— Não… eu jamais irei embora daqui! — disse ela depressa, já com a voz à beira da histeria. — Me deixa provar que posso ser útil para você — pediu, tentando persuadi-lo. — Você não precisa me afastar desse jeito.
— Não estou tentando afastar você — disse, controlado. — Só estou colocando limites.
Lorena assentiu rapidamente, mesmo contra a própria vontade.
— Tudo bem… vou respeitar seus limites. Não se preocupe.
— Que bom que entende — respondeu ele, já voltando a arrumar a mala, como se a conversa estivesse encerrada.
O gesto doeu mais do que qualquer palavra.
— Agora saia, preciso terminar isso — acrescentou, sem olhar para ela — e não entre mais no meu quarto sem bater. Eu não gosto disso.
Lorena engoliu em seco.
— Tudo bem — murmurou.
Assentiu mais uma vez e se virou para sair.
Mas, ao cruzar a porta, o olhar dela endureceu por um breve segundo, rápido demais para Renato perceber. Porque, por fora, ela podia até aceitar os limites. Mas, por dentro, já começava a pensar em como contorná-los.
[…]
Quando terminou de arrumar a mala, Renato saiu do quarto carregando-a com pressa.
Mas, para o seu azar, deu de cara com a mãe no corredor, vestida com roupa de academia.
— Vai viajar?
— Sim.
— Não me avisou nada.
— É uma viagem de última hora — explicou, seco.
— Quanto tempo vai ficar fora?
— Ainda não sei, mas não precisa se preocupar.
— E para onde vai?
Renato soltou um suspiro impaciente.
— Pare de fazer tantas perguntas, mãe. Às vezes, a senhora me trata como se eu fosse um adolescente.
Ao perceber o nervosismo do filho, Constança ergueu uma sobrancelha e o analisou com desconfiança.
— Não precisa ficar nervoso — disse, em tom controlado. — Só estou perguntando porque sou sua mãe e me preocupo com você.
— Eu sei. Mas não precisa se preocupar. Vou com meus seguranças.
Constança assentiu.
— Isso é ótimo, filho. Mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda não esqueci o que tentaram fazer com você.
Ela se aproximou um pouco mais, baixando a voz.
— Aliás… até agora não tiveram nenhuma pista de quem fez aquilo?
Renato segurou a alça da mala com mais força.
— Pistas a polícia tem — respondeu. — Mas ainda precisam de algo mais concreto para chegar ao mandante.
O olhar da mulher se estreitou.
— E quem foi, meu filho? — insistiu. — Você nunca me disse quem tentou contra a sua vida.
Soltando um sorriso amargo, ele encarou a mãe e perguntou:

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