Aquele convite a deixou completamente confusa. Nunca havia saído do país, e a simples ideia de viajar com ele já a deixava assustada.
Até aquele momento, Alessandro havia sido correto com ela; cuidadoso até. Em certos instantes, ela quase chegava a esquecer a forma fria e rude como ele a tratou na primeira vez em que se conheceram, naquela viagem com Renato.
Mas agora…
Agora ele falava em levá-la para fora do país e aquilo era grande demais.
Rápida, tentou encontrar uma saída.
— Eu não acho que seja uma boa ideia.
Alessandro ergueu levemente a sobrancelha.
— Por que não? Você mesma disse que estava se sentindo entediada.
— Mas não foi uma reclamação — se apressou em explicar. — Foi só um desabafo. Eu estou bem aqui… bem sossegada.
— Eu sei — respondeu com calma. — Mas, como eu disse, preciso viajar. E não quero deixar você sozinha. Você está grávida e precisa de cuidados.
— Eu posso me cuidar — rebateu, depressa. — Vou ficar bem. Não precisa se preocupar.
O olhar dele ficou mais atento.
— Eu só vou ficar tranquilo se você estiver comigo — insistiu.
Sara franziu o cenho.
— Mas… para onde você vai?
— Canadá — explicou. — Tenho negócios por lá e vou precisar ficar um tempo.
O coração dela disparou, então decidiu se justificar:
— Eu estou numa fase da gravidez em que não acho uma boa ideia viajar. Tenho enjoos sempre e…
— Não precisa se preocupar com isso — ele a interrompeu, já prevendo as desculpas. — Vou garantir que você viaje com todo o conforto possível.
Sara ficou em silêncio por um momento, claramente dividida.
— Lá, vou providenciar um bom médico para continuar acompanhando a sua gestação — continuou com tranquilidade. — Além disso, poderei levar você às consultas e estar presente em tudo.
Naquele momento, ela se sentia pressionada. Não pelo tom de Alessandro, que continuava calmo, mas pelo peso da situação. Ele havia feito tudo por ela desde aquela noite. Deu abrigo, comida, ajudou com os documentos, a levou ao médico… Apareceu em sua vida quando não tinha absolutamente ninguém.
Como simplesmente dizer não?
Ela baixou o olhar para o passaporte ainda em suas mãos. Os dedos apertaram a capa com força.
— Eu… — começou, hesitando.
Queria recusar, dizer que não precisava ir. Queria manter pelo menos aquela pequena sensação de controle sobre a própria vida.
Mas a verdade era dura demais. Estava vivendo no apartamento dele, sendo sustentada e protegida por ele. E, naquele momento, recusar parecia quase uma ingratidão.
Soltando o ar bem devagar, decidiu perguntar:
— Por quanto tempo você pretende ficar lá?
Um leve brilho satisfeito passou pelos olhos de Alessandro, rápido, quase imperceptível.
— O tempo necessário — respondeu. — Pode durar semanas… ou meses.
— Meses? — ela indagou, surpresa.
— No fim de tudo isso… o que você vai querer de mim?
O silêncio que se seguiu foi pesado, por um breve instante, o sorriso dele desapareceu.
Alessandro a observou com mais atenção, como se finalmente reconhecesse que Sara não era tão ingênua quanto parecia.
— Nada que você não esteja disposta a me dar — respondeu.
O coração dela falhou uma batida. Porque aquela resposta… não era exatamente tranquilizadora.
Ele se virou e saiu dali, seguindo para o quarto.
Quando ficou sozinha novamente, Sara se levantou devagar e caminhou até a varanda do apartamento. A vista era linda. Em outra situação, ela até pararia para apreciar.
Mas não naquele momento.
O coração doía de medo… e também de expectativas que não sabia explicar.
Podia tentar fugir dali. Podia simplesmente ir embora. Mas ir para onde?
Já havia pensado em arrumar um emprego, mas quem contrataria uma mulher grávida? Além disso, onde ficaria até conseguir se estabilizar um pouco? O mundo parecia grande e assustador demais naquele momento.
Foi então que percebeu algo que doeu admitir: além de sempre ter vivido à mercê dos pais… ela nunca havia sido realmente preparada para caminhar sozinha. Por isso, agora estava ali, sozinha de verdade.
Sem chão nem planos e com uma vida dependendo dela.
Se saísse dali naquele momento, voltar para a situação de rua em que estava antes seria apenas questão de tempo.
Ela não tinha com quem contar e agora… não era mais só sobre ela. Baixando o olhar, levou a mão à barriga, tocando-a com cuidado.
Estava carregando uma vida inocente, uma vida que não tinha culpa dos erros dela… nem de tudo o que havia acontecido. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela respirou fundo, tentando se firmar, porque, a partir daquele momento, era apenas naquela criança que ela precisava pensar.

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