“O problema nunca foi o que você disse, foi quem ouviu e o que isso desperta em quem não deveria querer mais.
O problema não foi o que ela disse, foi o silêncio que veio depois e o jeito como ele não desviou o olhar. Porque, naquele instante, não era só o salão inteiro que parecia ter parado.
Era ele e a forma como Edward a olhava, deixava claro que aquilo estava longe de terminar.
Dayse quis desaparecer, sumir dali e evaporar antes que qualquer um pudesse olhar para ela de novo.
Mas não conseguiu sequer mover um músculo.
Edward inclinou levemente a cabeça, mantendo os olhos ainda presos nela, enquanto um sorriso lento começava a se formar.
Camilla, completamente desmontada, murmurou algo incompreensível e se afastou rapidamente. Beatrice se despediu de Dayse e foi atrás da irmã.
Dayse ainda sentia o rosto quente quando Camilla desapareceu no meio dos convidados. O champanhe que ela havia bebido rápido não ajudou a acalmar os nervos, pelo contrário, só deixou o corpo mais quente e o calor subindo mais rápido, o pensamento falhando antes de se organizar.
Ela pegou outra taça da bandeja que passava e bebeu quase metade de uma vez, tentando apagar o eco das próprias palavras ousadas que ainda pairavam no ar.
Foi quando Margareth se aproximou com a elegância impecável de sempre, seu olhar atento percorreu o grupo com rapidez suficiente para captar o que havia acontecido e inteligente o bastante para não expor isso imediatamente.
— Augustus… — disse, suavemente, pousando a mão no braço do marido. — O que foi que eu perdi?
Augustus soltou uma pequena risada, ainda visivelmente satisfeito. Se inclinou levemente na direção dela como quem compartilha uma informação preciosa demais para ser dita em voz alta.
— Você acabou de perder… — murmurou, com orgulho mal disfarçado — o momento em que a futura senhora Fitzgerald colocou Camilla exatamente no lugar dela.
Margareth arqueou uma das sobrancelhas, interessada.
— É mesmo?
— Direto. Sem hesitação. — Ele sorriu, balançando a cabeça com aprovação. — E, se quer saber, com uma precisão que me fez lembrar muito alguém…
O olhar dele deslizou brevemente para a esposa.
Margareth não sorriu de imediato. Mas o brilho nos olhos… entregou.
Ela voltou a atenção para Dayse, agora com um interesse muito mais definido, analisando não apenas a postura, mas os detalhes: a respiração ainda levemente irregular, o rubor persistente no rosto, o jeito como os dedos apertavam a haste da taça com força demais para alguém completamente no controle.
Nada escapava.
— Entendo… — murmurou, se aproximando de Dayse com um sorriso suave, mas carregado de intenção. — Então foi você quem causou esse pequeno… movimento no ambiente?
Dayse engoliu seco sentindo o coração bater ainda mais rápido.
— Eu… — começou, mas a voz falhou levemente.
Margareth inclinou a cabeça, se aproximando apenas o suficiente para que só ela ouvisse:
— Relaxe, querida. — A voz saiu baixa, elegante e surpreendentemente gentil. — Nesta família, às vezes, é necessário saber exatamente quando atacar.
Dayse piscou surpresa.
— E, pelo que ouvi… — continuou Margareth, agora um pouco mais distante, analisando-a com um olhar satisfeito — você fez isso muito bem.
Augustus soltou um som de aprovação ao lado.
Dayse soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo. O corpo permanecia quente demais, e pensar já não parecia tão simples quanto antes.
Foi então que Margareth se aproximou novamente, como se tivesse esperado exatamente aquele momento para agir.
— Aliás, estou organizando um final de semana na nossa casa de praia em Hamptons só com familiares mais próximos. Seria perfeito você ir com o Edward. Um pouco de sol, mar e um tempo para nos conhecermos melhor, longe de todo esse circo. O que acha?
Dayse piscou, surpresa.
O sorriso de Margareth era gentil demais e isso foi o suficiente para deixar claro que havia algo por trás do convite. Ela olhou para o outro lado do salão, onde Edward conversava com Augustus. O corpo ainda latejava com a lembrança dos dedos dele dentro dela. Aceitar significava mergulhar ainda mais fundo nessa farsa e no tesão que não parava de crescer.
— Eu… acho que seria bom — respondeu com a voz um pouco rouca. — Obrigada pelo convite, Margareth. Eu aceito.
Margareth sorriu, satisfeita.
— Excelente. Vou pegar o numero do seu telefone com Edward depois para combinarmos tudo. Pode ficar tranquila, minha querida, que eu não vou deixar ninguém desagradavel se aproximar de você.
Dayse assentiu e terminou a segunda taça de champanhe, esperando que o álcool ajudasse a esquecer o quanto ela tinha sido ousada e o quanto ainda queria ser.
Mas não conseguiu.
Porque aceitar aquele convite não era apenas dizer sim para a família dele. Era dizer sim para algo muito mais perigoso.
Hamptons não seria descanso.
E, pela forma como Edward ainda olhava para ela, também não seria seguro.

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