“O desprezo de um homem apaixonado quase sempre machuca mais do que a própria rejeição.”
Stephanie Seymour ainda sustentava o sorriso elegante nos lábios, mas pela primeira vez desde que se aproximou de Edward Fitzgerald começava a perceber uma verdade desconfortável demais:
Ela já não era a mulher controlando aquela conversa.
O silêncio continuava pesado ao redor dos quatro enquanto a música suave do evento seguia preenchendo discretamente o salão luxuoso da Fundação Fitzgerald, mas honestamente? O verdadeiro problema naquele momento não era mais a entrevista, o flerte cuidadosamente escondido atrás de perguntas profissionais ou sequer o desconforto evidente de Dayse.
O verdadeiro problema era que Edward Fitzgerald continuava olhando para Dayse.
Os olhos azuis permaneciam presos nela enquanto observavam cada microexpressão cuidadosamente escondida atrás daquela postura elegante e fria que Dayse costumava sustentar sempre que alguma coisa a atingia mais profundamente do que gostaria de admitir.
Edward percebeu o jeito como os dedos dela apertavam a taça de champagne com força demais, a forma como o maxilar permanecia discretamente tensionado e principalmente o instante exato em que ela desviou os olhos numa tentativa silenciosa de fingir que aquilo não estava mexendo com ela.
E ele não gostou de nada disso.
Stephanie ainda aguardava uma resposta enquanto sustentava o sorriso sofisticado nos lábios, completamente confiante de que homens como Edward Fitzgerald normalmente aceitavam convites femininos daquele tipo sem muita resistência.
Mas Edward não respondeu imediatamente.
Ele apenas ergueu discretamente uma das sobrancelhas diante da sugestão da jornalista, como se aquele tipo de aproximação exageradamente ensaiada já tivesse deixado de impressioná-lo há muitos anos, antes de finalmente começar a caminhar devagar na direção de Dayse.
E aquilo desestabilizou Stephanie mais do que deveria. Porque ele não parecia sem um pouco interessado.
Dayse prendeu involuntariamente a respiração no instante em que ele parou diante dela e seus dedos deslizaram lentamente pelas costas nuas dela antes de segurarem sua cintura com firmeza suficiente para fazer um arrepio percorrer violentamente sua espinha.
O corpo dela reagiu imediatamente.
Sempre reagia.
Edward puxou Dayse discretamente para mais perto sem desviar os olhos de Stephanie em nenhum momento, mas a naturalidade possessiva daquele gesto foi suficiente para deixar absolutamente claro para qualquer pessoa minimamente inteligente naquele salão que existia alguma coisa perigosamente íntima acontecendo entre os dois.
Adrian precisou morder discretamente o interior da bochecha para não rir.
Stephanie sustentou o sorriso por mais alguns segundos, mas dessa vez uma rigidez desconfortável surgiu na sua expressão. Ela finalmente começava a entender exatamente o que estava acontecendo ali.
— Então…? — ela insistiu suavemente. — Podemos conversar em algum lugar mais reservado?
Edward finalmente respondeu, calmo, frio e perigosamente educado.
— Receio desapontá-la, senhorita Seymour, mas eu realmente não costumo conceder entrevistas privadas para jornalistas que confundem profissionalismo com flerte.
O silêncio caiu imediatamente, e embora Stephanie tenha piscado apenas uma vez, aquilo foi suficiente para Dayse perceber o instante exato em que o comentário de Edward realmente a atingiu.
Edward não elevou a voz, não foi grosseiro, não perdeu a postura impecável nem por um segundo. E talvez exatamente por isso tenha sido tão humilhante.
Adrian desviou discretamente o rosto tentando esconder o sorriso claramente divertido surgindo no canto da boca.


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