Antes de entrar no quarto onde o chefe estava, Lorena parou diante da porta e respirou fundo, tentando se recompor. Precisava parecer calma. No instante em que sentiu o coração desacelerar, girou a maçaneta e entrou.
Renato já estava acordado, recostado na cama. Assim que a viu, franziu levemente a testa.
— Onde você estava? — perguntou.
— Aproveitei que você dormiu um pouco e fui tomar um ar — mentiu, aproximando-se da cama com um sorriso suave.
— Você deve estar muito cansada — comentou ele. — Além de me trazer até aqui, ainda ficou acordada a madrugada inteira.
— Não me importo com isso — respondeu, mantendo o sorriso. — Eu não conseguiria descansar em lugar nenhum sabendo da situação em que você estava.
As palavras dela soaram sinceras demais para serem questionadas. Ao ouvir aquilo, Renato sentiu algo mudar dentro de si. Perceber o quanto Lorena havia se dedicado naquele momento o fez enxergá-la de outra forma. Sempre soube que ela era prestativa, eficiente, leal. Mas nada como uma situação extrema para revelar até onde alguém era capaz de ir.
— De qualquer forma, não quero que você se esforce tanto — disse ele, com a voz ainda fraca. — Você já fez muito por mim. Me ajude a encontrar meu telefone, vou chamar alguém para ficar aqui comigo. Assim, você pode ir para casa e descansar um pouco.
— Não! — Lorena rebateu de imediato, sem pensar. — Eu não vou sair daqui.
Ele a encarou, surpreso.
— Como não? Você precisa dormir, Lorena.
— Já disse que não vou conseguir descansar — insistiu, firme. — Não enquanto você estiver nesse estado. Me deixe aqui.
— Mas… — ele tentou argumentar.
Mas foi inútil. Pelo olhar dela, percebeu que não havia espaço para discussão. Lorena estava decidida.
— Tudo bem — disse ele, por fim, deixando o assunto de lado. — Você sabe onde está meu telefone?
— Acho que está junto das suas roupas, aquelas que tiraram quando você entrou na sala de cirurgia — respondeu.
— Pode pegar para mim?
Ela hesitou por um instante.
— Para quê? — perguntou, um pouco apreensiva, imaginando o que ele faria com o celular em mãos.
— Preciso fazer algumas ligações.
— No momento, o que você precisa fazer é descansar — insistiu.
— Já descansei o suficiente — rebateu. — Preciso chamar meu advogado e a polícia para contar o que aconteceu.
— Tem certeza de que quer fazer isso agora?
— Não posso mais perder tempo.
Sabendo que não podia contrariá-lo, Lorena foi até a sacola onde estavam os objetos pessoais dele. Entre as roupas manchadas de sangue, encontrou o celular no bolso da calça que ele usava na hora do atentado. Pegou o aparelho e, antes de entregá-lo, apertou o botão para ver se havia alguma mensagem de Sara na barra de notificações. Não havia.
Aliviada, voltou até a cama e lhe entregou o telefone.
— Aqui está.
Renato pegou o celular com o braço que não estava ferido, desbloqueou o aparelho e começou a procurar um número na agenda. Enquanto isso, perguntou:
— Quem sabe que estou aqui no hospital?
Lorena o encarou por um segundo, como se analisasse cada reação dele antes de responder.
— Bem… ela não apareceu e nem me procurou até agora.
— Tudo bem — disse ele, desviando a atenção para o celular.
Encontrou o número do advogado na agenda e fez a ligação. Contou, com poucas palavras, tudo o que havia acontecido. Do outro lado da linha, o homem foi direto: disse que estava a caminho do hospital e que levaria a polícia junto.
Após desligar, Renato ficou alguns segundos olhando para a tela do celular. Então, quase sem perceber, procurou o nome de Sara na agenda. O dedo pairou sobre a tela, hesitou.
Mesmo tentando se convencer de que não fazia sentido, não conseguiu ignorar a sensação incômoda que se instalou no peito. Pensou em ligar, em exigir uma explicação, em confirmar se o que Lorena havia dito era verdade.
Mas, no fim, travou o aparelho e o deixou de lado.
Se Sara quisesse falar com ele, teria procurado.
Quando percebeu que ele já havia terminado as ligações, Lorena puxou uma cadeira e se sentou ao lado da cama, encarando-o com atenção.
— Você suspeita de quem pode ter feito isso com você? — perguntou.
Renato ficou em silêncio por alguns segundos, pensando. Ao longo dos anos, acumulou inimigos demais. Pessoas que o odiavam apenas por ele ser bem-sucedido, por ter chegado onde chegou.
— Não sei — declarou, por fim.
— E se tiver sido alguém da família da Sara? — disparou, por fim.
Mesmo que houvesse uma preocupação genuína da parte dela com o que havia acontecido com Renato, ela também estava disposta a plantar, com cuidado, uma semente de dúvida na mente dele.

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