Ao ouvir a insinuação de Lorena, ele ficou em silêncio por alguns segundos, refletindo. Ainda assim, afastou aquela ideia quase de imediato. Na sua mente, não havia motivos fortes o bastante para que a família de Sara fosse capaz de algo tão cruel. Ele não havia feito nada contra eles.
Tudo de errado que havia acontecido era culpa da própria Raquel. Foi ela quem mentiu, enganou e o fez de tolo.
— Não tire conclusões precipitadas — disse, firme. — A família dela não chegaria a esse ponto.
— Mas, Renato, já dá para conhecer a índole dessas pessoas pelo que a sua ex fez — Lorena insistiu, sem esconder a intenção. — Aquilo não foi pouca coisa.
Ele respirou fundo, visivelmente incomodado.
— Esqueça isso — pediu, encerrando o assunto.
Percebendo a mudança no humor dele, Lorena decidiu não insistir. Além disso, estavam se entendendo bem, e ela não queria estragar aquele momento.
— Tudo bem, me desculpa — pediu, em tom mais brando. — Você quer alguma coisa?
— Não, estou bem — respondeu. — Tudo o que quero é ir para casa.
— Acho que ainda é cedo para falar em ir para casa.
— Nem brinca com isso — retrucou. — Eu não suporto hospitais.
— Eu entendo — disse ela, com cuidado. — Mas, mesmo que você tenha alta, acho melhor não ir para a fazenda.
— Como assim?
— Você está frágil, precisa de cuidados. E, se acontecer qualquer coisa urgente, é importante estar perto de um hospital ou de atendimento médico.
Renato ficou em silêncio por alguns instantes, refletindo. Por mais que não gostasse de admitir, ela tinha razão.
— Não vou pensar nisso agora — disse, por fim. — Vou esperar o médico vir aqui mais tarde e me dizer como realmente estou.
Alguns minutos depois, o advogado de Renato chegou acompanhado de dois policiais. Ao vê-los entrar no quarto, Renato pediu que Lorena se retirasse por um instante, pois precisava conversar com eles a sós.
Assim que Lorena saiu e a porta se fechou, o advogado se aproximou da cama, enquanto os dois policiais permaneceram atentos.
— Senhor Salles, precisamos que o senhor nos conte exatamente o que aconteceu — disse um dos policiais, abrindo o bloco de anotações.
Antes de começar, ele se endireitou na cama.
— Eu estava voltando da cidade, dirigindo sozinho. Percebi um carro me seguindo por um bom trecho da estrada. Tentei acelerar, mas era uma área ruim, sem retorno. Eles me fecharam e começaram a atirar.
— Conseguiu ver quantas pessoas eram? — perguntou o outro policial.
— Dois homens desceram do carro e um ficou no volante — respondeu. — Usavam capuz, não vi os rostos. Foi tudo muito rápido.
— O senhor tem alguma suspeita de quem possa ter mandado fazer isso? — insistiu.
Renato balançou a cabeça, frustrado.
— Não uma suspeita direta. Tenho muitos inimigos. Pessoas que me odeiam por causa de negócios, disputas antigas, processos… Quando você cresce, incomoda muita gente.
— Alguma ameaça recente? — o advogado questionou.
— Nada concreto. Discussões, ameaças, esse tipo de coisa que todo empresário acaba ouvindo — respondeu. — Mas nada que me fizesse imaginar algo assim.
Os policiais trocaram um olhar rápido.
— Vamos investigar todos os caminhos — disse um deles. — O carro do senhor tem câmeras?

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