“O verdadeiro problema do ciúme nunca foi a raiva. Foi perceber o quanto alguém já se tornou importante.”
O dia seguinte começou leve demais para que Dayse conseguisse ignorar o quanto aquela viagem estava mudando lentamente a dinâmica entre ela e Edward.
O sol iluminava intensamente o mar cristalino das Maldivas enquanto o resort já estava tomado pelo som distante de música baixa, funcionários atravessando os decks de madeira carregando bandejas sofisticadas e hóspedes espalhados entre piscinas, restaurantes e bangalôs construídos sobre a água azul-turquesa, mas Edward continuava exatamente igual à noite anterior.
Os dedos masculinos permaneciam entrelaçados aos dela enquanto os dois caminhavam lado a lado em direção ao restaurante principal acompanhados por Daniel, Marina, Adrian e Clara, e aquilo já começava lentamente a chamar atenção porque Edward Fitzgerald simplesmente não soltava mais sua mão em público.
E piorava ao perceber que ele parecia nem notar que fazia aquilo. Era como se tocar nela tivesse se tornado automático.
Clara caminhava alguns passos à frente ao lado de Adrian enquanto observava o restaurante gigantesco cercado pelo mar com uma expressão genuinamente indignada.
— Eu só queria entender em que momento algumas pessoas passam a considerar normal tomar café da manhã olhando diretamente para essa paisagem porque eu sinceramente continuo me sentindo uma intrusa social hospedada acidentalmente nesse lugar.
Daniel soltou uma risada baixa e Marina também.
Até Edward acabou deixando escapar um pequeno sorriso enquanto puxava Dayse mais para perto quando um casal atravessou entre eles próximo à entrada do restaurante.
E aquele pequeno gesto mexeu com ela mais do que deveria.
Edward ajustava Dayse discretamente para mais perto, segurava sua cintura no meio da caminhada e entrelaçava automaticamente os dedos aos dela como se já não percebesse mais quando começava a tocá-la.
— Clara, você falou exatamente a mesma coisa ontem. — Marina comentou ainda rindo enquanto puxava a cadeira.
— Porque ontem eu ainda tinha esperança de me adaptar emocionalmente à riqueza tropical. Hoje eu já aceitei que vou voltar para Manhattan revoltada com a minha conta bancária.
Adrian soltou uma risada baixa antes de se aproximar discretamente dela.
— Amor, você fala como se eu fosse pobre.
Clara virou o rosto imediatamente.
— Adrian Keller, você é rico, mas eu sou uma CLT assalariada. Pessoas que trabalham naturalmente se sentem humilhadas num lugar desses.
Daniel começou a rir outra vez enquanto Edward balançava discretamente a cabeça antes de apoiar calmamente a xícara sobre a mesa.
Dayse também percebeu que Edward parecia mais leve, presente e menos distante naquela viagem, como se pela primeira vez em muito tempo ele realmente estivesse permitindo a si mesmo aproveitar alguma coisa sem permanecer dividido entre reuniões, pressão e trabalho.
Horas depois, o grupo já aproveitava uma das áreas exclusivas do resort próximas ao mar enquanto garçons circulavam oferecendo bebidas, frutas e toalhas aos hóspedes espalhados pelas espreguiçadeiras posicionadas diante da água cristalina.
Clara estava praticamente deitada sobre Adrian enquanto mexia distraidamente no celular.
— Eu nunca mais vou conseguir entrar numa piscina de condomínio sem sentir vontade de chorar.
— Você dramatiza absolutamente tudo. — Marina comentou rindo.
— Não é drama. É trauma social causado por excesso de luxo.
Dayse soltou uma risada baixa enquanto tirava discretamente os óculos escuros, mas o sorriso desapareceu quase imediatamente no instante em que percebeu duas mulheres bonitas caminhando lentamente na direção deles e olhando para Edward Fitzgerald com interesse evidente demais para passar despercebido.
E o pior não foi perceber aquilo.
Foi o desconforto imediato que apertou seu peito no mesmo instante.

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