Não era fácil suportar tanto desprezo vindo de todos os lados, ainda mais vindo de alguém a quem nunca havia feito mal algum.
— Posso não ser ninguém para você — disse, com a voz segura, apesar do nó na garganta —, mas fui eu quem o ajudou no momento em que ele mais precisava.
Mantendo a postura altiva, Lorena soltou um sorriso curto.
— Acha mesmo que ele se importa com isso? — rebateu. — Para ser bem sincera, ele nem se lembra direito de quando e como chegou aqui. E quando contei, o Renato ainda brigou comigo por eu ter deixado você entrar no carro dele e levá-lo até o hospital. — mentiu. — Então não se ache importante pelo que fez. Se conseguiu trazê-lo até aqui, foi porque ele estava desacordado e fora de si. Se estivesse consciente, jamais teria permitido.
— Você está mentindo! — disse Sara, incrédula.
— Acha mesmo que eu preciso mentir sobre isso? — retrucou, fria. — Se quer provar que não estou mentindo, vá agora mesmo até o quarto do Renato e ouça tudo da boca dele — provocou. — Mas já vou te avisando: ouvir dele é bem pior do que ouvir de mim. Ele não gosta de você. Pelo contrário, ele te odeia com todas as forças.
Sara engoliu em seco. Por um instante, sentiu vontade de ir até o quarto, encará-lo e exigir a verdade. Mas o medo de ouvir aquelas mesmas palavras da boca dele a paralisou. Naquele momento, entendeu que, não importava o que fizesse, para Renato ela nunca seria suficiente.
— Tudo bem — disse, enfim, vencida. — Eu já entendi o recado.
Assentiu, respirando fundo.
— De qualquer forma, diga a ele que fico feliz por saber que está fora de perigo. Não vou mais voltar aqui. Quando ele tiver alta… nos veremos em casa.
Satisfeita com o conformismo de Sara, Lorena a observou se afastar com um sorriso vitorioso nos lábios. Só o fato de saber que ela e Renato não se encontrariam tão cedo já lhe trouxe um certo alívio.
Assim que a viu sair pela porta da recepção, respirou fundo, virou-se e seguiu em direção ao quarto do chefe. No entanto, ao dobrar o corredor, deu de cara com Odete, parada ali, observando tudo em silêncio.
— O que faz aqui? — perguntou, sem se preocupar em disfarçar o tom ríspido.
— Estou aqui desde a madrugada — respondeu Odete, com calma. — Ou já se esqueceu de que fui eu quem acompanhou o Renato junto com a Sara?
Desprezando o comentário, Lorena apenas revirou os olhos.
— Ah, me poupe, Odete. Esqueça essa história de que foi ela quem o trouxe. No fim das contas, isso não valeu de nada. O Renato não se importa com um detalhe tão insignificante assim — desdenhou.
Odete a encarou por alguns segundos, em silêncio, como se estivesse escolhendo bem as palavras.
— Será mesmo? — rebateu, sem hesitar. — Você pode até enganar a Sara, mas a mim não engana, Lorena.
O tom desafiador fez Lorena pressionar os lábios com força. Aquilo a irritou mais do que gostaria de admitir.
— O que você quer dizer com isso, hein? — disparou, perdendo a compostura. — É melhor esquecer essa história de como o Renato chegou aqui. Deixe isso de lado. Não quero ouvir mais ninguém dizendo que foi a Sara quem o trouxe, está me ouvindo?

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