Renato saiu da casa apressado, pisando firme e sem olhar para trás. Mas, ao atravessar o portão, percebeu o barulho de passos vindo atrás dele.
— Senhor?
Era a empregada que havia aberto o portão.
Ele a ignorou e seguiu até o carro, abriu a porta e já ia entrar no veículo.
— Senhor! — Ela insistiu, aproximando-se mais.
Visivelmente irritado, ele parou.
— O que você quer? — perguntou, ríspido.
A mulher hesitou por um segundo.
— Não quero ser intrometida… mas eu escutei o que o senhor Lemos disse lá dentro.
Renato a encarou de lado.
— Eu não sei quem o senhor é... nem o que quer com a menina Sara — continuou ela, nervosa. — Mas o senhor Lemos mentiu.
O olhar de Renato mudou na mesma hora.
— Ela não saiu daqui porque quis — completou a empregada. — Ele a expulsou… mesmo depois de ela dizer que não tinha para onde ir.
No mesmo instante, ele decidiu olhar para o rosto da mulher e prestar atenção no que ela falava.
— Sabe para onde ela foi?
— Não, senhor — respondeu a empregada, aflita. — Mas a senhorita Raquel tinha razão numa coisa, a Sara não tem parentes nem amigos na cidade. Ela é uma moça boa e deve estar sofrendo por aí, ainda mais porque saiu daqui só com a roupa do corpo.
Renato mordeu os lábios. Mais uma vez, a sensação de culpa voltou com força.
Mesmo que ele e Sara não tivessem dado certo, ela estava cumprindo a parte do acordo que fizeram. E agora, ele se sentia um covarde por não ter feito a sua, ao menos dando a ela a escolha de ir ou não para a casa dos pais.
— Desde que ela saiu daqui, não apareceu mais? — perguntou, mais baixo.
— Não, senhor. E o que mais me preocupa é que, no dia em que ela foi expulsa, caiu uma chuva muito forte na cidade. A coitada deve estar sofrendo muito por aí.
A cabeça dele doeu no mesmo instante.
— Eu vou encontrá-la — disse, decidido.
A mulher assentiu, esperançosa.
— Por favor, faça isso. Ela não é uma má pessoa.
Em seguida, a empregada olhou para os lados, desconfiada, com medo de ser vista conversando com ele. Sem dizer mais nada, afastou-se rapidamente.
Renato entrou no carro, mas não disse nada ao motorista. Apenas ficou ali, imóvel, olhando para o nada.
A consciência pesava mais do que nunca.
Onde Sara estava?
— Para onde quer que eu o leve, senhor? — O motorista perguntou depois de alguns minutos de silêncio.
Renato ergueu o olhar e encontrou os olhos do homem pelo retrovisor.
Hesitou por um segundo antes de responder:
— Para lugar nenhum… apenas dirija.
Enquanto o carro rodava pela cidade, Renato observava cada canto pela janela, numa esperança quase tola de avistar Sara em algum lugar.

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