“Mulheres apaixonadas incomodam. Mas mulheres escolhidas por homens poderosos despertam crueldades muito piores.”
O verdadeiro problema de virar manchete nunca foi a exposição.
Foi descobrir quantas pessoas já estavam esperando silenciosamente pela oportunidade perfeita para te destruir.
Dayse tentou se preparar emocionalmente durante o caminho inteiro de volta para a Fitzgerald Corporation, repetindo para si mesma várias vezes que conseguiria lidar com aquilo com maturidade suficiente para atravessar o resto do expediente sem demonstrar fraqueza.
No fundo, ainda existia uma parte desesperadamente otimista dentro dela que acreditava que talvez a matéria não tivesse alcançado tantas pessoas quanto parecia ou que, no mínimo, os funcionários do jurídico teriam bom senso suficiente para fingirem normalidade quando ela aparecesse.
Mas no instante em que as portas do elevador se abriram diretamente no andar do departamento jurídico, ela percebeu imediatamente o tamanho real do estrago que Stephanie Seymour tinha acabado de causar.
O ambiente inteiro mudou.
E a pior parte nem foi o silêncio. Foi perceber que ele aconteceu rápido demais.
Conversas morreram no meio das frases. Pessoas desviaram os olhos depressa. Outras continuaram encarando sem sequer tentarem esconder a curiosidade cruel estampada no rosto.
Os passos de Dayse desaceleraram minimamente enquanto os olhos percorriam o departamento inteiro e encontravam, uma após outra, várias telas abertas exatamente na mesma matéria. Na mesma manchete humilhante.
“Relacionamento real ou golpe social?”
O estômago dela afundou imediatamente.
Marina percebeu primeiro a mudança na expressão da amiga enquanto segurava discretamente o braço dela numa tentativa silenciosa de impedir que Dayse absorvesse aquilo tudo ao mesmo tempo.
— Não olha. — murmurou baixo, apertando minimamente o braço dela. — Sério. Só continua andando.
Mas já era tarde demais. Porque Dayse ouviu.
— Eu falei desde o começo que isso parecia estranho demais…
A voz feminina surgiu baixa do outro lado do departamento, carregada daquele tom venenoso que mulheres inseguras costumavam usar quando finalmente encontravam alguém para atacar coletivamente.
Outra mulher soltou uma risada curta enquanto cruzava os braços.
— Ah, por favor… Edward Fitzgerald nunca olharia para uma mulher como ela sem existir algum interesse por trás.
Clara parou de andar imediatamente.
E Marina percebeu exatamente o instante em que a paciência dela acabou.
Porque os olhos das duas escureceram ao mesmo tempo.
— Repete. — Marina falou calmamente enquanto virava lentamente o rosto na direção delas.
O departamento inteiro mergulhou num silêncio ainda mais pesado.
Uma das mulheres ergueu minimamente as sobrancelhas tentando sustentar uma arrogância que começou a vacilar no instante em que percebeu que agora tinha atenção demais sobre ela.
— Eu só disse que acho engraçado como uma funcionária praticamente anônima virou noiva do CEO bilionário da empresa da noite pro dia.
Clara soltou uma risada completamente indignada enquanto levava a mão até o peito teatralmente.
— Meu Deus, isso aqui realmente virou uma reunião oficial de mulheres frustradas?
— Clara… — Dayse murmurou baixo tentando impedir o desastre iminente.
Mas aquilo apenas piorou.
Porque Clara olhou imediatamente para ela como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais absurda do mundo.
— Não, Dayse. Não vem com “Clara”. Eu estou há cinco segundos de subir em cima de alguém nesse departamento.
Marina cruzou lentamente os braços enquanto mantinha os olhos presos na mulher.
— O problema de vocês nunca foi a matéria. O problema é que o presidente escolheu olhar para ela e nenhuma de vocês consegue aceitar isso.
A outra mulher soltou uma risada debochada.
— Ou talvez ela só tenha aprendido muito rápido como subir socialmente usando o homem certo.
Aquilo bateu em Dayse como um tapa.
