A voz de Quitéria subiu de tom repentinamente.
Gualter inclinou o corpo para trás pelo susto.
Por que essa garota era tão espalhafatosa?
— Mas o quê?
— Mas, se algum dia você gostar de alguém, prometo que paro de te incomodar na mesma hora.
Gualter achou que ela estivesse blefando e provocou:
— Você gosta de se humilhar tanto assim?
No entanto, Quitéria respondeu com profunda seriedade:
— Isso não é humilhação. A Sra. Naiara me disse uma vez que buscar com coragem e sinceridade a pessoa que amamos já é algo lindo por si só. Mesmo que não dê certo no final, pelo menos não haverá arrependimentos. Então, eu só não quero me arrepender depois.
Gualter olhou nos olhos brilhantes e sinceros da garota. Ele ficou em transe por um instante antes de dizer de propósito:
— E se um dia eu realmente gostar de alguém? Você acha que conseguiria desistir de mim assim, do nada?
— Eu conseguiria! — O olhar dela transbordava determinação. — A Sra. Naiara ama tanto o Sr. Afonso e mesmo assim conseguiu abrir mão dele. Sendo que um único telefonema seria suficiente para os dois se encontrarem, e mesmo assim ela se contém. Por que eu não conseguiria?
Aquilo deixou Gualter inexplicavelmente irritado.
— Chega de tagarelar, vá logo para casa.
Quitéria obedeceu.
— Ah, tá bom. Estou indo.
Gualter olhou pela janela. A noite já caíra densa.
— Espere!
Quitéria pulou de susto.
— O que foi agora?
— Senta e espera — resmungou Gualter. — Assim que eu terminar, te dou uma carona.
Quitéria pensou um pouco.
— Mas a gente nem mora para o mesmo lado.
Ele lançou-lhe um olhar cortante. Ela continuou:
— Não precisa se incomodar. Posso pegar um ônibus, é direto, super tranquilo.
Gualter simplesmente a observou sair e acabou rindo sozinho.
— Não é à toa que o Breno diz que você é mesquinho.
José estalou a língua com desprezo.
— Mesquinho? Eu sou muito mais generoso que ele. Quando viemos para Rio Belo e você não o trouxe junto, ele passou os dias no meu pé reclamando que você tinha favoritismo.
Afonso apertou o espaço entre as sobrancelhas para aliviar a dor de cabeça.
José, penalizado, perdeu a vontade de brincar. Mas, de repente, lembrou-se de um detalhe importante.
— Chefe, ouvi dizer que o Vitor Xavier também está vindo para Rio Belo.
Henrique Xavier, pai de Afonso, tinha um irmão: Bernardo Xavier. Bernardo tinha um casal de filhos, e Vitor era o primogênito.
Pai e filho pareciam carregar a palavra "ambição" estampada na testa. Felizmente, Vitor não passava de um playboy inconsequente.
Tinha sede de poder, mas faltava-lhe competência. Mulheres e excessos eram sua rotina. Trocar de amante era como trocar de roupa, e bater ponto em cassinos era o seu esporte oficial.
Henrique costumava ter dores de cabeça por causa daquele parasita na família. Mas, por serem do mesmo sangue e por Bernardo ainda deter uma parcela das ações do Grupo Xavier, ele era forçado a fechar os olhos para muitas coisas.
Afonso, no entanto, sequer via aquele sujeito como uma ameaça real. Apenas bufou levemente.
— Rio Belo vai ficar cada vez mais agitada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...