria.
— Recomendo — Clara respondeu sem perder o tom — mas esse quietinho, eu não pretendo deixar escapar tão cedo…
As duas riram de novo, agora com um tipo de cumplicidade que se constrói rápido quando o assunto é exatamente esse.
Foi então que Beatrice mudou levemente a postura, inclinando o corpo mais perto, diminuindo o tom de voz, mas não o interesse.
— E a Dayse? — perguntou, observando Clara com atenção. — Saiu daquele quarto?
Clara franziu levemente a testa, olhando na direção da casa, enquanto Beatrice sorria de um jeito diferente dessa vez, menos malicioso… e mais consciente.
— Não — respondeu, apoiando o queixo na mão. — E agora o meu primo está lá com ela.
Clara voltou o olhar imediatamente.

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