“Algumas mulheres entendem que um homem está apaixonado muito antes dele próprio encontrar coragem para admitir isso em voz alta.”
Dayse entrou naquele restaurante tentando convencer a si mesma de que ainda estava magoada com Edward Fitzgerald o problema era perceber que, no fundo, talvez estivesse ainda mais desesperada para descobrir se ele realmente a amava.
O restaurante favorito da família Fitzgerald ocupava o último andar de um dos hotéis mais luxuosos de Manhattan, e talvez o mais impressionante naquele lugar não fosse a vista absurda da cidade atravessando as enormes paredes de vidro, nem os lustres sofisticados refletindo elegantemente sobre mesas impecavelmente organizadas, mas sim a sensação silenciosa de pertencimento que existia ali, como se cada detalhe tivesse sido pensado especificamente para pessoas acostumadas a viver cercadas por poder.
E aquilo apenas fez Dayse se sentir ainda mais deslocada.
Ela caminhava ao lado de Margareth tentando manter a postura tranquila enquanto os próprios pensamentos continuavam presos na discussão daquela manhã, porque não importava o quanto tentasse fingir racionalidade, a imagem de Olivia entrando na cobertura de Edward como se tivesse espaço suficiente para fazer aquilo ainda queimava dentro dela de maneira quase humilhante.
Margareth percebeu o silêncio imediatamente. Ela percebia praticamente tudo.
A senhora Fitzgerald acomodou-se elegantemente na cadeira à frente dela enquanto o garçom servia vinho discretamente antes de se afastar.
Então observou Dayse por alguns segundos longos demais.
— Certo… o que exatamente aquele neto idiota fez dessa vez?
Dayse soltou uma risada baixa e nervosa enquanto desviava os olhos para a vista da cidade.
— A senhora já começou me pressionando.
— Experiência, querida.
Margareth respondeu calmamente antes de apoiar elegantemente as mãos sobre a mesa.
— Homens da família Fitzgerald costumam ser emocionalmente desastrosos quando começam a se apaixonar, então eu imaginei que Edward provavelmente tenha feito alguma besteira grave. Percebi que o clima estava tenso quando saíram de Hamptons.
O coração de Dayse bateu um pouco mais forte. Mas ela permaneceu em silêncio.
Margareth suspirou discretamente.
— Meu neto herdou exatamente o pior defeito dos homens da nossa família.
Os olhos de Dayse voltaram lentamente para ela.
— E qual seria?
Margareth soltou uma pequena risada cansada antes de responder:
— Eles não sabem amar pela metade.
O silêncio surgiu imediatamente entre as duas.
Porque aquela frase atravessou Dayse de um jeito perigosamente profundo.
Margareth continuou observando ela calmamente.
— Homens da minha família amam de corpo e alma quando finalmente se entregam a alguém. O problema é que eles sempre demoram tempo demais para admitir os próprios sentimentos e acabam destruindo metade do caminho enquanto tentam fugir daquilo que estão sentindo.
Dayse sentiu o peito apertar lentamente.
Porque pela primeira vez desde a discussão daquela manhã, uma pergunta começou a surgir silenciosamente dentro dela.
Será que Edward realmente sente alguma coisa por ela?
A ideia quase aqueceu alguma coisa dentro do peito dela.
Quase, porque no instante seguinte a imagem de Olivia voltou imediatamente à própria cabeça.
A lembrança da mulher entrando na cobertura como se já pertencesse àquele lugar, somada ao silêncio devastador de Edward quando Dayse perguntou o que realmente significava na vida dele, fez toda a insegurança voltar imediatamente.
Dayse desviou os olhos rapidamente antes que Margareth percebesse o quanto aquilo ainda a machucava. Mas era tarde demais. Margareth Fitzgerald observava pessoas há tempo suficiente para reconhecer exatamente quando uma mulher começava a sofrer por amor.
— Você parece confusa.
Dayse soltou uma risada baixa.
— Talvez eu esteja.
Margareth inclinou minimamente a cabeça antes de tomar um gole tranquilo do vinho.
Então sorriu de leve.
— Nesse caso, acho que preciso sequestrar você pelo restante da tarde.
Os olhos de Dayse se arregalaram minimamente.
— Desculpe?
— Quero que vá comigo até a minha casa para tomarmos um chá. O que me diz?
Dayse piscou surpresa antes de imediatamente balançar a cabeça.
— Espere aqui um instante.
Dayse assentiu discretamente observando a senhora Fitzgerald desaparecer pelo corredor da casa enquanto as empregadas caminhavam silenciosamente pelo ambiente.
Os olhos dela percorreram distraidamente os quadros antigos espalhados pela mansão até pararem em uma fotografia específica.
Edward mais jovem ao lado de uma mulher absurdamente bonita de cabelos claros e sorriso elegante.
A mãe dele.
O peito de Dayse apertou imediatamente. Ela ainda observava o retrato quando Margareth retornou alguns minutos depois carregando cuidadosamente uma caixa grande nas mãos.
Dayse franziu minimamente a testa.
— Margareth… o que é isso?
A senhora Fitzgerald aproximou-se devagar antes de colocar a caixa nas mãos dela.
— Abra.
Dayse hesitou por alguns segundos antes de levantar lentamente a tampa.
E imediatamente sentiu os próprios olhos marejarem ao ver o que estava dentro da caixa.
O vestido era absurdamente elegante, clássico e delicado. A peça parecia carregar uma sofisticação quase atemporal, como se tivesse sido feita para uma mulher impossível de esquecer.
Dayse passou os dedos cuidadosamente pelo tecido enquanto tentava organizar a própria respiração.
— Margareth… isso…
A senhora Fitzgerald sorriu de maneira estranhamente emocionada.
— Era da Helena.
Dayse ergueu lentamente os olhos. E Margareth completou em voz baixa:
— A mãe do Edward.
O silêncio que surgiu depois daquilo pareceu enorme. Porque naquele instante Dayse finalmente entendeu que talvez estivesse segurando muito mais do que apenas um vestido. Estava segurando uma parte da mulher que Edward Fitzgerald mais amou na vida.
Dayse voltou lentamente os olhos para o vestido enquanto os dedos ainda permaneciam presos ao tecido delicado, porque pela primeira vez começava a perceber que talvez Edward tivesse escolhido ela muito antes de encontrar coragem suficiente para admitir isso até para si mesmo.

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