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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 90

Ao chegar ao quarto, Lorena viu uma enfermeira ajudando Renato a se levantar para o banho. No mesmo instante, sentiu um incômodo crescer. Aquela cena não deveria estar acontecendo sem ela.

Apressou o passo e, num movimento quase imperceptível, empurrou a enfermeira de lado, certificando-se de que Renato não percebesse o gesto.

— Por que não me esperou? — disse, já se colocando ao lado dele. — Eu poderia te ajudar.

— É só a hora do banho, Lorena — respondeu ele, com calma. — Não precisa fazer isso.

— Preciso, sim — rebateu, firme demais. — Estou aqui para o que você precisar. Para tudo. Não importa o quê.

— Já tem uma profissional para isso — insistiu Renato. — Não precisa se incomodar.

— Não é incômodo — ela cortou. — É cuidado.

Ele respirou fundo, começando a se irritar.

— Já disse que não precisa. A enfermeira vai me ajudar. Ela sabe como fazer sem molhar os curativos.

Lorena apertou os lábios, sentindo o controle escapar por entre os dedos. Aquela proximidade de outra pessoa, aquele toque que não era o dela, a incomodava mais do que gostaria de admitir. Para ela, não se tratava de zelo profissional, mas de posse. Renato era dela cuidar, dela proteger, dela estar ao lado.

Após alguns minutos, Renato saiu do banho e voltou para a cama, ainda acompanhado pela enfermeira. Com cuidado, ela o ajudou a se ajeitar entre os lençóis, certificando-se de que os curativos estavam no lugar. Assim que a profissional se afastou, Lorena voltou a se aproximar, quase de imediato.

— Precisa de alguma coisa? — perguntou.

— Não.

— Talvez queira comer algo.

— Também não.

— Quer conversar?

— Não.

As respostas curtas e secas a deixaram inquieta. Sentiu o incômodo crescer por dentro. Precisava estar mais próxima, ser necessária. Mais do que isso, queria que ele a visse como indispensável.

— Sei o quanto estar aqui te deixa entediado — insistiu, tentando suavizar a voz. — Estou aqui para o que precisar.

Ele respirou fundo, desviando o olhar para o teto.

— Eu sei disso — respondeu, sem aspereza, mas distante. — Só estou cansado.

A palavra caiu como um balde de água fria. Não era rejeição direta, mas também não era acolhimento. Lorena assentiu em silêncio, puxou a cadeira para mais perto da cama e se sentou ali, atenta a cada movimento dele.

Ficaria. Mesmo que ele não pedisse. Mesmo que não falasse. Para ela, estar ali já era uma forma de provar que era útil, presente e, acima de tudo, indispensável.

Percebendo que ela não lhe daria trégua, Renato a encarou por alguns segundos antes de falar:

— Na verdade, você pode me fazer um favor.

Os olhos dela brilharam no mesmo instante.

— O que você quiser.

— Chame o médico e diga que quero conversar com ele.

— Claro — respondeu de imediato.

Ela se levantou e saiu do quarto com passos rápidos. Poucos minutos depois, retornou acompanhada pelo médico.

— Senhor Salles, eu já estava vindo visitá-lo — disse o profissional, aproximando-se da cama.

Renato não perdeu tempo.

— Me diga, doutor… quando poderei ir para casa?

— Senhor Salles, eu entendo a sua vontade de ir para casa, mas, no momento, isso ainda não é possível. O senhor sofreu ferimentos graves por arma de fogo, houve perda significativa de sangue e foi necessária uma cirurgia de emergência.

Renato respirou fundo, atento.

90: Impaciência 1

90: Impaciência 2

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