Ela sentiu imediatamente o rosto perder um pouco da cor enquanto os dedos apertavam lentamente a própria bolsa numa tentativa inútil de manter algum controle emocional.
Porque aquele era exatamente o problema: não era apenas a matéria ou as acusações cruéis espalhadas pela internet, mas perceber quantas pessoas pareciam genuinamente satisfeitas vendo ela ser diminuída daquela maneira. Como se estivessem esperando uma oportunidade para transformá-la na vilã desde o começo.
— Nossa, vocês são patéticas. — Clara rebateu imediatamente enquanto balançava a cabeça devagar. — Honestamente? Isso aqui está me dando vergonha alheia.
— Estamos apenas comentando uma notícia pública. — Outra mulher respondeu friamente.
— Não. — Marina interrompeu na mesma hora. — Vocês estão usando uma matéria sensacionalista para humilhar outra mulher porque são incapazes de admitir que estão com inveja.
O clima ficou ainda mais pesado.
Algumas pessoas começaram discretamente a fingir trabalho na tentativa desconfortável de não se envolverem diretamente naquela situação, enquanto outras observavam absolutamente tudo com interesse quase mórbido.
Dayse respirou fundo tentando desesperadamente manter a postura enquanto caminhava lentamente até a própria mesa, mas bastou apoiar a bolsa sobre a cadeira para perceber que os dedos já tremiam discretamente.
E aquilo só piorou quando ouviu outra voz surgir atrás dela.
Ninguém respondeu.
O desconforto começou a se espalhar pelo departamento de maneira quase imediata enquanto Maksin sustentava o olhar nelas com uma tranquilidade perigosamente controlada, daquele tipo que normalmente fazia pessoas inteligentes perceberem rápido demais quando já tinham ultrapassado um limite.
Então ele continuou com a mesma voz baixa, educada e absurdamente fria:
— E já que decidiram transformar o ambiente corporativo numa reunião de fofoca adolescente, aconselho pelo menos que façam isso longe de advogados capazes de reportar assédio moral ao RH.
Uma das mulheres desviou os olhos imediatamente.
Mas Maksin não terminou.
O advogado russo inclinou minimamente a cabeça outra vez antes de acrescentar calmamente:
— Embora, honestamente… eu esteja muito mais curioso para descobrir se vocês manterão essa mesma postura arrogante quando Edward Fitzgerald descobrir exatamente o que estão fazendo com a noiva dele.
O silêncio ficou constrangedor imediatamente.
Uma das mulheres desviou os olhos na mesma hora. A outra apenas pegou a própria bolsa e saiu dali claramente desconfortável.
Clara praticamente sorriu emocionada.
— Eu realmente amo homens emocionalmente perigosos.
Marina fechou os olhos tentando inútilmente esconder a vontade de rir.
Mas Dayse não conseguiu reagir.
Porque no instante em que finalmente ficou sozinha diante da própria mesa, os olhos dela acabaram descendo lentamente até a tela do computador. Até a matéria aberta outra vez. Até a própria foto sendo usada como espetáculo público.
E foi naquele instante que a força dela começou finalmente a falhar.
Ela desviou rapidamente o rosto fingindo procurar alguma coisa dentro da bolsa apenas para esconder a lágrima que conseguiu escapar antes que pudesse impedir.
Mas alguém viu.
E alguns minutos depois, o departamento jurídico inteiro mergulhou novamente em silêncio absoluto no instante em que as portas do elevador se abriram.
Edward Fitzgerald atravessou o ambiente usando o terno escuro impecavelmente alinhado ao corpo, carregando nos ombros aquela presença absurdamente dominante que sempre fazia o andar inteiro mudar de atmosfera no segundo em que ele aparecia.
Mas daquela vez bastaram poucos segundos olhando para Dayse para perceber imediatamente que ela tinha chorado.
E o silêncio que tomou o departamento inteiro naquele instante deixou claro que todo mundo percebeu a mesma coisa:
Edward Fitzgerald tinha acabado de descobrir que fizeram Dayse Whitmore chorar.

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