— Ela foi para casa descansar um pouco — mentiu.
Por mais que tivesse bastante intimidade com Natan, que além de advogado era também seu amigo, Renato não queria expor a própria vida pessoal daquele jeito.
— Entendo — disse Natan. — Deve ser difícil para ela te ver nesse estado, ainda mais sendo recém-casados.
— Sim, é muito difícil — respondeu, de forma automática.
Percebendo as respostas curtas, Natan preferiu não insistir mais naquele assunto. Ainda assim, não deixou de fazer uma observação:
— Confesso que fiquei surpreso com a forma como vocês saíram da igreja no dia do casamento.
— Eu já tinha avisado a todos que não ficaria para as saudações — explicou Renato.
— Sim, claro — Natan riu de leve. — Só achei… diferente.
O silêncio se instalou por um instante.
— Se precisar de qualquer coisa, você sabe que pode me ligar — completou. — Não importa o horário.
— Obrigado pela ajuda.
— Vou pressionar a polícia para que descubram logo quem fez isso com você — garantiu. — Mas, de qualquer forma, você vai precisar redobrar a segurança. Sei que não gosta de andar com seguranças, mas é necessário. Você não é um homem comum, Renato. Não pode sair por aí de qualquer jeito.
Isso era verdade, Renato sabia que agora não podia vacilar.
— Eu sei. Vou pedir para meu assistente contratar um segurança.
— Não economize nisso — aconselhou Natan. — E pare de andar com os vidros abaixados. Se eles estivessem fechados, você não teria sido ferido.
— Eu sei. Vacilei nisso — admitiu. — Aprendi da pior forma.
— Vou te deixar descansar.
O advogado se despediu e saiu do quarto. No corredor, encontrou Lorena sentada em uma das cadeiras, com o semblante abatido. Pelo jeito dela, era evidente que não havia dormido nem por um minuto.
— Já terminaram? — perguntou, levantando-se assim que o viu.
— Sim.
— O que você acha do que aconteceu?
— Acho que o Renato anda com a guarda baixa demais para alguém da importância dele.
— Eu penso o mesmo — concordou, preocupada. — Mas é difícil colocar alguma coisa naquela cabeça dura.
Natan a observou por um instante.
— Vejo que você se preocupa mesmo com ele, hein?
— Você sabe que sim, Natan. O Renato é a pessoa mais próxima que tenho desde que meu pai faleceu.
— Eu sei.
Natan conhecia Lorena havia alguns anos e sabia bem da história dela naquela fazenda.
— Eu… falo de quem quer o mal do Renato — disse, forçando um sorriso. — Pessoas invejosas, interesseiras. Você sabe como é.
Algo naquela resposta soou apressado demais para ele, que observou o modo como ela pareceu ficar nervosa.
— Sei — respondeu por fim, sem insistir. — Só espero que tudo isso se esclareça logo.
Lorena assentiu, mas por dentro sentiu um frio percorrer a espinha. Precisava tomar mais cuidado. Uma palavra fora do lugar podia colocar tudo a perder e ela não podia correr esse risco agora.
— O que eu mais quero é que o Renato se recupere — disse ela. — Que possa ir para casa e descansar um pouco.
— Falando em descansar, acho que você deveria fazer o mesmo — observou Natan. — Parece exausta.
— E estou — confessou. — Estou acordada desde a madrugada com ele.
— Sério? — Ele arqueou levemente a sobrancelha. — E a esposa dele?
Lorena abriu a boca, pronta para soltar mais uma de suas intrigas. As palavras quase escaparam. Mas, no mesmo instante, se conteve. Sabia que, se fizesse qualquer comentário sobre Sara, e chegasse aos ouvidos de Renato, poderia despertar uma reação inesperada nele e isso era tudo o que ela não queria agora.
— A esposa dele deve estar descansando — respondeu apenas, escolhendo as palavras com cuidado. — Foi uma noite muito pesada para todos.
Natan assentiu, sem aprofundar o assunto.
— Mesmo assim, você precisa dormir um pouco — insistiu. — Não adianta se sacrificar desse jeito.
— Nada do que faço pelo Renato é sacrifício — afirmou, com convicção. — Se for preciso passar dias sem dormir para acompanhá-lo, eu faço. Porque, mesmo que ele ainda não perceba isso, sou a pessoa mais adequada para ficar ao lado dele.

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