— Como assim a colocaram para fora? Para onde ela foi?
Renato disparava uma pergunta atrás da outra, visivelmente confuso.
— Quem está aí, Leucimar?
A voz de Raquel ecoou do outro lado do portão. A empregada virou o rosto no mesmo instante.
— Tem um homem aqui procurando pela senhorita Sara — informou.
— Um homem? — Raquel perguntou, surpresa, já se aproximando.
Mas, assim que viu Renato parado diante do portão, seus olhos se arregalaram. Definitivamente, ela não esperava por aquilo.
— Renato? — sussurrou, incrédula. — O que você faz aqui?
Ele não perdeu tempo.
— Eu vim ver a sua irmã. Preciso falar com ela.
Raquel soltou um riso curto, cheio de desdém.
— E o que você quer com aquela sonsa?
Um forte incômodo o dominou ao ouvir Raquel chamar a irmã daquele jeito, mesmo assim ele disfarçou.
— Isso não é da sua conta — respondeu, frio. — Onde ela está?
O olhar de Raquel brilhou de um jeito estranho.
— Ué… — disse, cruzando os braços. — Não sabe?
Ela inclinou levemente a cabeça, como se estivesse prestes a soltar algo que demonstrava ser bastante satisfatório.
— Sua querida Sara… já não está mais aqui.
— E para onde ela foi? — exigiu, impaciente.
Raquel deu de ombros, rápida demais.
— Eu não faço a menor ideia — respondeu.
O olhar dela ficou frio.
— Pelo que conheço bem a minha irmã, ela não tinha amigos… e nós não temos nenhum familiar por aqui.
No mesmo instante, ele sentiu um aperto no peito.
Porém, Raquel continuou, cruel:
— Então, muito provavelmente, ela deve estar vivendo na rua… debaixo de alguma ponte.
Um sorriso gelado surgiu nos lábios dela.
— E, se tiver um pouco mais de sorte… — completou, zombeteira — quem sabe já até tenha partido dessa para melhor.
O comentário o deixou imediatamente tenso.
— Como você tem coragem de falar assim da sua própria irmã? — perguntou, já sem esconder a irritação.
Mas Raquel manteve o tom irônico, erguendo uma sobrancelha.
— O que foi? — provocou. — Não vai me dizer que você veio até aqui para buscá-la… porque se arrependeu do que fez?
Ele cerrou os dentes no mesmo instante.
— Ai, Renato… — Raquel ironizou, percebendo que estava conseguindo provocá-lo. — Se eu não te conhecesse bem, até acharia que você estava mesmo gostando da minha irmã.
Vendo que ele permanecia tenso, ela resolveu ir mais longe.
— Renato? O que você faz aqui? — perguntou, sério.
Mas Renato não perdeu tempo, avançou e agarrou Sérgio pelo colarinho da camisa, puxando-o para perto.
— Eu quero saber onde está a Sara.
— Ei! O que você pensa que está fazendo? — Soraya interveio, assustada. — Você não tem o direito de entrar na nossa casa e agir desse jeito!
Mas ele mal olhou para ela. Seu olhar estava fixo em Sérgio, num modo sombrio e exigente.
— Onde ela está? — repetiu, num tom mais baixo e ameaçador.
— Ela foi embora — disse Sérgio, por fim. — A Sara nos disse que encontrou uma pessoa… e que iria ficar com ele — completou, mentindo com frieza. — Eu até tentei impedi-la, mas parece que a minha filha não é mais a mesma. Ela simplesmente bateu o pé firme e disse que não ficaria nessa casa nem por um segundo, pois já tinha os próprios planos.
A reação foi imediata. Os dedos de Renato afrouxaram no tecido da camisa do homem. Por um segundo, ele pareceu perder o chão.
A ideia de que Sara havia saído dali… para ir atrás de Humberto… o deixou completamente desnorteado.
Como não tinha pensado nessa possibilidade antes?
Sentindo-se um idiota mais uma vez, mordeu os lábios e se afastou, saindo dali apressado sem dizer, nem olhar nos olhos de ninguém.
Mal ele desapareceu pela porta, Soraya virou-se para o marido, com o olhar incrédulo.
— Como você teve coragem de inventar uma mentira dessas?
Sérgio ajeitou a camisa com calma, como se nada tivesse acontecido.
— Por que eu diria a verdade? — respondeu, frio. — Aquele desgraçado não teve piedade de nós quando decidiu desfazer todos os contratos conosco.
O olhar dele endureceu.
— Ele não se importou nem um pouco se a gente ia sofrer com isso ou não… — continuou. — Então, se depender de mim, ele também vai sofrer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!