Yara estava abaixada, acariciando a cabeça de um gatinho de rua.
O felino se esfregava contra as pernas dela. Sem o menor nojo, Yara falava com o gato em uma voz doce e suave.
Naquele instante, o coração de Fábio amoleceu um pouco, mas, quando abriu a boca, o tom saiu com a rispidez de sempre:
— Eu não mandei você ficar no carro?! Para onde você foi correr?
Yara virou a cabeça e, com seus grandes olhos brilhantes, apontou para o animalzinho.
— Fábio, olha como ele é fofo! Vamos levá-lo com a gente?
A recusa foi imediata e categórica.
— Vai levar pra onde? Você acha que o seu hotel aceita animais de estimação?
Yara fez uma cara de quem dizia o óbvio.
— Na sua casa, claro.
Fábio franziu a testa.
— Em que planeta você vive?
Aquela criatura devia estar suja e cheia de pulgas, além de soltar pelos pela casa inteira. Ele não ia abrigar um bicho daqueles de jeito nenhum.
Yara fez beicinho.
— Quando a Naiara quis adotar aquele cachorro de rua, a Bolinha, o Afonso também não gostava de cachorros, mas levou pra casa do mesmo jeito. Por que você não pode ser igual ao Afonso e me deixar levar o gatinho?
— Porque eu não sou o Afonso e você não é a Naiara. Entendeu?
— Mas se a gente não levar, ele vai morrer de fome.
— Não vai. Alguém na rua acaba dando comida.
— Mas ele vai sentir muito frio aqui fora.
— Se fosse para morrer de frio, já tinha morrido.
— Mas...
— Você vai entrar no carro ou não? Se não for, eu vou sozinho!
Tudo que Fábio queria era voltar logo para casa, tomar um banho demorado e dormir numa cama confortável, em vez de ficar plantado ali discutindo com uma garota teimosa sobre um gato de rua.
— Mas eu quero levar ele comigo — insistiu Yara, com os olhos pidões.
— Fora de cogitação!
— Fábio, eu te implo...
— Cala a boca! Se eu disse que é não, é não!
— Mas ele é tão coitadinho...
Fábio respirou fundo, tentando invocar uma paciência que não possuía.
O gatinho continuava encolhido exatamente no mesmo lugar. Fábio soou como quem aceita uma condenação ao abrir a porta:
— Vai logo buscar o bicho!
Os olhos de Yara se arregalaram em choque.
— Você deixou eu levar?!
— Só temporariamente! — avisou ele, ríspido. — Ele fica lá em casa até você voltar para a Cidade L, e então você o leva embora com você!
— Combinado! Sem problema!
Yara pulou do carro, correndo feito doida até o gatinho.
Observando o sorriso de orelha a orelha da garota, Fábio só pôde suspirar. Que tipo de feitiço o tinha atingido para deixá-la colocar um gato de rua imundo no apartamento dele?
No fim das contas, talvez ele só não quisesse destruir aquela faísca de bondade e inocência que ela ainda tinha em relação ao mundo.
Ao voltar para o carro, Yara preferiu sentar no banco de trás.
— Fábio, o gatinho está sujo, então não vou sentar do seu lado. Fico aqui atrás para não sujar nada. Mas a primeira coisa que temos que fazer é dar um banho nele.
Ela já começou a planejar tudo em voz alta.
— Depois precisamos comprar uma caminha, ração, areia para ele fazer cocô...
— Tá, tá bom! — interrompeu Fábio, sem paciência. — Acho que tem um pet shop na frente do meu prédio. A gente vê o que precisa comprar quando chegar lá. Agora, pelo amor de Deus, fecha essa boca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
O livro termina nesse capitulo??...
Cadê as atualizações?...
Não vai mais atualizar os capitulos?...
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...